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A Nova República (desde 1985) · crises e escândalos

A Operação Lava Jato

17 de março de 2014 · governo de Dilma Rousseff

O Posto da Torre, em Brasília, o posto de combustível que deu nome à operaçãoMariordo (Mario Roberto Durán Ortiz), 2018 · Wikimedia Commons (envio de: Mariordo (Mario Roberto Durán Ortiz)) · CC BY-SA 4.0

Em 17 de março de 2014, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal deflagraram em Curitiba a primeira fase da Lava Jato, contra quatro organizações de doleiros. Em três dias, a prisão de um ex-diretor da Petrobras levou a investigação aos contratos da estatal. A força-tarefa do Paraná durou até fevereiro de 2021.

O que havia antes

O caso nasceu de uma investigação sobre doleiros, operadores de câmbio paralelo que movimentavam dinheiro fora do sistema bancário. Um deles era Alberto Youssef. Segundo a Agência Brasil, ele já tinha sido condenado no caso Banestado, em 1998, e firmado ali um acordo de delação em que se comprometia a não cometer novos crimes.

A investigação corria na 13ª Vara Federal de Curitiba, a cargo do juiz Sergio Moro. Uma das linhas apuradas era o uso de contas de um posto de gasolina em Brasília e de uma empresa de fachada em Curitiba para trazer dinheiro da Europa, segundo reportagem da Agência Brasil de outubro de 2014.

A Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, base da operação (2015)

A Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, base da operação (2015)DAR7, 2015 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0

O que aconteceu

Em 17 de março de 2014, a operação foi a campo com mandados de busca, de prisão preventiva e temporária e de condução coercitiva contra membros de quatro organizações criminosas. Segundo o balanço publicado pela Agência Brasil em 2019, a Justiça Federal expediu 81 mandados de busca, determinou 19 conduções coercitivas e ordenou a prisão de 28 pessoas, entre elas Youssef.

Em 20 de março, foi preso Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras de 2004 a 2012. A prisão apontou a relação dele com Youssef. Em 21 de abril, o MPF no Paraná o denunciou por embaraçar a investigação de organização criminosa. Segundo o MPF, as primeiras provas apontavam um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro com diretores da estatal.

Em 7 de abril, o procurador-geral Rodrigo Janot designou uma força-tarefa para analisar o material apreendido. Costa foi solto em maio, por decisão do STF, e voltou à prisão cerca de 20 dias depois, pelo risco de fuga ligado a US$ 23 milhões numa conta na Suíça. Em agosto, assinou acordo de delação premiada. Youssef assinou o dele em setembro.

Ainda em 2014, o MPF propôs doze ações penais contra as organizações, com 74 denunciados, por crimes contra o sistema financeiro, organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção e peculato.

O que veio depois

Em março de 2019, cinco anos depois, o MPF no Paraná contava 60 fases, 242 condenações contra 155 pessoas em 50 processos sentenciados e 13 acordos de leniência, com ressarcimento previsto de R$ 13 bilhões. Até ali, R$ 2,5 bilhões tinham voltado à Petrobras.

A força-tarefa do Paraná deixou de existir em 1º de fevereiro de 2021, incorporada ao Gaeco do MPF. Segundo o Poder360, foram 79 fases, 1.450 mandados de busca e 174 pessoas condenadas. No balanço de dez anos, a Agência Brasil registrou R$ 4,3 bilhões devolvidos à Petrobras.

Em abril de 2021, o Plenário do STF confirmou, por 8 a 3, que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para as ações contra Lula. Os processos do triplex, do sítio de Atibaia e do Instituto Lula foram anulados por incompetência, sem julgamento de mérito.

Os agentes da operação também foram julgados. O STF considerou Moro parcial nos processos contra Lula. Em maio de 2023, o TSE cassou por unanimidade o mandato de deputado de Deltan Dallagnol, que chefiara a força-tarefa de 2014 a 2020: a maioria entendeu que a exoneração do MPF fora manobra para escapar da Lei da Ficha Limpa. Youssef, condenado a mais de 100 anos de prisão, estava em liberdade em 2024 por causa do acordo de delação.

Devolução simbólica à Petrobras de valores recuperados pela Lava Jato (11/05/2015)

Devolução simbólica à Petrobras de valores recuperados pela Lava Jato (11/05/2015)José Cruz/ABr, 2015 · Wikimedia Commons (origem: Agência Brasil) · CC BY 3.0 br

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Na República

Referências

Ministério Público Federal, linha do tempo da Lava Jato

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