Em curso na Floresta · caso 1 de 1 · em curso · atualizado em 31/10/2026
Floresta · 16 fatos · 11 confirmados · 5 relatados
As queimadas na Amazônia e no Pará
Imagem de satélite de 12 de outubro de 2026: a fumaça das queimadas cobre o vale do Amazonas entre Manaus e Santarém. Rótulos em inglês da Nasa.. Nasa Earth Observatory (Lauren Dauphin), dados Modis · Wikimedia Commons · domínio público
O Pará teve 12.428 focos de calor de 1º a 30 de outubro, o maior número para o mês desde 1998, pelo satélite de referência do Inpe. No acumulado do ano, a Amazônia segue entre os cinco menores totais da série.
Último fato, 30/10/2026confirmado Incêndio atinge a APA de Alter do Chão, em Santarém; a prefeitura informa controle das chamas na madrugada de 31.
O caso
Cada fato traz a fase: confirmado é ato de órgão público, decisão judicial ou documento da própria plataforma; relatado, imprensa ou organização sem o documento primário; desmentido, o que a apuração oficial afastou.
Os dados do Inpe, pelo satélite de referência (Aqua, passagem da tarde), mostram dois retratos ao mesmo tempo. Outubro de 2026 foi o pior outubro da série no Pará: 12.428 focos até o dia 30, 3,4 vezes o registrado no mesmo intervalo de 2025. Mas o ano, somado, ainda é baixo: a Amazônia acumula 48.361 focos de janeiro a 30 de outubro, quinto menor total desde 1999, depois de julho, agosto e setembro bem abaixo da média. O governo federal reforçou o combate no oeste do Pará com 522 brigadistas do Ibama e do ICMBio e 13 aeronaves, acionou a Força Nacional e diz investigar se houve fogo intencional, sem afirmar que houve. A medição da fumaça em Santarém vem de plataformas privadas e de sensores de uma ONG; não se encontrou dado oficial do estado. Foco de calor não é área queimada.
- 12.428focos de calor no Pará de 1º a 30 de outubro de 2026, satélite de referência; maior outubro da série iniciada em 1998 (o recorde anterior era 11.568, em 2008) (Inpe, dados até 30/10)
- +242%alta dos focos no Pará em 1º a 30 de outubro sobre o mesmo intervalo de 2025 (3.632 focos) (Inpe, 30/10)
- 18.781focos no bioma Amazônia de 1º a 30 de outubro de 2026, contra 7.778 no mesmo intervalo de 2025; a média de outubro entre 1999 e 2025 é 16.614 (Inpe, 30/10)
- 48.361focos no bioma Amazônia de 1º de janeiro a 30 de outubro de 2026, quinto menor total para o período desde 1999; a média de 1999 a 2025 é 89.195 (Inpe, 30/10)
- 39%parcela do Pará nos 31.755 focos do Brasil em outubro de 2026, até o dia 30 (Inpe, 30/10)
- 963focos em Uruará (PA) em outubro, município com mais focos no país no mês; seguem São Félix do Xingu (869), Altamira (716), Portel (712) e Santarém (579) (Inpe, situação atual, 31/10)
- 522brigadistas do Ibama e do ICMBio no Pará, com 13 aeronaves e 41 veículos, segundo o governo federal (MMA, 22/10)
- 3.335 km²desmatamento estimado pelo Prodes na Amazônia de agosto de 2025 a julho de 2026, menor da série; é taxa de corte raso, não área queimada (Inpe/MMA, 16/10)
Outubro no Pará, o pior da série
De 1º a 30 de outubro, o satélite de referência do Inpe registrou 12.428 focos de calor no Pará. É o maior número para um mês de outubro desde o início da série, em junho de 1998; o recorde anterior era de 11.568 focos, em outubro de 2008. No mesmo intervalo de 2025 foram 3.632 focos, o que dá alta de 242% (Inpe, dados até 30/10).
O mês acelerou do começo para o fim: 3.333 focos nos dez primeiros dias, 4.082 do dia 11 ao 20 e 5.013 do dia 21 ao 30 (Inpe, 30/10). O Inpe recomenda não comparar dias isolados, porque a contagem diária oscila com a passagem do satélite e as nuvens.
Os dez municípios brasileiros com mais focos em outubro estão todos no Pará, liderados por Uruará (963), São Félix do Xingu (869), Altamira (716), Portel (712) e Santarém (579). No ano, Altamira (2.081), São Félix do Xingu (1.832) e Itaituba (1.351) são os três primeiros do país (Inpe, situação atual, 31/10).
