Manifestantes ocupam a cobertura do Congresso Nacional (17/06/2013)Valter Campanato/ABr, 2013 · Wikimedia Commons (origem: Agência Brasil) · CC BY 3.0 br
Em junho de 2013, protestos contra o aumento da tarifa de ônibus, metrô e trem em São Paulo se espalharam pelo país depois da repressão policial de 13 de junho. Em 20 de junho, cerca de 1 milhão de pessoas foram às ruas de várias cidades, segundo a Polícia Militar. As tarifas foram revogadas, a presidente propôs pactos e o Congresso arquivou a PEC 37.
- R$ 0,20aumento da tarifa em São Paulo (R$ 3,00 para R$ 3,20)
- ~1 milhãonas ruas em 20 de junho, segundo a PM
- 438cidades com atos em 20 de junho, segundo a CNM
- 430 a 9rejeição da PEC 37 na Câmara
- 57% → 30%ótimo ou bom do governo Dilma no Datafolha
O que havia antes
Em junho de 2013, depois de um reajuste, a tarifa dos ônibus municipais, do metrô e dos trens de São Paulo estava em R$ 3,20. Desde o começo do mês, o Movimento Passe Livre fez atos contra o aumento, segundo a Câmara Municipal de São Paulo.
Na noite de 13 de junho, a Polícia Militar reprimiu o ato no centro da cidade. Segundo a administração pública, mais de 250 pessoas tinham sido presas em quatro dias de protestos. O fotógrafo Sérgio Silva perdeu a visão do olho esquerdo, atingido por bala de borracha na Rua da Consolação, segundo a Agência Brasil.
No dia seguinte, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse: “Na noite de ontem nós tivemos uma situação que evidentemente não podemos aceitar”. O governador Geraldo Alckmin tinha defendido a ação da polícia.

Protesto no Rio de Janeiro (17/06/2013)Tomaz Silva/ABr, 2013 · Wikimedia Commons (origem: Agência Brasil) · CC BY 3.0 br
O que aconteceu
Os atos cresceram. Na segunda-feira, 17 de junho, o maior deles em São Paulo reuniu 65 mil pessoas segundo o Datafolha e 100 mil segundo o MPL. Em 19 de junho, Fernando Haddad e Geraldo Alckmin anunciaram juntos a volta da tarifa a R$ 3,00 a partir da segunda seguinte. Haddad disse que manter a tarifa congelada custaria R$ 2,5 bilhões até 2016.
Em 20 de junho, segundo a Polícia Militar, cerca de 1 milhão de pessoas foram às ruas de várias cidades. Em São Paulo, foram cerca de 100 mil. A Confederação Nacional de Municípios contou atos em ao menos 438 cidades, em todos os estados, com quase 2 milhões de participantes.
Em Brasília, depois de confronto no gramado do Congresso, manifestantes invadiram o Palácio do Itamaraty. Em Porto Alegre, houve depredação de prédios públicos, lojas e bancos; no Rio, quatro horas de enfrentamento com a polícia no centro. Em Ribeirão Preto, um manifestante morreu atropelado, segundo a Agência Brasil.
As pautas tinham ido além da tarifa: gastos da Copa, saúde, educação, corrupção. Marcos Nobre, que escreveu durante os atos, viu nelas uma revolta “contra o sistema, contra ‘tudo o que está aí’”, sem lideranças nem palanques (Nobre, Choque de democracia, 2013, parte I, § 7).
“A voz das ruas precisa ser ouvida e respeitada.”
O que veio depois
Na noite de 21 de junho, Dilma Rousseff falou em cadeia nacional de rádio e TV. Disse que as manifestações mostravam “a força de nossa democracia” e que a violência, “promovida por uma pequena minoria, não pode manchar um movimento pacífico e democrático”.
Em 24 de junho, em reunião com governadores e prefeitos de capitais, a presidente propôs cinco pactos: responsabilidade fiscal, reforma política, saúde, transporte público e educação. Para a reforma política, propôs um plebiscito que autorizasse uma constituinte exclusiva. Pediu também que a corrupção dolosa virasse crime hediondo.
Em 25 de junho, a Câmara rejeitou a PEC 37, que limitava o poder de investigação criminal do Ministério Público, por 430 votos a 9. A rejeição era uma das reivindicações dos atos.
Na pesquisa Datafolha encerrada em 28 de junho, a avaliação ótima ou boa do governo Dilma caiu para 30%. Era 57% na primeira semana de junho e 65% em março, segundo a Folha de S.Paulo.
Para Nobre, os atos obtiveram resultados rápidos: a revogação das tarifas, o pronunciamento, os pactos e a proposta de plebiscito (Nobre, 2013, parte I, § 9). Em 2023, a Agência Brasil registrou que Sérgio Silva ainda buscava reparação na Justiça paulista.

Ato do Movimento Passe Livre contra o aumento da tarifa em São Paulo (07/06/2013)Gianluca Ramalho Misiti from São Paulo, Brazil, 2013 · Wikimedia Commons · CC BY 2.0
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Referências
Documentos oficiais
- Governos recuam e tarifas do transporte público voltam para R$ 3,00 (19/06/2013) · Câmara Municipal de São Paulo
- Assessoria divulga íntegra de pronunciamento da presidenta (22/06/2013) · BNews, reproduzindo a Agência Brasil
- Câmara rejeita PEC 37 (25/06/2013) · Câmara dos Deputados
Dados
- Quase 2 milhões de brasileiros participaram de manifestações em 438 cidades (21/06/2013) · Jornal do Brasil
- Popularidade de Dilma cai 27 pontos, diz Datafolha (29/06/2013) · IHU Unisinos, reproduzindo a Folha de S.Paulo
Para ler mais
- Manifestações foram marcadas por violência e depredação em várias cidades (21/06/2013) · Agência Brasil
- Para ministro da Justiça houve abuso policial em São Paulo (14/06/2013) · Jornal do Brasil
- Dilma Rousseff propõe constituinte exclusiva para reforma política (24/06/2013) · Consultor Jurídico
- Junho de 2013 foi marco no processo de criminalização de lutas sociais (04/06/2023) · Agência Brasil
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