Em curso na Floresta · caso 1 de 2 · em curso · atualizado em 3/11/2026
Floresta · 8 fatos · 3 confirmados · 5 relatados
A COP31 em Antália
Murat Kurum, ministro do Meio Ambiente da Turquia e presidente da COP31, caminha com delegados na Zona Azul da COP30, em Belém, em 21 de novembro de 2025, nos dias em que Turquia e Austrália fecharam o acordo sobre a conferência de Antália.. Xuthoria · Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0
A conferência do clima da ONU começa em 9 de novembro em Antália, na Turquia, com uma presidência dividida: a Turquia preside a COP, a Austrália conduz as negociações. Lula vai à cúpula de líderes, nos dias 11 e 12, e o Brasil chega com a herança de Belém e sem acordo à vista sobre os combustíveis fósseis.
Último fato, 31/10/2026relatado Fonte do governo diz à AFP que Lula vai à COP31; o ministro Alexandre Padilha o acompanhará.
O caso
Cada fato traz a fase: confirmado é ato de órgão público, decisão judicial ou documento da própria plataforma; relatado, imprensa ou organização sem o documento primário; desmentido, o que a apuração oficial afastou.
A 31ª Conferência das Partes da Convenção do Clima vai de 9 a 20 de novembro de 2026 em Antália, no sul da Turquia. O arranjo saiu de um impasse resolvido em Belém, durante a COP30: a Turquia sedia a conferência e a preside, com o ministro Murat Kurum, e a Austrália, que retirou sua candidatura, ganhou o cargo de presidente das negociações, com o ministro Chris Bowen. A cúpula de líderes será nos dias 11 e 12, o terceiro e o quarto dias da conferência, e Lula vai, segundo a AFP. A presidência quer uma decisão de cobertura curta, e a Turquia pôs como prioridade elevar a eletricidade a 35% do consumo final de energia do mundo até 2035; especialistas ouvidos pela AFP consideram improvável um acordo vinculante para abandonar carvão, petróleo e gás. O Brasil chega como presidência que sai: a COP30 adotou 56 decisões, lançou o fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) e deixou fora do texto negociado o roteiro para a transição dos combustíveis fósseis, que a presidência brasileira prometeu concluir até novembro como iniciativa própria.
- 9 a 20/11datas da COP31, em Antália, na Turquia (AFP, 31/10; Climate Home News, 14/04)
- 11 e 12/11a cúpula de líderes, no terceiro e quarto dias da conferência, e não na abertura, como nas anteriores (carta de Murat Kurum, 14/04, via Climate Home News)
- 35%meta voluntária proposta pela Turquia para a eletricidade no consumo final de energia do mundo até 2035; hoje, cerca de 23% (AFP, 31/10; Climate Home News, 07/10)
- 56decisões adotadas por consenso na COP30, em Belém, segundo o relatório da presidência brasileira (Agência Brasil, 18/03)
- 52países, além da União Europeia, que endossaram a participação no TFFF até o fim da COP30 (relatório da presidência da COP30, via Agência Brasil, 18/03)
- 3 vezeso aumento do financiamento para adaptação até 2035 acordado em Belém, segundo o relatório da presidência da COP30 (Agência Brasil, 18/03)
Uma conferência, duas presidências
A COP31 acontece de 9 a 20 de novembro em Antália, cidade turística no litoral sul da Turquia (AFP, 31/10). Turquia e Austrália disputavam a sede, e o impasse foi resolvido em Belém, durante a COP30, em novembro de 2025: a Turquia sedia e preside a conferência, com o ministro do Meio Ambiente, Murat Kurum, e a Austrália, que retirou a candidatura, ficou com o cargo de “presidente das negociações”, exercido pelo ministro do Clima e Energia, Chris Bowen (Climate Home News, 11/09).
O documento que regula o arranjo dá a Bowen autoridade exclusiva sobre as negociações, em consulta com a Turquia, e prevê que, havendo divergência, as consultas sigam até que ela se resolva. Em setembro, Kurum disse que os dois países “não são copresidentes” e que “a decisão final cabe à presidência da COP31”; acrescentou que não havia tido problemas com a Austrália (Climate Home News, 11/09; tradução da Vigília).
