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A Nova República (desde 1985) · violência e segurança

A operação na Penha e no Alemão

28 de outubro de 2025 · governo de Luiz Inácio Lula da Silva

Vista do Complexo do Alemão a partir da Igreja da Penha, no RioAdam Jones from Kelowna, BC, Canada, 2015 · Wikimedia Commons (origem: Flickr de Adam Jones) · CC BY-SA 2.0

Em 28 de outubro de 2025, a Operação Contenção, do governo do Rio, levou mais de 2,5 mil policiais aos complexos da Penha e do Alemão contra o Comando Vermelho. O balanço oficial chegou a 122 mortos, 117 civis e 5 policiais, a operação policial mais letal da história do país. A polícia diz que os mortos morreram em confronto; moradores relataram execuções. Um ano depois, as mortes seguem sem conclusão.

O que havia antes

Segundo o governo do estado, a Operação Contenção fora iniciada meses antes como uma “ofensiva estratégica para conter e atacar o avanço territorial da facção criminosa Comando Vermelho”. A incursão de 28 de outubro buscava capturar lideranças do Rio e de outros estados que estariam nos dois complexos, na zona norte.

Até então, a operação mais letal no Rio, pela contagem do Instituto Fogo Cruzado, era a do Jacarezinho, em maio de 2021, com 27 civis mortos. Em 2025, até aquele dia, as ações policiais no estado somavam 353 mortos.

A Igreja da Penha, no alto do Complexo da Penha, na zona norte do Rio

A Igreja da Penha, no alto do Complexo da Penha, na zona norte do RioJonas de Carvalho, 2010 · Wikimedia Commons (envio de: Jonas de Carvalho) · CC BY-SA 2.0

O que aconteceu

A operação começou de madrugada. Houve horas de tiroteio; criminosos incendiaram ônibus e fecharam vias como a Linha Amarela. Na noite de 28, o governo contava 64 mortos, quatro deles policiais. Em 29 de outubro, o número oficial chegou a 121: 4 policiais e 117 suspeitos. O governo informou 113 presos, 33 de outros estados, e quase 100 fuzis apreendidos.

No dia 29, moradores levaram dezenas de corpos à Praça São Lucas, na Penha; as imagens dos corpos enfileirados circularam no mundo. Em 22 de novembro, morreu um quinto policial, e o total passou a 122.

A polícia diz que os 117 civis morreram em troca de tiros. Moradores e parentes relataram tortura e execuções. Em 31 de outubro, especialistas do Conselho de Direitos Humanos da ONU pediram investigação independente; disseram ter recebido denúncias de corpos com as mãos amarradas e tiros na nuca.

“Longe de enfraquecer estruturalmente o crime organizado, a intervenção aprofundou o sofrimento comunitário, reforçou a desconfiança institucional e elevou padrão histórico de violência estatal a novo patamar de gravidade”

Comissão Interamericana de Direitos Humanosrelatório de observações da visita ao Brasil, citado pela Agência Brasil, 06/03/2026a fonte

O que veio depois

O MPRJ abriu procedimento próprio, conduzido pelo promotor Fabio Correa, e ouviu 255 policiais, 61 presos e 45 parentes de mortos. Analisa laudos e milhares de horas de câmeras corporais. Segundo o MPRJ, ao menos 17% das câmeras do Bope analisadas foram desligadas de propósito, e só 62 dos 685 policiais civis usaram câmera. Dois casos são tratados como “atípicos”: um disparo a curta distância e uma decapitação.

Em 6 de março de 2026, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos publicou relatório que condena a operação. Apontou falta de preservação das cenas, falhas na cadeia de custódia e pediu que o Instituto Médico-Legal saia da estrutura policial.

Até outubro de 2026, o MPRJ havia denunciado policiais por furto, invasão de domicílio, apropriação de armas e desligamento de câmeras. As denúncias não tratam das mortes. Segundo a Agência Brasil, um ano depois não há conclusão sobre as circunstâncias das mortes nem sobre os responsáveis.

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Referências

Agência Brasil (06/03/2026)

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