José Sarney toma posse no Congresso, 15 de março de 1985; foi o seu governo que propôs a emenda que convocou a ConstituinteAgência Senado from Brasilia, Brazil, 1985 · Wikimedia Commons (origem: 200 anos do Senado Federal) · CC BY 2.0
Em 27 de novembro de 1985, as Mesas da Câmara e do Senado promulgaram a Emenda Constitucional nº 26. Ela convocou deputados e senadores a se reunir, em câmara única, em Assembleia Nacional Constituinte “livre e soberana” a partir de 1º de fevereiro de 1987. Foi uma Constituinte congressual, e não exclusiva.
- 50membros da Comissão Afonso Arinos
- 2turnos de votação exigidos
- 22 de 23governos estaduais vencidos pelo PMDB em 1986 (CPDOC)
- 14 mesesda emenda à instalação
O que havia antes
A ideia de uma Constituinte aparece na Carta de Recife do MDB, de 1971, e ganhou força depois do Pacote de Abril de 1977. Em 7 de agosto de 1984, o manifesto Compromisso com a Nação, da Aliança Democrática, prometeu convocar uma Constituinte livre e soberana, segundo o CPDOC.
Com a morte de Tancredo Neves, coube a José Sarney cumprir a agenda. Em 28 de junho de 1985, Sarney mandou ao Congresso mensagem propondo dar poderes constituintes ao Congresso eleito em novembro de 1986. Em 18 de julho, o Decreto nº 91.450 criou a Comissão Provisória de Estudos Constitucionais, a Comissão Afonso Arinos, com 50 membros.
O que aconteceu
A mensagem foi lida em 7 de agosto e foi a uma comissão mista. O relator, deputado Flávio Bierrenbach (PMDB-SP), apresentou substitutivo com plebiscito para o eleitor decidir se a Constituinte seria exclusiva ou congressual. O texto desagradou às lideranças da Aliança Democrática e foi preterido pelo substitutivo do deputado Valmor Giavarina (PMDB-PR), fiel à proposta do governo, segundo o CPDOC.

Diário do Congresso Nacional de 28/11/1985, p. 1, com a Emenda Constitucional nº 26, que convoca a Assembleia Nacional ConstituinteCongresso Nacional, 1985 · Senado Federal (Diário do Congresso Nacional, legis.senado.leg.br/diarios) · publicação oficial do Congresso Nacional
A emenda foi votada em segundo turno em 22 de novembro e promulgada em 27 de novembro de 1985. O presidente do Supremo Tribunal Federal instalaria a Assembleia e dirigiria a eleição do seu presidente. A Constituição seria aprovada em dois turnos, por maioria absoluta. A emenda também ampliou a anistia a servidores civis e militares punidos por atos de exceção.
“Os Membros da Câmara dos Deputados e do Senado Federal reunir-se-ão, unicameralmente, em Assembléia Nacional Constituinte, livre e soberana, no dia 1º de fevereiro de 1987, na sede do Congresso Nacional.”
O que veio depois
Em 15 de novembro de 1986, foram eleitos os constituintes, junto com governadores e deputados estaduais. O PMDB venceu em 22 dos 23 estados, sob o efeito do Plano Cruzado, segundo o CPDOC. A Comissão Afonso Arinos entregou seu anteprojeto em 24 de setembro de 1986; o governo não o enviou ao Congresso, mas o texto foi publicado e serviu de base para muitos constituintes.
A Assembleia foi instalada em 1º de fevereiro de 1987, com 559 membros, e a Constituição foi promulgada em 5 de outubro de 1988. A escolha da Constituinte congressual incluiu os 23 senadores eleitos em 1982, o que foi votado na primeira sessão.
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Referências
Presidência da República, EC nº 26/1985
Documentos oficiais
- Emenda Constitucional nº 26, de 27 de novembro de 1985 · Presidência da República
- A 6ª República · Câmara dos Deputados
- A 5ª República · Câmara dos Deputados
Para ler mais
- Assembleia Nacional Constituinte de 1987-88 (verbete temático) · FGV CPDOC, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro
- 30 anos da Constituinte (infográfico) · Agência Câmara
- Constituinte contou com a participação de 559 parlamentares (29/09/2008) · Agência Senado
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