Em carta aberta de 14 de abril, Kurum fixou a cúpula de líderes para 11 e 12 de novembro, em Antália, no terceiro e quarto dias da conferência, e não na abertura, como nas edições anteriores; antes, ele chegara a dizer que a cúpula seria em Istambul. A pré-COP foi de 5 a 8 de outubro em Fiji, com um encontro de líderes em Tuvalu, no Pacífico (Climate Home News, 14/04).
A pauta de Antália
Na pré-COP de Fiji, em 7 de outubro, Austrália e Turquia anunciaram que vão propor uma “decisão conduzida pela presidência”, que funciona como decisão de cobertura: um texto resumido pela presidência, e não negociado linha a linha, mas que ainda exige consenso. Bowen disse não querer “uma longa declaração política”, e sim um texto que “capte o momento global e faça um chamado à ação”, e que ele poderia reconhecer que ultrapassar 1,5 °C de aquecimento já é inevitável, com a ressalva de que a temperatura pode voltar a cair (Climate Home News, 07/10; tradução da Vigília).
A primeira das dez prioridades da Turquia é elevar a eletricidade a 35% do consumo final de energia do mundo até 2035, contra cerca de 23% hoje (AFP, 31/10). A meta não exige que a eletricidade seja limpa; a União Europeia defendeu que as renováveis sejam o foco, e analistas alertaram que, sem essa exigência, a meta pode amparar projetos fósseis. A carta conjunta das duas presidências aponta o aumento do financiamento para adaptação como área-chave e pede que a ciência esteja no centro do próximo balanço global (Climate Home News, 07/10).
Sobre os combustíveis fósseis, especialistas ouvidos pela AFP consideram improvável que se chegue neste ano a um acordo vinculante para abandonar carvão, petróleo e gás, sob a pressão que a guerra no Oriente Médio exerce sobre o mercado (AFP, 31/10). A decisão da COP28, de 2023, de “transição para longe dos combustíveis fósseis” segue sem caminho de implementação negociado, travada por grandes produtores (Climate Home News, 07/10).
O que o Brasil leva de Belém
A presidência brasileira da COP30 publicou em 17 de março o relatório da conferência: 56 decisões adotadas por consenso, sobre mitigação, adaptação, financiamento, tecnologia e perdas e danos; indicadores globais para medir a adaptação; e o compromisso de triplicar o financiamento para adaptação até 2035. O relatório destaca o fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), que combina dinheiro público e privado para pagar a países que conservam floresta tropical, e registra 52 países e a União Europeia como endossantes ao fim da conferência (Agência Brasil, 18/03).
O roteiro para a transição dos combustíveis fósseis ficou fora da decisão negociada em Belém: o Brasil o ofereceu como iniciativa voluntária, no fim da conferência, depois de não conseguir apoio para um processo formal (Climate Home News, 07/10). Em março, o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, disse que os dois “mapas do caminho”, para o fim do desmatamento e para a transição dos fósseis, seriam concluídos até novembro, quando termina a presidência brasileira, com o de fósseis apresentado em partes ao longo do ano (Jornal de Brasília, 02/03).
O mapa do caminho nacional, para reduzir os fósseis no próprio Brasil, é outra coisa e não deve chegar a Antália: “Não estamos trabalhando com a expectativa de termos um mapa do caminho na próxima COP”, disse o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, em abril; o que sairia antes seriam princípios e procedimentos para elaborá-lo, a serem levados ao Conselho Nacional de Política Energética (RFI, via NovaCana, 29/04).
Lula vai à COP31, segundo fonte do governo ouvida pela AFP; o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o acompanhará (AFP, via O Tempo, 31/10). O Brasil abre a conferência como presidência que sai, enquanto as queimadas no Pará, com o pior outubro da série do Inpe, acompanham a delegação (ver o caso das queimadas na Amazônia e no Pará).
Linha do tempo 8
- 20/11/2025confirmado Em Belém, durante a COP30, Turquia e Austrália fecham acordo: a Turquia sedia e preside a COP31, e a Austrália conduz as negociações.
