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República / em curso / a guerra na ucrânia

em curso · atualizado em 31/10 · 20 fatos · 16 confirmados · 4 relatados

A guerra na Ucrânia

Prédio residencial em Kherson atingido por bombas guiadas russas na manhã de 17 de outubro de 2026, segundo a Polícia Nacional da Ucrânia, que fez a foto.Polícia Nacional da Ucrânia · Wikimedia Commons · CC BY 4.0

Último fato, 27/10confirmado O cessar-fogo de Oleshky entra em vigor às 3h de Kyiv, confirmado pelos dois lados, com fim previsto para 1º de novembro.

A Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022, oito anos depois de anexar a Crimeia. Em outubro de 2026 a guerra segue sem cessar-fogo geral. Está confirmado: a missão de direitos humanos da ONU verificou 2.570 civis mortos e 15.211 feridos de janeiro a setembro de 2026, total 59% acima do mesmo período de 2025; a Rússia retomou ataques em massa ao sistema de energia; um cessar-fogo local entrou em vigor em Oleshky, cidade ocupada no sul, em 27 de outubro, para entrega de ajuda e saída de civis. É só anúncio ou estimativa: a “trégua de energia” proclamada por Donald Trump em 11 de outubro, que nem Kyiv nem Moscou confirmaram e que não interrompeu os ataques; a nova rodada de negociações em Abu Dhabi, prevista para novembro sem data; e o tamanho real dos avanços na frente, que Moscou e o ISW medem de modo muito diferente.

Como chegamos aqui

Em março de 2014, depois da queda do presidente Viktor Yanukovych, a Rússia anexou a Crimeia após um referendo que a Assembleia Geral da ONU declarou sem validade, por 100 votos a 11, com 58 abstenções (ONU, 27/3/2014). No mesmo ano começou a guerra no Donbas, entre forças ucranianas e separatistas apoiados por Moscou.

Em 24 de fevereiro de 2022 a Rússia lançou a invasão em grande escala. Uma semana depois, a Assembleia Geral exigiu a retirada das tropas russas por 141 votos a 5, com 35 abstenções (ONU, 2/3/2022). Em setembro de 2022, Moscou declarou anexadas Donetsk, Luhansk, Zaporizhzhia e Kherson; a Assembleia Geral pediu que nenhum país reconhecesse a anexação, por 143 votos a 5 (ONU, 12/10/2022).

Depois do recuo russo do norte em 2022 e da contraofensiva ucraniana de 2023, a guerra virou disputa de desgaste numa frente de cerca de 1.250 km. Em 2025 o governo Trump abriu negociação direta: a cúpula de Trump e Putin no Alasca, em 15 de agosto, terminou sem acordo (AP, 16/8/2025), e em 2026 vieram as primeiras reuniões a três, com EUA, Rússia e Ucrânia, em Abu Dhabi e Genebra (The National, 24/1/2026; AP, 18/2/2026).

A frente

Pelas contas do ISW, centro de estudos de Washington, a Rússia teve ganho líquido de cerca de 144,5 km² de janeiro a setembro de 2026 e perda líquida de cerca de 122 km² desde 1º de setembro. Putin afirma ter tomado 6.500 km² e 310 localidades no ano; o chefe do Estado-Maior russo, Valery Gerasimov, disse que as tropas estão a 5 km da cidade de Zaporizhzhia, enquanto o ISW as situa a pelo menos 20,95 km (United24, 17/10/2026).

No leste, o ISW diz que as forças russas estão a pelo menos 9 km de Kramatorsk e 12 km de Druzhkivka, e que a Ucrânia mantém cerca de 5.530 km² da região de Donetsk, pouco mais de 20% (United24, 17/10/2026). As estimativas de território dependem do método: com ou sem as áreas de infiltração, sem controle estabelecido, os números mudam bastante.

Perto da frente, o risco mudou de forma. Segundo a missão da ONU, os drones de curto alcance “transformaram o ambiente para os civis que vivem perto da linha de frente”, e muitos moradores dizem se sentir “caçados” ao fazer tarefas cotidianas (ONU, 14/7/2026).

Os ataques à energia e às cidades

A Rússia retomou no outono os ataques em massa ao sistema elétrico. Em 1º de outubro, cerca de 190 drones e mísseis balísticos atingiram instalações de energia em Kyiv e em outras regiões e mataram sete pessoas, segundo Zelensky (Reuters, 1/10/2026). Em 14 de outubro, 39 mísseis atingiram usinas; o Ministério da Defesa russo disse ter mirado quatro usinas em Kyiv e duas em Kharkiv, e 600 mil pessoas ficaram sem luz (Reuters, 14/10/2026). Em 19 de outubro, 28 subestações foram atingidas e mais de 500 mil pessoas perderam luz, aquecimento e água (AP, 20/10/2026).

