A sede da Polícia Federal em Brasília, que conduziu a Operação ContragolpeMarcos Oliveira/Agência Senado, 2023 · Wikimedia Commons (origem: Flickr da Agência Senado) · CC BY 2.0
Em 19 de novembro de 2024, a Polícia Federal deflagrou a Operação Contragolpe e cumpriu cinco mandados de prisão preventiva contra investigados por um plano, chamado “Punhal Verde e Amarelo”, para matar Lula e Alckmin e prender e executar o ministro Alexandre de Moraes em dezembro de 2022. Em 2025, o STF condenou o autor do plano, o general da reserva Mário Fernandes, e os militares do grupo.
- 5prisões preventivas na Operação Contragolpe
- 37indiciados pela PF em novembro de 2024
- 34denunciados pela PGR em fevereiro de 2025
- 26 anos e 6 mesespena de Mário Fernandes
- 29 e 2condenados e absolvidos nos julgamentos até dezembro de 2025
O que havia antes
A PF investigava havia quase dois anos uma tentativa de golpe de Estado para impedir a posse do governo eleito em 2022. Em fevereiro de 2024, dois dos futuros presos já tinham sido afastados ou presos na mesma investigação, segundo a Agência Estado.
Segundo a PF, os investigados eram em maioria militares com formação em Forças Especiais, os chamados “kids pretos”. O plano previa a ação para 15 de dezembro de 2022 e a criação de um “Gabinete Institucional de Gestão de Crise”, a ser integrado pelos próprios investigados.

A sala da Primeira Turma do STF no julgamento da denúncia sobre o núcleo 1 da trama golpista (25/03/2025)Supremo Tribunal Federal STF, 2025 · Supremo Tribunal Federal (Flickr do STF) · domínio público
O que aconteceu
A operação cumpriu cinco mandados de prisão preventiva, três de busca e 15 medidas cautelares no Rio de Janeiro, em Goiás, no Amazonas e no Distrito Federal, com acompanhamento do Exército. Foram presos, segundo a Agência Estado, o general da reserva Mário Fernandes, ex-ministro interino da Secretaria-Geral da Presidência, os oficiais Hélio Ferreira Lima, Rafael Martins de Oliveira e Rodrigo Bezerra de Azevedo e o policial federal Wladimir Matos Soares.
Dois dias depois, em 21 de novembro, a PF concluiu o inquérito e indiciou 37 pessoas, entre elas Jair Bolsonaro, por golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa. Em 18 de fevereiro de 2025, a PGR denunciou 34 e dividiu a acusação em núcleos.
O acórdão da AP 2668 descreve o documento: um arquivo no dispositivo de Mário Fernandes que fala em “neutralização” de alvos, com armas de guerra e, contra Lula, cogitação de envenenamento (STF 2025, AP 2668, pp. 405-408). Segundo o relator, foi impresso no Planalto em 9 de novembro de 2022, dia em que Fernandes esteve no Alvorada (pp. 410-411). Na noite de 15 de dezembro, o grupo “Copa 2022” se posicionou perto da residência de Moraes e recebeu ordem de “abortar” (pp. 419-421).
“Entre essas ações, foi identificada a existência de um detalhado planejamento operacional, denominado “Punhal Verde e Amarelo”, que seria executado no dia 15 de dezembro de 2022, voltado ao homicídio dos candidatos à Presidência e Vice-Presidência da República eleitos.”
O que veio depois
No julgamento do núcleo 1, em setembro de 2025, a maioria da Primeira Turma deu por provados o conhecimento e a anuência de Bolsonaro ao plano (AP 2668, p. 424). Luiz Fux, vencido, contestou essa prova: para ele, o áudio de 8 de dezembro mostra que Bolsonaro “não autorizou nenhuma ação” (p. 1141). O tribunal julgou o plano como ato de execução do golpe, não como tentativa de homicídio.
Em 18 de novembro de 2025, a Turma condenou o núcleo 3: Hélio Ferreira Lima a 24 anos; Rafael Martins de Oliveira, Rodrigo Bezerra de Azevedo e Wladimir Matos Soares a 21 anos cada. Em 16 de dezembro, condenou Mário Fernandes, por unanimidade, a 26 anos e 6 meses, no núcleo 2, que deve também pagar, com os demais, R$ 30 milhões pelos danos do 8 de janeiro.
Ao fim de 2025, os julgamentos somavam 29 condenados e 2 absolvidos. Segundo a Agência Brasil, só as penas do núcleo 1 estavam em execução; os núcleos 2 e 3 estavam em fase de recurso. Fernandes já estava em prisão cautelar.

Paulo Gonet, procurador-geral da República, na Primeira Turma do STF durante o julgamento da denúncia (25/03/2025)Supremo Tribunal Federal STF, 2025 · Supremo Tribunal Federal (Flickr do STF) · domínio público
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Referências
Polícia Federal, Operação Contragolpe
Documentos oficiais
- Polícia Federal desarticula organização criminosa que planejou golpe de Estado · Polícia Federal
- PF conclui investigação que apurou golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito · Ministério da Justiça e Segurança Pública
Para ler mais
- Quem são os cinco presos que planejavam golpe com assassinato de Lula, Alckmin e Moraes · O Povo (Agência Estado)
- PGR denuncia Bolsonaro e mais 33 por tentativa de golpe de Estado · Agência Brasil
- Réus do Núcleo 2 da trama golpista recebem penas entre 8 e 26 anos · Agência Brasil
- STF encerra julgamento da trama golpista com 29 condenados · Agência Brasil
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