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República / em curso / a guerra do irã chega à arábia saudita

em curso · atualizado em 31/10 · 18 fatos · 10 confirmados · 8 relatados

A guerra do Irã chega à Arábia Saudita

Vista aérea do aeroporto internacional King Khalid, em Riade, em junho de 2015. Imagem de contexto: o aeroporto foi atacado ao menos quatro vezes em outubro de 2026.Vanquish0 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0

Último fato, 30/10relatado Os houthis reivindicam seis ataques, entre eles às refinarias de Ras Tanura e Rabigh e a Abqaiq, sem confirmação saudita.

A guerra começou em 28 de fevereiro, com ataques dos EUA e de Israel ao Irã; no mesmo dia, o Irã atacou Riade e a Província Oriental, e o governo saudita disse ter repelido todos os ataques. Um cessar-fogo mediado pelo Paquistão vigorou de abril a julho. Depois, a frente saudita passou a ser o Iêmen: os houthis, aliados do Irã, declararam um bloqueio naval à Arábia Saudita em 20 de julho e, desde outubro, atacam aeroportos e instalações da Aramco. Estão confirmados por notas oficiais sauditas os mortos nos aeroportos de Abha, Riade e Dammam e o ataque a um prédio da Aramco em Dhahran. Os ataques às refinarias de Ras Tanura e Rabigh e à instalação de Abqaiq, em 27 e 29 de outubro, são reivindicações dos houthis que Riad não confirmou.

Como a guerra começou

Em 28 de fevereiro, os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã. Na mesma tarde, o Irã revidou contra bases e ativos americanos no Golfo, e mísseis e drones foram lançados contra Riade e a Província Oriental saudita. O governo saudita disse que todos os ataques foram repelidos, que eles “não podem ser justificados sob nenhum pretexto” e que o Irã sabia que o reino não permitiria o uso de seu espaço aéreo ou território para atacá-lo; acrescentou que tomaria “todas as medidas necessárias”, inclusive a opção de responder (SPA, 28/2; Al Jazeera, 28/2).

Em 2 de março, o Ministério da Defesa saudita informou que dois drones dirigidos à refinaria de Ras Tanura, da Aramco, foram interceptados e que destroços causaram um incêndio limitado, sem vítimas civis (Anadolu, com a SPA, 2/3).

Trégua, colapso e a frente do Iêmen

Em 8 de abril, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, anunciou um cessar-fogo de duas semanas entre EUA e Irã, com negociações em Islamabad; o Irã se comprometeu a permitir a navegação no Estreito de Ormuz durante a trégua (Al Jazeera, 8/4). Em junho, as partes assinaram um memorando de entendimento que abria 60 dias de negociação sobre o programa nuclear, Ormuz e fundos iranianos congelados. Em 8 de julho, depois de novos ataques dos dois lados, Trump disse: “Acho que acabou” (Al Jazeera, 8/7).

Em 13 de julho, a pista do aeroporto de Sanaa, controlado pelos houthis, foi bombardeada para impedir o pouso de um avião vindo do Irã. O governo iemenita reconhecido pela ONU disse que a ação foi de suas forças; os houthis culparam a Arábia Saudita, e a Human Rights Watch atribuiu o ataque à coalizão liderada por Riad. No mesmo dia, os houthis disseram ter atacado o aeroporto de Abha, no sul saudita (Al Jazeera, 13/7; HRW, 28/7).

Em setembro, os houthis avançaram pela costa do Mar Vermelho e tomaram o porto de Mocha e ilhas do Estreito de Bab el-Mandeb. No começo de outubro, forças do governo iemenita lançaram uma contraofensiva apoiada por bombardeios da coalizão saudita. O enviado da ONU, Hans Grundberg, disse ao Conselho de Segurança que o Iêmen voltou à guerra em larga escala (ONU, 11/10).