- 2/3/2026relatado Corrêa do Lago diz que os roteiros para o fim do desmatamento e para a transição dos fósseis serão concluídos até novembro.
- 17/3/2026confirmado A presidência da COP30 publica o relatório da conferência, com 56 decisões adotadas em Belém.
- 14/4/2026confirmado Murat Kurum fixa a cúpula de líderes para 11 e 12 de novembro, em Antália, e a pré-COP para 5 a 8 de outubro, em Fiji.
- 29/4/2026relatado Capobianco diz que o mapa do caminho nacional para os fósseis não estará pronto para a COP31.
- 10/9/2026relatado Kurum diz que Turquia e Austrália “não são copresidentes” e que a decisão final cabe à presidência da COP31.
- 7/10/2026relatado Na pré-COP de Fiji, Bowen anuncia que a presidência vai propor uma decisão de cobertura curta.
- 31/10/2026relatado Fonte do governo diz à AFP que Lula vai à COP31; o ministro Alexandre Padilha o acompanhará.
Vídeos 3
De canais oficiais e de imprensa. O vídeo só carrega quando você aperta o play, no modo sem cookies do YouTube.
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A ida de Lula e a dúvida sobre os fósseis, na véspera da conferência.
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A agenda internacional de Lula depois da eleição, com a COP31 à frente.
Turquia e Austrália vão dividir tarefas da COP31
O acordo de Belém que dividiu a COP31 entre a Turquia e a Austrália.
Imagens 2
Cada imagem com o autor, a licença e o link para a página de origem. Servidas pela Vigília, em cor.
Murat Kurum, ministro do Meio Ambiente da Turquia e presidente designado da COP31, caminha com delegados na Zona Azul da COP30, em Belém, 21/11/2025 (contexto: os dias do acordo entre Turquia e Austrália). Xuthoria, 2025 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0
O parque da Expo 2016 em Antália, visto da torre da exposição, 30/06/2016 (imagem de lugar, de outro ano: o centro de exposições do parque sedia a COP31). Hendric Stattmann, 2016 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0
Matérias 4
A imprensa e os textos de referência contextualizam; o que sustenta o marco são as fontes, abaixo.
- Lula vai participar da COP31 em novembro na Turquia
A ida de Lula, as datas e a meta de eletrificação da Turquia.
- Australia says COP31 co-presidency will work on a cover decision
O que as duas presidências querem do texto final, em inglês.
- COP30 report lists 56 decisions, calls for global implementation
O balanço de Belém que o Brasil leva a Antália, em inglês.
- Brasil conclui roadmaps climáticos para desmatamento e fósseis até novembro
Corrêa do Lago e o prazo dos dois mapas do caminho.
Fontes 7
As páginas oficiais da COP31 (unfccc.int/cop31 e o site da presidência turca) não puderam ser lidas por máquina nesta apuração, e o site do Observatório do Clima recusou o acesso; datas, papéis e a pauta vêm da AFP, do Climate Home News, que leu as cartas das presidências, e da Agência Brasil. A ida de Lula tem como fonte uma pessoa do governo ouvida pela AFP; a agenda oficial do Planalto não foi aberta. Não se localizou o estado atual das contribuições ao TFFF nem a lista de novas metas nacionais (NDCs) entregues antes de Antália, e por isso a página não dá números sobre elas. A data do acordo entre Turquia e Austrália em Belém é a dos relatos de imprensa da COP30; o documento que fixa o arranjo não foi aberto. As citações em inglês foram traduzidas pela Vigília.
- Lula vai participar da COP31 em novembro na Turquia (31/10/2026)
- Türkiye sets COP31 leaders’ summit and pre-COP dates (14/04/2026)
- Türkiye says it has “final decision” on COP31 despite Australia role (11/09/2026)
- Australia says COP31 co-presidency will work on a cover decision (07/10/2026)
- COP30 report lists 56 decisions, calls for global implementation (18/03/2026)
- Brasil conclui roadmaps climáticos para desmatamento e fósseis até novembro (02/03/2026)
- Mapa do caminho do Brasil para o fim dos fósseis não deve sair este ano, diz ministro (29/04/2026)


