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A Nova República (desde 1985) · direitos

A primeira Delegacia da Mulher

6 de agosto de 1985 · governo de José Sarney

Em 6 de agosto de 1985, o governador Franco Montoro criou por decreto, em São Paulo, a Delegacia de Polícia de Defesa da Mulher, a primeira do país, com a delegada Rosmary Corrêa à frente: no dia seguinte, uma fila de cerca de 500 mulheres. Três anos depois, a Constituição de 1988 trouxe a licença-maternidade de 120 dias, a igualdade entre homens e mulheres e o dever do Estado de coibir a violência na família.

O que havia antes

A violência contra a mulher era registrada, quando era, nos distritos policiais comuns. A iniciativa da delegacia, segundo a delegada que a comandou, veio “da luta de mulheres organizadas na sociedade” (Migalhas, 2019), no governo Montoro, o primeiro eleito pelo voto direto em São Paulo desde 1965, que já havia criado o Conselho Estadual da Condição Feminina (data não conferida).

A proposta foi planejada pelo então secretário da Segurança Pública, Michel Temer (Migalhas, 2019), e tomou a forma de decreto estadual, com base no art. 89 da Lei estadual 9.717/1967 e em exposição de motivos do próprio secretário (Decreto 23.769/1985, preâmbulo).

André Franco Montoro em dezembro de 1980, dois anos antes de ser eleito governador de São Paulo

André Franco Montoro em dezembro de 1980, dois anos antes de ser eleito governador de São PauloJosé Reynaldo da Fonseca, 1980 · Wikimedia Commons · CC BY 2.5

O que aconteceu

O Decreto 23.769, de 6 de agosto de 1985, assinado no Palácio dos Bandeirantes por Franco Montoro, por Michel Miguel Elias Temer Lulia, secretário da Segurança Pública, e por Gilda Figueiredo Portugal Gouvêa, pela Secretaria do Governo, “cria a Delegacia de Polícia de Defesa da Mulher”, na Secretaria da Segurança Pública, subordinada ao delegado-chefe do Departamento das Delegacias Regionais de Polícia da Grande São Paulo (Degran). O art. 2º dá a ela a investigação dos crimes contra pessoas do sexo feminino previstos em capítulos determinados do Código Penal (os crimes contra a pessoa e contra os costumes), ocorridos no município da capital, “concorrentemente com os Distritos Policiais”; o art. 3º manda implantá-la aos poucos, conforme o orçamento (Assembleia Legislativa de São Paulo, repositório de legislação).

A delegacia abriu na região do Parque Dom Pedro, no centro, com uma equipe de 13 mulheres, entre delegadas, investigadoras, carcereiras e escrivãs, sob o comando de Rosmary Corrêa, a “delegada Rose”, que tinha dez anos de carreira. “Nem deu tempo de pensar, começamos o atendimento”, contou ela em 2025: no dia seguinte à inauguração havia uma fila de cerca de 500 mulheres, e no primeiro dia útil foram registrados cerca de 200 boletins de ocorrência (Agência SP, 6/8/2025, reproduzida pelo ABCD do ABC). Para ela, “a DDM foi a primeira política pública do país para a mulher”.

O decreto de criação foi substituído em 30 de janeiro de 1986 pelo Decreto 24.668, que organizou da 1ª à 5ª delegacias de defesa da mulher na capital (ementa e cláusula de revogação lidas por resumo de busca, não pela página).

“Cria a Delegacia de Polícia de Defesa da Mulher.”

Decreto estadual nº 23.769, ementaDecreto nº 23.769, de 6 de agosto de 1985 (São Paulo), 06/08/1985a fonte

O que veio depois

A Constituição de 1988 levou ao texto o que a delegacia fazia na prática. O art. 226, § 8º: “O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos que a integram, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações”. O art. 5º, I: “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações”. E o art. 7º, entre os direitos dos trabalhadores, a “licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de cento e vinte dias” (XVIII), a “proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos” (XX) e a “proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo” (XXX).

A lei federal específica só veio com a Lei Maria da Penha, em 2006, que Rosmary Corrêa chamou de “uma das melhores leis do mundo no atendimento a todos os tipos de violência contra a mulher” (Migalhas, 2019). Em 2025, São Paulo tinha 142 delegacias de defesa da mulher, a maior rede do país, 18 delas abertas 24 horas; a da capital mudou do Parque Dom Pedro para o Cambuci em 2019 (Agência SP).

No país, o 10º Diagnóstico Nacional das unidades especializadas de atendimento à mulher, divulgado em 7 de agosto de 2026 pelos Ministérios das Mulheres e da Justiça, contou 585 unidades em funcionamento, 282 delas delegacias exclusivas; registraram 782.474 atendimentos em 2025, a 329.451 vítimas, e 80% delas não funcionam 24 horas (Agência Gov).

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 29/10/2026.

Na República

Referências

Assembleia Legislativa de São Paulo, Decreto nº 23.769/1985

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