O Pará chegou a outubro com o ano abaixo da média. Julho teve 640 focos, contra média de 2.118 entre 1999 e 2025; agosto, 3.962, contra 10.302; setembro, 5.224, contra 9.438. De janeiro a 30 de outubro, o estado soma 24.146 focos, abaixo da média histórica do período (29.858) e acima dos 10.003 de 2025 (Inpe, 30/10).
A Amazônia: mês alto, ano baixo
No bioma Amazônia, outubro somou 18.781 focos até o dia 30, contra 7.778 no mesmo intervalo de 2025, alta de 141%. O número fica um pouco acima da média de outubro entre 1999 e 2025 (16.614) e longe do recorde do mês, 28.731 focos em 2007 (Inpe, 30/10).
No acumulado de 1º de janeiro a 30 de outubro, a Amazônia tem 48.361 focos, o quinto menor total para o período desde 1999. Só 2025 (28.525), 2000, 2011 e 2013 ficaram abaixo. Em 2024 o mesmo período teve 120.821 focos (Inpe, 30/10).
Fora do Pará, o Amazonas teve 2.258 focos em outubro, quarto maior outubro de sua série, e chegou a 1.380 focos só nos dez primeiros dias do mês, segundo o Censipam (Inpe, 30/10; Radioagência Nacional, 12/10). A fumaça cobriu o trecho entre Manaus e Santarém em imagem de satélite da Nasa de 12 de outubro (Nasa, 12/10).
Método: o foco de calor é um pixel de satélite com fogo ativo no momento da passagem; não mede área queimada. Um incêndio grande pode gerar muitos focos, e um pequeno, nenhum, se houver nuvem. Só o satélite de referência, usado desde 1998, permite comparar anos. Estimativas de área queimada, como a do Lasa/UFRJ citada pelo Greenpeace (912.534 hectares no Pará de 1º a 20 de outubro), são outra medida (Greenpeace, 22/10).
A fumaça nas cidades
Em 19 de outubro, a plataforma IQAir apontava índice 260, “muito insalubre”, em Santarém, com 185 microgramas de material particulado fino por metro cúbico; o limite diário da legislação brasileira é 32. Manaus marcava 153, “insalubre” (Agência Brasil, 19/10).
Em 27 de outubro, uma estação do Ipam em Santarém, da rede PurpleAir, registrou 205 microgramas por metro cúbico de PM2,5. Segundo o ClimaInfo, a fumaça impediu a decolagem dos seis aviões Air Tractor do Ibama baseados no aeroporto da cidade (ClimaInfo, 27/10).
As duas medições vêm de sensores privados ou de organizações, não de rede oficial do estado ou do Inmet. Não se encontrou boletim oficial de qualidade do ar para Santarém em outubro de 2026.
A resposta federal
Em 22 de outubro, o governo federal anunciou reforço no oeste do Pará: 522 brigadistas do Ibama e do ICMBio, 41 veículos e 13 aeronaves, entre elas seis aviões Air Tractor baseados em Santarém. A área prioritária é o Chapadão, na divisa entre Santarém e Uruará, com 62 incêndios florestais. A Força Nacional foi acionada para apoiar os brigadistas, que relataram obstrução ao trabalho (Agência Brasil, 22/10).
O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, disse que o ministério identificou uso intencional do fogo em invasões de assentamentos da reforma agrária e de reservas legais, e que a polícia investiga possível ação criminosa: “Não estamos afirmando que há ocorrência direta, mas isto está sendo investigado” (Agência Brasil, 22/10).
Segundo o governo, as equipes federais tinham extinguido 184 incêndios no estado (102 pelo Ibama, 82 pelo ICMBio), e o Ibama fez 49 ações de fiscalização no sudoeste do Pará em setembro e outubro. O Fundo Amazônia destinou R$ 45 milhões ao Corpo de Bombeiros do Pará, para 47 veículos, cinco drones e a formação de 303 brigadistas (O Liberal, 22/10).
O ICMBio informou 177 brigadistas no estado, posto de comando em Itaituba e quatro helicópteros. Na Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio, em Altamira, o fogo atingiu 7.166,68 hectares (ICMBio, 22/10).
Em 28 de outubro, o Ministério da Integração liberou R$ 68,6 milhões para Amazonas, Pará e Acre; ao Pará couberam R$ 3,9 milhões, de seis planos de trabalho. O estado tinha 24 municípios com emergência reconhecida, 16 deles por queimadas (Agência Brasil, 28/10).
Estado, municípios e Alter do Chão
Altamira e Jacundá decretaram situação de emergência por incêndios florestais, com validade de 180 dias (O Liberal, 22/10; Agência Brasil, 22/10). O número de municípios em emergência varia conforme a fonte e a data: 16 por estiagem e incêndios segundo o MMA em 22 de outubro; 31 com reconhecimento vigente por qualquer desastre, sete deles por incêndio florestal, no relatório do Sinpdec de 21 de outubro (O Liberal, 24/10); 24, sendo 16 por queimadas, segundo o Ministério da Integração em 28 de outubro.