Bombas guiadas atingiram cidades perto da frente. Em Kramatorsk, em 8 de outubro, um ataque a uma rua por onde passavam dois ônibus matou ao menos 33 pessoas, segundo as autoridades; Moscou não comentou de imediato e nega mirar civis (Reuters, 8/10/2026). Em Zaporizhzhia, em 10 de outubro, um prédio de cinco andares foi atingido e 17 pessoas morreram, três delas crianças, segundo as autoridades regionais (Kyiv Post, 10/10/2026).

A Ucrânia também ataca alvos de energia na Rússia: em 18 de outubro lançou mais de mil drones e provocou incêndio num terminal de exportação de petróleo em São Petersburgo (AP, 20/10/2026). Autoridades russas relataram ao menos 53 civis mortos e 462 feridos em território russo em setembro, números que a ONU não verificou (HRMMU, 15/10/2026).

As vítimas civis

A missão de monitoramento de direitos humanos da ONU na Ucrânia (HRMMU, ligada ao OHCHR) verificou ao menos 16.431 civis mortos, 803 deles crianças, e 48.613 feridos entre 24 de fevereiro de 2022 e 30 de junho de 2026. São mínimos: a missão conta só os casos que conseguiu verificar, e o número real é provavelmente maior (ONU, 14/7/2026).

Em 2026 a curva subiu. De janeiro a setembro, a missão verificou 2.570 mortos e 15.211 feridos, total 59% maior que no mesmo período de 2025. Em setembro foram 328 mortos e 2.105 feridos. No território ocupado, a missão verificou 18 mortos e 44 feridos em setembro, mas diz não ter conseguido verificar “a grande maioria das alegações” por falta de acesso (HRMMU, 15/10/2026).

A guerra mantém cerca de 3,87 milhões de deslocados dentro do país, segundo a OIM (ACNUR, dado de 30/6/2026).

Negociações e o cessar-fogo de Oleshky

As conversas a três esbarram em território e garantias. Moscou quer que a Ucrânia saia das partes de Donetsk, Luhansk, Zaporizhzhia e Kherson que ainda controla, renuncie à OTAN, reduza o Exército e proteja a língua e a cultura russas; Kyiv recusa ceder terra e quer um cessar-fogo antes do acordo final, enquanto Moscou quer o acordo completo antes da trégua (AP, 18/2/2026). Zelensky diz que qualquer acordo exige garantias de segurança fortes e dez anos de financiamento do Exército ucraniano (Reuters, 24/10/2026).

Em 11 de outubro, Trump anunciou uma “trégua de energia” com efeito imediato; não houve confirmação de Kyiv nem de Moscou (Reuters, 11/10/2026). Zelensky disse que a notícia era nova para ele e que a Ucrânia aceitaria se a Rússia aceitasse (Meduza, 12/10/2026). Os ataques à rede continuaram (Reuters, 14/10/2026).

Em 23 de outubro, a Casa Branca anunciou que Melania Trump intermediou um cessar-fogo local em Oleshky, cidade ocupada na margem esquerda do Dnipro, sem luz, aquecimento nem água corrente, onde restam de 1.700 a 2.000 moradores dos 24 mil de antes da guerra (AP, 24/10/2026; Kyiv Post, 27/10/2026). A trégua começou às 3h de Kyiv em 27 de outubro, confirmada pelos dois lados, e vai até as 22h59 de 1º de novembro; em 28 de outubro as rotas de saída estavam sendo desminadas (Ukrainska Pravda, 28/10/2026). Não há mecanismo independente de monitoramento anunciado, nem definição pública de para onde vão os que saírem (Kyiv Post, 27/10/2026).

O enviado americano Steve Witkoff esteve com Zelensky na Noruega e com Putin em São Petersburgo na semana de 19 de outubro. Zelensky disse que os negociadores dos três países combinaram reuniões técnicas em Abu Dhabi na primeira quinzena de novembro, sem data fechada (Reuters, 24/10/2026).

EUA, Europa e OTAN

O governo Trump combina mediação e pressão sobre Kyiv. Segundo a AP, Washington suspendeu algumas sanções contra Moscou, fechou um acordo para importar diesel russo, mantém em espera interceptadores Patriot e impôs limites de velocidade ao uso militar do Starlink pela Ucrânia, que estavam sendo retirados (AP, 20/10/2026; AP, 24/10/2026). Segundo o vice-primeiro-ministro russo Alexander Novak, os três primeiros petroleiros com diesel russo seguiam para a América do Norte (Reuters, 24/10/2026).

