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em curso · atualizado em 31/10 · 17 fatos · 8 confirmados · 8 relatados · 1 desmentido

Israel vota e nenhum bloco chega a 61 cadeiras

Seção eleitoral numa escola do bairro Narkisim, em Rishon LeZion, com tendas de partidos na calçada, na manhã de 27 de outubro de 2026, dia da eleição.Nizzan Cohen · Wikimedia Commons · CC BY 4.0

Último fato, 10/11relatado Previsto: posse do 26º Knesset.

Israel elegeu o 26º Knesset em 27 de outubro de 2026, na primeira eleição desde o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023. O Comitê Central de Eleições publicou o resultado final da apuração na madrugada de 30 de outubro: o Likud, de Benjamin Netanyahu, é o maior partido, com 27 cadeiras, mas o bloco governista soma 53, oito a menos que a maioria de 61. O bloco de oposição liderado por Gadi Eisenkot tem 48, e os partidos árabes, 19. O comparecimento foi de 77,9%. O resultado só se torna oficial com a entrega ao presidente Isaac Herzog, prevista para 4 de novembro. O Likud afirma que a eleição foi “roubada” com ajuda estrangeira; o comitê eleitoral diz que a investigação aberta não altera o resultado, e o Catar nega interferência. Quem receberá o mandato para formar governo ainda não está definido.

O resultado

O Comitê Central de Eleições publicou o resultado final da apuração na madrugada de 30 de outubro, sem mudanças na distribuição de cadeiras em relação à atualização anterior. Onze listas passaram a cláusula de barreira de 3,25%: Likud, 27 cadeiras; Yashar, 21; Juntos (B’Yachad), 12; Lista Conjunta, 11; Os Democratas, 8; Ra’am, 8; Yisrael Beytenu, 7; Judaísmo Unido da Torá, 7; Otzma Yehudit, 7; Shas, 6; Sionismo Religioso, 6 (Times of Israel, 30/10).

Votaram 5.716.665 eleitores, 77,9% do eleitorado, segundo o comitê (Times of Israel, 30/10). O Times of Israel chama o índice de o mais alto “em décadas”; a NBC, com 77,7% na noite da eleição, de o mais alto desde 1999 (NBC News, 27/10). Eram cerca de 7,3 milhões de eleitores aptos (Al Jazeera, 20/10).

Na noite de 27 de outubro, as pesquisas de boca de urna dos canais 11, 12 e 13 deram 50 cadeiras ao bloco de Netanyahu e 52 ao de Eisenkot; o Canal 14 deu 60 a 43. A apuração terminou com o bloco governista à frente, mas sem maioria (NBC News, 27/10).

A conta da maioria

O bloco de Netanyahu — Likud, Otzma Yehudit, Judaísmo Unido da Torá, Shas e Sionismo Religioso — soma 53 cadeiras; no Knesset que sai, tinha 68 (Times of Israel, 30/10). O bloco de Eisenkot — Yashar, Juntos, Os Democratas e Yisrael Beytenu — soma 48 (Times of Israel, 30/10).

Os 19 deputados da Lista Conjunta e do Ra’am, a maior bancada árabe já eleita segundo a NBC, decidem a aritmética. Os dois blocos principais descartam governar com eles (NBC News, 29/10). Eisenkot prometeu não se aliar a partidos árabes; Yair Golan, dos Democratas, é o único líder da oposição que defende uma coalizão “em parceria” com eles (Al Jazeera, 29/10; NBC News, 29/10).

Somadas, as oposições têm 67 cadeiras (48 sionistas e 19 árabes) contra 53 da coalizão, e a TV israelense relatou planos de substituir o presidente do Knesset, Amir Ohana, aliado de Netanyahu (Times of Israel, 31/10).

O que dizem Netanyahu e Eisenkot

Na noite da eleição, Netanyahu disse a apoiadores em Jerusalém: “Precisamos formar um governo de direita, nacional e forte” (NBC News, 27/10). Ele e Eisenkot afirmam, cada um, que formarão o próximo governo (Times of Israel, 28/10). Netanyahu segue como primeiro-ministro até que um novo governo tome posse.