Os ataques de outubro aos aeroportos

Segundo a aviação civil saudita (GACA), ataques de 6 e 7 de outubro mataram duas residentes estrangeiras e feriram 28 pessoas no aeroporto de Abha, e mataram um residente sudanês e feriram oito no aeroporto King Khalid, em Riade (SPA, 7/10). Em 8 de outubro, novo ataque a Riade matou três sauditas, entre eles um piloto da Saudia, segundo a GACA citada pela Al Jazeera (Al Jazeera, 9/10).

O ataque mais grave foi em 10 de outubro: um míssil atingiu o aeroporto King Khalid, matou 12 pessoas de dez nacionalidades e feriu 309 (SPA, 11/10). O porta-voz da coalizão, general Turki al-Maliki, chamou o ataque de “crime de guerra” (Al Jazeera, 10/10). No dia seguinte, outro ataque ao mesmo aeroporto matou um residente paquistanês e feriu 11 (SPA, 12/10). Em 21 de outubro, o aeroporto King Fahd, em Dammam, foi atingido: dois mortos, um saudita e um indiano, e oito feridos (SPA, 22/10).

Os houthis assumiram os ataques, apresentados como retaliação aos bombardeios sauditas no Iêmen, e declararam o espaço aéreo saudita zona de operações militares, com exceção de Meca e Medina (Al Jazeera, 10/10). O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que os ataques a civis “devem cessar imediatamente” (ONU, 11/10). Em 8 de outubro, a coalizão informou ter destruído 82 alvos houthis em Saada, Hodeida, Al-Jawf e Marib (SPA, 8/10).

Petróleo e Mar Vermelho

Com Ormuz sob ataque, a Arábia Saudita desviou exportações para Yanbu, no Mar Vermelho, pelo oleoduto Leste-Oeste, de capacidade de cerca de 7 milhões de barris por dia (Al Jazeera, 20/7). Em 20 de julho, os houthis declararam um bloqueio naval contra a Arábia Saudita, “olho por olho”, em resposta ao que chamam de bloqueio saudita a portos e aeroportos iemenitas; não ficou claro como seria aplicado (Al Jazeera, 20/7). Em 4 de agosto, um navio de bandeira indiana afundou atingido por um projétil na costa do Iêmen, sem vítimas; a autoria não foi esclarecida (BBC, 4/8).

Em 13 de outubro, um prédio administrativo da Aramco em Dhahran foi atingido; o Ministério da Energia falou em “incêndio limitado”, sem feridos (SPA, 14/10). Em 27 de outubro, os houthis disseram ter atingido Ras Tanura com um míssil balístico. A coalizão informou ter interceptado três mísseis lançados contra a Província Oriental, sem citar a refinaria; a Bloomberg, com fonte anônima, relatou um incêndio contido perto do terminal (SPA, 27/10; Reuters, 27/10).

Em comunicado divulgado no fim da semana, os houthis reivindicaram seis ataques: as refinarias de Ras Tanura e Rabigh, uma instalação da Aramco em Abqaiq, os aeroportos de Riade e Dammam e um quartel em Najran. Não houve corroboração independente; a coalizão disse ter interceptado dois mísseis contra Riade, e a Defesa Civil relatou um ferido por estilhaços (Al Jazeera, 30/10).

Negociações

Em 26 de outubro, o ministro da Defesa saudita, príncipe Khalid bin Salman, esteve em Teerã com os chefes militares e de inteligência do Paquistão e da Turquia e se reuniu com o presidente Masoud Pezeshkian. Riad disse que a visita buscava abrir canais para “evitar a volta da escalada militar”; segundo a mídia estatal iraniana, as partes concordaram em continuar as conversas (Arab News, 26/10). Os novos ataques houthis vieram logo depois (Al Jazeera, 30/10).

Depois dos ataques, o Ministério das Relações Exteriores saudita insistiu na “importância de abrir canais de negociação para evitar a volta da escalada militar” (Al Jazeera, 30/10). Entre EUA e Irã, nenhum novo cessar-fogo foi anunciado desde o colapso de julho.

Vídeos 2

De canais oficiais e de imprensa. O vídeo só carrega quando você aperta o play, no modo sem cookies do YouTube.