A União Europeia aprovou em 23 de abril um empréstimo de até € 90 bilhões para 2026 e 2027, € 45 bilhões por ano, captado em mercado e garantido pelo orçamento europeu (Ministério das Finanças da Ucrânia, 23/4/2026). Em julho, os embaixadores do bloco chegaram a acordo político sobre o 21º pacote de sanções, que congela o teto de preço do petróleo russo por 12 meses (Reuters, 23/7/2026).

Representantes do Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Suíça acompanharam a rodada de Genebra, e Zelensky chama a presença europeia de “indispensável” (AP, 18/2/2026). O papel da OTAN como aliança em 2026 não foi conferido para esta página; ver as ressalvas.

Vídeos 2

De canais oficiais e de imprensa. O vídeo só carrega quando você aperta o play, no modo sem cookies do YouTube.

  • White House says Melania Trump brokers truce for Ukraine city 'on brink of disaster'

    BBC News · 23/10/2026

    O anúncio do cessar-fogo de Oleshky e a situação da cidade ocupada.

  • Russia strikes Ukrainian targets despite Trump's energy ceasefire claims

    CBS News · 13/10/2026

    Os ataques à rede elétrica dois dias depois do anúncio da “trégua de energia”.

Imagens 2

Cada imagem com o autor, a licença e o link para a página de origem.

Bombeiros combatem incêndio num prédio residencial de Kyiv depois do ataque russo da noite de 13 de outubro de 2026.

Bombeiros combatem incêndio num prédio residencial de Kyiv depois do ataque russo da noite de 13 de outubro de 2026.Serviço Estatal de Emergências da Ucrânia · Wikimedia Commons · CC BY 4.0

Imagem de contexto: uma rua de Oleshky, na região de Kherson, em abril de 2016, antes da guerra em grande escala e da ocupação russa.

Imagem de contexto: uma rua de Oleshky, na região de Kherson, em abril de 2016, antes da guerra em grande escala e da ocupação russa.Dmytro Petishkin · Wikimedia Commons · CC BY 4.0

Matérias 6

A imprensa e os textos de referência contextualizam; o que sustenta o marco são as referências, abaixo.

  1. AP, via PBS NewsHour · 18/02/2026

    No breakthrough on bridging differences between Russia and Ukraine, envoys signal

    As posições de cada lado na rodada de Genebra: território, sequência do cessar-fogo, OTAN.

  2. The National · 24/01/2026

    US hails progress at ‘historic’ talks with Russia and Ukraine in Abu Dhabi

    A primeira reunião a três e a exigência russa sobre o Donbas.

  3. United24 Media · 17/10/2026

    Putin claims 6,500 square kilometres seized in Ukraine — the reality is 45 times smaller

    Os números do ISW confrontados com os de Putin e Gerasimov; veículo estatal ucraniano.

  4. Meduza · 12/10/2026

    Trump again says Russia and Ukraine agreed to an energy ceasefire. For Zelensky, it came as news

    A reação de Kyiv e o precedente do anúncio de 14 de setembro.

  5. Kyiv Post · 10/10/2026

    Death Toll Rises to 17 in Russian Strike on Zaporizhzhia

    O ataque com bombas guiadas a um prédio residencial.

  6. Reuters, via The Express Tribune · 01/10/2026

    Russian strikes batter Ukraine's energy grid

    O início da campanha de outono contra a energia e o drone que caiu na Moldávia.

As fontes e o que não se conferiu

Apuração de 31 de outubro de 2026, só em páginas abertas e lidas. Os números de vítimas da ONU são mínimos verificados; a missão diz que o total real é provavelmente maior e que não consegue verificar a maioria das alegações no território ocupado. O último total acumulado publicado vai até 30 de junho de 2026 (16.431 mortos); o relatório de setembro traz só o acumulado do ano, e a página não soma os dois por conta própria. Números de vítimas em território russo vêm de autoridades russas e não foram verificados pela ONU. O tamanho dos avanços na frente diverge muito: Putin fala em 6.500 km² tomados em 2026, o ISW em 144,5 km² líquidos, e o próprio ISW publica cifras diferentes conforme conte ou não as áreas de infiltração; não se conseguiu abrir os relatórios do ISW diretamente (acesso bloqueado), e os números vêm de veículos que os citam. A “trégua de energia” de 11 de outubro só existe no anúncio de Trump. O cessar-fogo de Oleshky tem datas divergentes (a Casa Branca falou em 29 de outubro; os dois lados começaram em 27) e não havia, até 28 de outubro, confirmação de que a ajuda tivesse entrado ou de que a evacuação tivesse começado. As mortes em Kramatorsk e Zaporizhzhia são números das autoridades ucranianas, que subiram ao longo do dia; podem mudar. Não se conferiu o papel da OTAN como aliança em 2026 (cúpula, PURL), nem a contagem atual de refugiados no exterior, nem a adoção formal do 21º pacote (a Reuters noticiou o acordo político).

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