Em 31 de outubro, Eisenkot disse que os eleitores rejeitaram o “governo de 7 de outubro e da evasão do serviço militar” e que “é o Knesset que dá a confiança ao governo”. Prometeu levar adiante uma comissão estatal de inquérito sobre as falhas anteriores ao ataque de 2023, o serviço obrigatório para todos e a revogação das leis da reforma judicial. Pôs como condições para integrar seu governo reconhecer Israel como Estado judeu e democrático e tratar o Hamas como grupo terrorista a ser desmontado em Gaza (Times of Israel, 31/10).

O partido de Eisenkot acusa ministros do Likud de procurar deputados do Yashar para formar maioria; o vice-ministro Almog Cohen negou e falou em “fake news” (Times of Israel, 31/10).

A acusação de interferência

Em 28 de outubro, o Likud publicou na conta de Netanyahu no X que “roubaram a eleição em Israel”, atribuindo a alta do voto árabe a financiamento secreto do Catar (JTA, 30/10). O presidente do Comitê Central de Eleições, o juiz da Suprema Corte Noam Sohlberg, pediu ao chefe do Shin Bet, David Zini, que apurasse “suspeitas sérias” de “influência indevida”, mas escreveu que não podia atestar a natureza delas; a carta não nomeia o Catar nem partido algum (JTA, 30/10; Al Jazeera, 29/10).

O diretor-geral interino do comitê, Dean Livne, disse não haver “base para alegações de violações sistemáticas da integridade eleitoral” e que a investigação não afeta o resultado entregue ao presidente (NBC News, 29/10; Times of Israel, 30/10). O Shin Bet disse que a apuração é restrita e não acusa um setor inteiro da população (JTA, 30/10).

O porta-voz da chancelaria do Catar, Majed Al Ansari, negou “categoricamente” qualquer interferência. Mansour Abbas, do Ra’am, disse que o partido “não tem relação alguma” com o caso e acusou Netanyahu de incitação contra os cidadãos árabes. Eisenkot falou em “campanha orquestrada” para deslegitimar o resultado (JTA, 30/10; NBC News, 29/10).

Os próximos passos

O comitê tem até 4 de novembro, oito dias após a votação, para publicar o resultado no diário oficial e entregá-lo a Herzog. As consultas do presidente com os partidos devem começar no mesmo dia e seguir até 5 ou 6 de novembro; ele tem sete dias a partir da publicação para indicar quem tentará formar governo (Ynet). O Knesset eleito toma posse em 10 de novembro (Times of Israel, 30/10).

O indicado tem 28 dias, prorrogáveis por mais 14. Se fracassar, Herzog pode dar 28 dias a outro deputado; depois, 61 deputados podem indicar um nome em 21 dias. Sem governo ao fim do processo, o Knesset se dissolve e há nova eleição (Ynet). Por tradição, o líder do maior partido costuma ser chamado primeiro, e o Likud deve ser ouvido antes dos outros (Times of Israel, 31/10).

Em 28 de outubro, Herzog pediu que os líderes cheguem às consultas “de mente aberta” e disse: “Precisamos fazer tudo o que pudermos para evitar outra rodada de eleições” (Times of Israel, 28/10).

A guerra ao fundo

Foi a primeira eleição depois do ataque de 7 de outubro de 2023, que deixou cerca de 1.200 mortos em Israel e mais de 250 sequestrados, e da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada em fevereiro de 2026 (CNBC, 26/10). O Ministério da Saúde palestino contabiliza mais de 74.500 mortos em Gaza (CNBC, 26/10).

Segurança, as guerras em Gaza e no Irã, o recrutamento militar de ultraortodoxos e o custo econômico do conflito dominaram a campanha; Israel gasta cerca de 8% do PIB com defesa, segundo a CNBC, e o orçamento militar dobrou desde 2023, segundo a Al Jazeera (CNBC, 26/10; Al Jazeera, 20/10). Donald Trump pediu votos para Netanyahu (CNBC, 26/10).