O Corpo de Bombeiros do Pará mantém desde agosto a Operação Fênix, que contava 523 ocorrências desde 9 de agosto em municípios do sul, sudeste e oeste do estado (DOL, 27/08). Não se encontrou, em outubro, comunicado do governo estadual ou da Semas com números próprios sobre a temporada.
Na noite de 30 de outubro, um incêndio atingiu a Área de Proteção Ambiental de Alter do Chão, em Santarém. A prefeitura informou que as chamas foram controladas na madrugada de 31, com pontos ainda em monitoramento, e que as causas serão investigadas, inclusive a hipótese de ação criminosa (Agência Brasil, 31/10).
Fogo e desmatamento
O fogo de outubro ocorre num ano de desmatamento em queda. O Prodes estimou 3.335 km² de corte raso na Amazônia entre agosto de 2025 e julho de 2026, a menor taxa desde 1988 e 42% abaixo do ciclo anterior; o Pará segue com a maior área, mas caiu 45%. A taxa é estimativa, e o número consolidado sai no ano seguinte (Radioagência Nacional, 16/10).
Os alertas do Deter, que servem à fiscalização e não são a taxa oficial, somaram 2.874 km² na Amazônia no mesmo período, queda de 36,87%; no Pará, 987 km², queda de 25,5% (Agência Brasil, 07/08). Não se encontraram dados do Deter para setembro e outubro de 2026 que liguem os alertas aos focos deste mês.
O Greenpeace sustenta que a alta de focos depois do primeiro turno da eleição, em 4 de outubro, pode ter sido orquestrada por criminosos ambientais com motivação eleitoral, e compara o episódio ao “Dia do Fogo” de 2019. É a leitura da organização; a investigação oficial não concluiu nada até 31 de outubro (Greenpeace, 22/10). O governo atribui a seca ao El Niño (Agência Brasil, 22/10).
Linha do tempo 16
- 7/8/2026confirmado O Inpe divulga que os alertas do Deter na Amazônia caíram 36,87% entre agosto de 2025 e julho de 2026, para 2.874 km²; o Pará teve 987 km².
- 27/8/2026relatado O Corpo de Bombeiros do Pará contabiliza 523 ocorrências da Operação Fênix desde 9 de agosto.
- 30/9/2026confirmado O Pará fecha setembro com 5.224 focos, abaixo da média de 9.438 para o mês.
- 12/10/2026confirmado Imagem da Nasa mostra fumaça cobrindo o trecho entre Manaus e Santarém.
- 12/10/2026relatado O Censipam registra 1.380 focos no Amazonas nos dez primeiros dias de outubro, contra 372 em 2025.
- 16/10/2026confirmado O Inpe estima o desmatamento da Amazônia em 3.335 km² no ciclo 2025-2026, menor taxa do Prodes desde 1988.
- 18/10/2026confirmado O Ministério da Defesa anuncia Estado-Maior Conjunto em Manaus e eleva a 16 as aeronaves na força-tarefa da região.
- 19/10/2026relatado O Pará tem 922 focos ativos, o maior número do país, e Santarém marca índice 260, “muito insalubre”, no IQAir.
- 22/10/2026confirmado O governo federal anuncia 522 brigadistas, 13 aeronaves e a Força Nacional no oeste do Pará, com foco no Chapadão.
- 22/10/2026confirmado O ICMBio informa 7.166,68 hectares atingidos pelo fogo na Resex Riozinho do Anfrísio, em Altamira.
- 22/10/2026confirmado A prefeitura de Altamira decreta situação de emergência por incêndios florestais; Jacundá faz o mesmo, segundo a imprensa local.
- 22/10/2026relatado O Greenpeace afirma que a alta de focos após o primeiro turno sugere ação coordenada; a investigação oficial não concluiu.
- 27/10/2026relatado Estação do Ipam em Santarém registra 205 µg/m³ de PM2,5, e a fumaça impede a decolagem de aviões do Ibama.
- 28/10/2026confirmado O Ministério da Integração libera R$ 68,6 milhões para Amazonas, Pará e Acre; R$ 3,9 milhões vão ao Pará.
- 30/10/2026confirmado O Pará fecha 1º a 30 de outubro com 12.428 focos, maior outubro da série do satélite de referência.
- 30/10/2026confirmado Incêndio atinge a APA de Alter do Chão, em Santarém; a prefeitura informa controle das chamas na madrugada de 31.
Vídeos 2
De canais oficiais e de imprensa. O vídeo só carrega quando você aperta o play, no modo sem cookies do YouTube.
