Vista do bairro de Vigário Geral, na zona norte do RioJunius, 2010 · Wikimedia Commons · domínio público
Na madrugada de 29 de agosto de 1993, homens encapuzados e armados invadiram a favela de Vigário Geral, na zona norte do Rio, e mataram 21 moradores, nenhum ligado ao tráfico. A ação foi atribuída a policiais militares de um grupo de extermínio, os “Cavalos Corredores”. Das 52 pessoas denunciadas, poucas foram condenadas, e as contagens divergem.
- 21mortos (Alerj; Agência Brasil; Anistia Internacional)
- 4policiais mortos na véspera (Agência Brasil)
- 52denunciados (TJRJ, via Agência Brasil)
- 4condenados segundo o TJRJ; 7 segundo a Agência Brasil em 2015
- 14balas encontradas na exumação de 1996 (Anistia Internacional)
- 3salários mínimos, teto da pensão vitalícia (Lei estadual 3.421/2000)
O que havia antes
Um mês antes, a chacina da Candelária tinha matado oito jovens no centro do Rio. Em 28 de agosto de 1993, quatro soldados do 9º Batalhão da PM foram mortos perto de Vigário Geral, num crime atribuído a traficantes do lugar, segundo a Alerj e a Agência Brasil.
A Anistia Internacional registrou, em 2003, a informação de que os quatro policiais estariam envolvidos em extorsão de traficantes. O líder do tráfico local, Flávio Negão, disse em entrevista que os próprios colegas os mataram por disputa de propina, segundo reportagem do Sesc de 2003.
O que aconteceu
Na madrugada de 29 de agosto, homens encapuzados, com metralhadoras, escopetas, pistolas e granadas, entraram na favela. Segundo a Anistia Internacional, circularam por duas horas atirando contra os moradores. A Alerj fala em cerca de 36 homens; a Agência Brasil, em cerca de 40 em 2023 e em cerca de 50 em 2015.
Morreram 21 pessoas. Entre elas, oito integrantes de uma família, incluindo uma menina de 15 anos, mortos dentro de casa, e sete homens que jogavam cartas num bar. Segundo a Agência Brasil, nenhuma vítima tinha ligação com a quadrilha nem antecedentes criminais. O grupo era conhecido como “Cavalos Corredores”, porque entrava correndo e atirando.
“Não tem remédio para isso, não tem cura”
O que veio depois
Trinta e três pessoas, a maioria policiais militares, foram denunciadas no primeiro processo. Em 1995, 17 policiais presos gravaram às escondidas confissões de colegas; a fita levou a novas prisões e dividiu o processo em dois. Em 1996, os corpos foram exumados, e 14 balas que a perícia não retirara foram encontradas, segundo a Anistia Internacional.
Os júris foram longos. Paulo Roberto Alvarenga recebeu 449 anos em 1997, reduzidos depois a 57. Arlindo Maginário Filho foi condenado a 441 anos em 1997 e absolvido em novo júri em 2003. Em novembro de 1998, dez acusados foram absolvidos; em 23 de julho de 2003, outros nove, porque a fita foi tida como forjada. Segundo o Tribunal de Justiça do Rio, 52 pessoas foram denunciadas e quatro condenadas; a Agência Brasil contava sete condenados em 2015.
A Lei estadual 3.421, de 2000, criou pensão vitalícia de até três salários mínimos às famílias. O estado suspendeu pagamentos em 2002, retomou-os em 2018 e, de novo, por decreto de 31 de dezembro de 2020. A Lei 9.857, de 2022, garantiu os valores retroativos. A casa onde a família foi morta virou a Casa da Paz, fechada em 1998.
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Referências
Documentos oficiais
- Agora é lei: famílias das vítimas das chacinas de Vigário Geral e da Candelária receberão pensões vitalícias · Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro
Para ler mais
- Rio de Janeiro 2003: Candelária and Vigário Geral 10 years on (AMR 19/015/2003) · Anistia Internacional
- Missa lembra os 22 anos da chacina de Vigário Geral · Agência Brasil
- A dor não tem cura, diz viúva de vítima da chacina de Vigário Geral · Agência Brasil
- Rio volta a pagar pensões relacionadas à chacina de Vigário Geral · Agência Brasil
- Rio teve centenas de chacinas desde episódio da Candelária há 30 anos · Agência Brasil
- Feridas abertas · Problemas Brasileiros, Sesc São Paulo (2003)
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