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A Nova República (desde 1985) · crises e escândalos

O caso Banco Master

18 de novembro de 2025 · governo de Luiz Inácio Lula da Silva

O edifício-sede do Banco Central do Brasil, que decretou a liquidação do MasterAgência Senado from Brasilia, Brazil, 2023 · Wikimedia Commons (origem: Flickr da Agência Senado) · CC BY 2.0

Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, no dia em que a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que apura a emissão de títulos de crédito falsos. O dono, Daniel Vorcaro, foi preso na véspera. Em 28 de outubro de 2026, a PF indiciou Vorcaro e mais 14 pessoas na fraude contra o BRB; indiciamento não é acusação, e cabe à PGR decidir se denuncia.

O que havia antes

Em 2025, o Banco de Brasília (BRB), banco público do Distrito Federal, negociou a compra do Master, de Daniel Vorcaro. Em setembro, o Banco Central negou a autorização para a compra, segundo a CNN Brasil. Especialistas consideravam arriscado o modelo do banco, que emitia papéis garantidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e pagava taxas muito acima do mercado.

A PF investigava desde 2024, a pedido do Ministério Público Federal, instituições suspeitas de criar operações de crédito falsas, simulando empréstimos, e vendê-las a outros bancos. O Master era o principal alvo.

Reunião do grupo de trabalho da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado sobre o caso Master (2026)

Reunião do grupo de trabalho da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado sobre o caso Master (2026)Agência Senado, 2026 · Agência Senado (Flickr do Senado Federal) · CC BY-SA 4.0

O que aconteceu

Na noite de 17 de novembro de 2025, Vorcaro foi preso no Aeroporto de Guarulhos. No dia 18, a PF deflagrou a Operação Compliance Zero, com o Banco Central e o Coaf. O presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o diretor financeiro do banco foram afastados. Na casa de um investigado, foram apreendidos R$ 1,6 milhão em espécie. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, estimou as fraudes em cerca de R$ 12 bilhões.

No mesmo dia, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, assinou cinco atos: a liquidação do Banco Master, do Master de Investimento, do Letsbank e da Master Corretora, e um regime especial temporário no Banco Master Múltiplo. O motivo declarado foi o “comprometimento da situação econômico-financeira da instituição”, com deterioração da liquidez e infração às normas bancárias (Banco Central do Brasil, Ato 1.369, 2025). A liquidação veio menos de um dia depois de o Grupo Fictor anunciar interesse em comprar o banco.

Com o decreto, os bens dos controladores e ex-administradores ficaram indisponíveis, e o FGC passou a ressarcir clientes até o limite de R$ 250 mil. O sindicato dos bancários de São Paulo estimou 515 trabalhadores e 12 milhões de clientes atingidos.

“Há, portanto, aproximadamente R$ 2,7 bilhões em perdas já formalizadas e reconhecidas, não se tratando de estimativa abstrata ou de risco meramente eventual”

Polícia Federalrelatório de indiciamentos, citado pela Agência Brasil, 28/10/2026a fonte

O que veio depois

Solto para responder com medidas cautelares, Vorcaro foi preso de novo em março de 2026. Em 19 de março, o ministro André Mendonça, do STF, autorizou sua transferência para a superintendência da PF; a troca de advogado foi lida como sinal de possível delação. Em outubro, ele estava custodiado na Papudinha, no Distrito Federal.

Em maio de 2026, o Banco Central afirmou que a liquidação não gerou efeitos sistêmicos e que os clientes ressarcidos levaram o dinheiro a bancos maiores.

Em 28 de outubro de 2026, a PF indiciou Vorcaro, Paulo Henrique Costa, o ex-sócio Augusto Lima e mais 12 pessoas por gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro, na primeira fase da apuração. Calcula prejuízo de R$ 2,7 bilhões ao BRB, em parte por carteiras inexistentes da Tirreno, que a PF chama de empresa de fachada operada pelo Master.

O relatório foi à PGR, que decide se denuncia; a PF pediu mais 60 dias para perícias. A defesa nega prejuízo ao BRB: diz que as carteiras foram substituídas por outros ativos.

A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado ouve o presidente interino da CVM sobre o caso Master (2026)

A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado ouve o presidente interino da CVM sobre o caso Master (2026)Saulo Cruz/Agência Senado, 2026 · Agência Senado (Flickr do Senado Federal) · CC BY-SA 4.0

Abertura da CPMI do Banco Master no Congresso (03/02/2026)

Abertura da CPMI do Banco Master no Congresso (03/02/2026)Senado Federal, 2026 · Wikimedia Commons (envio de: Senado Federal) · CC BY-SA 4.0

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Referências

Agência Brasil (18/11/2025 e 28/10/2026)

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