  • Second Houthi strike on Riyadh airport in two days

    BBC News · 12/10/2026

    Reportagem da BBC sobre o segundo ataque ao aeroporto de Riade em dois dias.

  • サウジの空港再び標的に 1人死亡 フーシ派「攻撃継続する」10日の攻撃関与認める

    ANNnewsCH · 12/10/2026

    Telejornal japonês (TV Asahi) com o ataque de 11 de outubro e a reivindicação houthi; em japonês.

Imagens 2

Cada imagem com o autor, a licença e o link para a página de origem.

A refinaria de Ras Tanura, na Província Oriental saudita, por volta de 1949. Imagem histórica de contexto.

A refinaria de Ras Tanura, na Província Oriental saudita, por volta de 1949. Imagem histórica de contexto.Arabian American Oil Co. (Aramco) · Wikimedia Commons · domínio público

Imagem de satélite do Estreito de Bab el-Mandeb, entre o Iêmen e o Chifre da África, saída sul do Mar Vermelho. Imagem de contexto, sem data.

Imagem de satélite do Estreito de Bab el-Mandeb, entre o Iêmen e o Chifre da África, saída sul do Mar Vermelho. Imagem de contexto, sem data.NASA World Wind · Wikimedia Commons · domínio público

Matérias 6

A imprensa e os textos de referência contextualizam; o que sustenta o marco são as referências, abaixo.

  1. Al Jazeera · 10/10/2026

    Saudi Arabia says 12 killed, 300 wounded in Houthi attack on Riyadh airport

    Nacionalidades dos mortos, a fala da coalizão e o aviso houthi às companhias aéreas.

  2. Al Jazeera · 11/10/2026

    World condemns deadly Houthi attack on Saudi Arabia's Riyadh airport

    As reações de ONU, EUA, Paquistão e Canadá.

  3. Reuters, via Al-Monitor · 14/10/2026

    Saudi Aramco headquarters attacked, limited fire reported

    O ataque à sede da Aramco em Dhahran e os feridos por destroços em Riade.

  4. Human Rights Watch · 28/07/2026

    Strikes Endangering Civilians in Yemen and Saudi Arabia

    Análise de imagens de satélite do bombardeio ao aeroporto de Sanaa e o risco aos civis dos dois lados.

  5. Euronews · 10/09/2026

    Houthis blitz Yemen's Red Sea coastline in push to seize Bab el-Mandeb

    A tomada de Mocha e o avanço houthi sobre o estreito.

  6. Arab News · 26/10/2026

    Makkah pact countries push for peace in Tehran as Saudi defense minister meets Pezeshkian for talks

    A reunião de Teerã entre Arábia Saudita, Paquistão, Turquia e Irã.

As fontes e o que não se conferiu

Apuração de 31 de outubro de 2026, só em páginas abertas e lidas. A pesquisa preliminar errou duas coisas: o bloqueio houthi a navios sauditas foi declarado em 20 de julho, não em 29 de outubro; e as notas oficiais somam 19 mortos nos aeroportos entre 6 e 12 de outubro (20 com um ferido que morreu depois, segundo a imprensa), e 21 até 21 de outubro. Os ataques às refinarias de Ras Tanura e Rabigh e a Abqaiq em 27 e 29 de outubro são só reivindicações houthis; Riad só confirmou interceptações e, em Ras Tanura, a Bloomberg relatou um incêndio contido. A data do comunicado dos seis ataques diverge entre textos da Al Jazeera (quinta 29 ou sexta 30). A autoria do bombardeio a Sanaa em 13 de julho diverge: governo iemenita, coalizão saudita (HRW) ou Arábia Saudita (houthis). Os três mortos de 8 de outubro vêm da GACA citada pela Al Jazeera; a nota original não foi localizada. Não se conferiram vítimas no Iêmen causadas pelos bombardeios da coalizão, nem o total de mortos sauditas desde fevereiro. Reuters, AP, BBC e Departamento de Estado bloquearam a leitura automática; a Reuters foi lida por republicação. Não se conferiu em fonte aberta a mediação do Catar entre EUA e Irã relatada no fim de outubro.

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