Fumaça encobre Santarém enquanto queimadas avançam e denúncias se acumulam no oeste do Pará
Reportagem local recente sobre a fumaça em Santarém e o fogo no oeste do Pará.
Amazonas: incêndios avançam e estado decreta emergência; equipes estaduais e federais se mobilizam
TV pública; mostra a resposta no estado vizinho na primeira metade de outubro.
Imagens 3
Cada imagem com o autor, a licença e o link para a página de origem. Servidas pela Vigília, em cor.
Imagem de satélite de 12 de outubro de 2026: a fumaça das queimadas cobre o vale do Amazonas entre Manaus e Santarém. Rótulos em inglês da Nasa.. Nasa Earth Observatory (Lauren Dauphin), dados Modis · Wikimedia Commons · domínio público
Fogo e fumaça na floresta amazônica entre Cruzeiro do Sul e Marechal Thaumaturgo, no Acre, em 13 de outubro de 2026. Imagem de contexto da temporada, não do Pará.. Rafa Neddermeyer/Agência Brasil · Agência Brasil · Agência Brasil: reprodução autorizada para fins jornalísticos, com a fonte
Fogo na Floresta Nacional do Jamanxim, em Novo Progresso (PA), em 17 de setembro de 2020. Imagem de contexto, de outro ano.. Marizilda Cruppe/Amazônia Real · Wikimedia Commons · CC BY 2.0
Matérias 4
A imprensa e os textos de referência contextualizam; o que sustenta o marco são as fontes, abaixo.
- Focos de incêndio no Amazonas crescem 116% em 2026
Acumulado até 12 de outubro por estado, com o Pará à frente (16.115 focos).
- Altamira e Jacundá decretam emergência por incêndios florestais no Pará
Detalhes dos decretos municipais e de quem coordena a resposta.
- Bombeiros monitoram incêndios florestais no Pará
Balanço da Operação Fênix, a ação estadual de combate, por município.
- Incêndios têm queda de quase 80% no Amazonas durante o mês de outubro
Mostra o deslocamento do fogo do Amazonas para o oeste do Pará no fim do mês.
Fontes 15
Os números de focos deste texto foram calculados pela Vigília a partir dos agregados do Inpe para o satélite de referência, com dados até 30 de outubro; o dia 31 ainda não estava computado, e as comparações com 2025 usam o mesmo intervalo (1º a 30). Os totais do Pará somam todos os biomas do estado; os da Amazônia são do bioma, não da Amazônia Legal. Foco de calor não é área queimada, e os hectares citados pelo Greenpeace (Lasa/UFRJ) são outra medida, não conferida aqui. A qualidade do ar em Santarém só tem medições de plataformas privadas e de sensores do Ipam; não se encontrou dado oficial da Semas ou do Inmet. O número de municípios em emergência diverge entre MMA (16), Sinpdec (31, por todos os desastres) e Ministério da Integração (24). Não se localizou comunicado do governo do Pará ou da Semas de outubro de 2026 com números próprios. A tese de fogo coordenado após a eleição é do Greenpeace; o governo diz investigar e não confirmou. A Agência Brasil situa o início do fogo em Alter do Chão na “noite de sábado (30)”, mas 30 de outubro de 2026 foi sexta-feira. Não há dados do Deter de setembro e outubro de 2026.
- Estatísticas de focos por estado, satélite de referência (31/10/2026)
- Situação atual: focos por estado e município (31/10/2026)
- Agregados mensais e diários de focos do Brasil, satélite de referência, dados até 30/10 (31/10/2026)
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima reforça combate aos incêndios no Pará; ICMBio amplia atuação em unidades de conservação (22/10/2026)
- Governo intensifica reforços para combater incêndios no Pará (22/10/2026)
- Incêndios avançam sobre o oeste do Pará e deixam ar insalubre (19/10/2026)
- Governo libera R$ 68,6 milhões para combater incêndios e seca no Norte (28/10/2026)
- Incêndio na APA Alter do Chão (PA) foi controlado, diz prefeitura (31/10/2026)
- Desmatamento na Amazônia cai 36,87% no último ano (07/08/2026)
- Inpe: desmatamento na Amazônia atinge menor nível de série histórica (16/10/2026)
- Amazonas teve quatro vezes mais focos de incêndio em outubro de 2026 (12/10/2026)
- Governo federal anuncia medidas para combater incêndios florestais no Pará (22/10/2026)
- No Pará, 31 municípios têm situação de emergência reconhecida, aponta relatório (24/10/2026)
- “Mês do Fogo”: explosão de focos de calor após 1º turno das eleições sugere ação coordenada e intencional de fogo criminoso na Amazônia (22/10/2026)
- Incêndios têm queda de quase 80% no Amazonas durante o mês de outubro (27/10/2026)