Na véspera da votação, o Canal 12 relatou divergência entre Netanyahu e o chefe do Estado-Maior sobre uma possível “ação” que poderia reabrir o conflito com o Irã. O gabinete do premiê chamou a notícia de “fake news”, e o ministro da Defesa, Israel Katz, negou intenção de atacar o Irã antes da eleição. Avigdor Lieberman pediu à procuradora-geral que investigasse o caso (AP, 26/10).

Vídeos 2

De canais oficiais e de imprensa. O vídeo só carrega quando você aperta o play, no modo sem cookies do YouTube.

  • Netanyahu loses majority in Israel - but no clear election winner. What now?

    BBC News · 27/10/2026

    A noite da eleição e o cenário sem maioria, explicados pela BBC.

  • Israel election: Gadi Eisenkot declares a new era and vows to replace Netanyahu

    Al Jazeera English · 27/10/2026

    O discurso de Eisenkot depois das bocas de urna.

Imagens 2

Cada imagem com o autor, a licença e o link para a página de origem.

Avisos afixados na porta de uma seção eleitoral, entre eles a proibição de fotografar a cabine e a tabela das cédulas dos partidos, em 27 de outubro de 2026.

Avisos afixados na porta de uma seção eleitoral, entre eles a proibição de fotografar a cabine e a tabela das cédulas dos partidos, em 27 de outubro de 2026.Nizzan Cohen · Wikimedia Commons · CC BY 4.0

Barracas de partidos na rua HaShita, em Nesher, no norte de Israel, na tarde do dia da eleição, 27 de outubro de 2026.

Barracas de partidos na rua HaShita, em Nesher, no norte de Israel, na tarde do dia da eleição, 27 de outubro de 2026.Hanay · Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0

Matérias 5

A imprensa e os textos de referência contextualizam; o que sustenta o marco são as referências, abaixo.

  1. Ynet · 30/10/2026

    Israel’s election results are in: How a government is formed or new elections are triggered

    O passo a passo legal da formação do governo, com os prazos.

  2. Jewish Telegraphic Agency · 30/10/2026

    Israeli officials reject Netanyahu’s claim of a ‘stolen’ election

    A acusação do Likud, a carta de Sohlberg ao Shin Bet e as respostas do Catar e do Ra’am.

  3. Times of Israel · 31/10/2026

    Eisenkot vows to swiftly utilize Knesset majority ‘against Oct. 7 government’

    As condições de Eisenkot para um governo e a disputa por deputados.

  4. Associated Press, via PBS NewsHour · 26/10/2026

    Netanyahu denies allegations he’s escalating tensions with Iran before Israel’s election

    O Irã na véspera da votação e as versões do governo e da oposição.

  5. Al Jazeera · 20/10/2026

    Israel’s elections 2026 explained in maps and charts

    Os blocos, o eleitorado e o pano de fundo da guerra antes da votação.

As fontes e o que não se conferiu

Apuração de 31 de outubro de 2026, só em páginas abertas e lidas. O site do Comitê Central de Eleições (bechirot.gov.il) não respondeu durante a apuração desta página, e o resultado por partido foi conferido no Times of Israel e confirmado nos totais por bloco pela NBC (com a AP) e pela Al Jazeera (com AFP e Reuters); não foi possível abrir diretamente a Reuters nem a AP. O resultado só é oficial depois da publicação no diário oficial, prevista para 4 de novembro. O comparecimento diverge: 77,9% pelo comitê, segundo o Times of Israel, e 77,7% na NBC na noite da votação. As porcentagens de voto por partido não foram conferidas em fonte primária e ficaram de fora. As datas da desqualificação dos partidos árabes (23 de setembro) e de sua anulação pela Suprema Corte (2 de outubro) vêm de compilações e não do documento do tribunal. A investigação do Shin Bet sobre interferência estrangeira está em curso, e nenhuma acusação concreta foi tornada pública. A data de 4 de novembro para o início das consultas de Herzog é relatada pela imprensa israelense, sem nota do gabinete presidencial. O número de mortos em Gaza é do Ministério da Saúde palestino e não foi verificado de forma independente.

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