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A Nova República (desde 1985) · violência e segurança

A chacina de Vigário Geral

29 de agosto de 1993 · governo de Itamar Franco

Vista do bairro de Vigário Geral, na zona norte do RioJunius, 2010 · Wikimedia Commons · domínio público

Na madrugada de 29 de agosto de 1993, homens encapuzados e armados invadiram a favela de Vigário Geral, na zona norte do Rio, e mataram 21 moradores, nenhum ligado ao tráfico. A ação foi atribuída a policiais militares de um grupo de extermínio, os “Cavalos Corredores”. Das 52 pessoas denunciadas, poucas foram condenadas, e as contagens divergem.

O que havia antes

Um mês antes, a chacina da Candelária tinha matado oito jovens no centro do Rio. Em 28 de agosto de 1993, quatro soldados do 9º Batalhão da PM foram mortos perto de Vigário Geral, num crime atribuído a traficantes do lugar, segundo a Alerj e a Agência Brasil.

A Anistia Internacional registrou, em 2003, a informação de que os quatro policiais estariam envolvidos em extorsão de traficantes. O líder do tráfico local, Flávio Negão, disse em entrevista que os próprios colegas os mataram por disputa de propina, segundo reportagem do Sesc de 2003.

O que aconteceu

Na madrugada de 29 de agosto, homens encapuzados, com metralhadoras, escopetas, pistolas e granadas, entraram na favela. Segundo a Anistia Internacional, circularam por duas horas atirando contra os moradores. A Alerj fala em cerca de 36 homens; a Agência Brasil, em cerca de 40 em 2023 e em cerca de 50 em 2015.

Morreram 21 pessoas. Entre elas, oito integrantes de uma família, incluindo uma menina de 15 anos, mortos dentro de casa, e sete homens que jogavam cartas num bar. Segundo a Agência Brasil, nenhuma vítima tinha ligação com a quadrilha nem antecedentes criminais. O grupo era conhecido como “Cavalos Corredores”, porque entrava correndo e atirando.

“Não tem remédio para isso, não tem cura”

Iracilda Toledo, presidente da Associação de Familiares das Vítimas de Vigário GeralAgência Brasil, “A dor não tem cura, diz viúva de vítima da chacina de Vigário Geral”, 29/08/2023a fonte

O que veio depois

Trinta e três pessoas, a maioria policiais militares, foram denunciadas no primeiro processo. Em 1995, 17 policiais presos gravaram às escondidas confissões de colegas; a fita levou a novas prisões e dividiu o processo em dois. Em 1996, os corpos foram exumados, e 14 balas que a perícia não retirara foram encontradas, segundo a Anistia Internacional.

Os júris foram longos. Paulo Roberto Alvarenga recebeu 449 anos em 1997, reduzidos depois a 57. Arlindo Maginário Filho foi condenado a 441 anos em 1997 e absolvido em novo júri em 2003. Em novembro de 1998, dez acusados foram absolvidos; em 23 de julho de 2003, outros nove, porque a fita foi tida como forjada. Segundo o Tribunal de Justiça do Rio, 52 pessoas foram denunciadas e quatro condenadas; a Agência Brasil contava sete condenados em 2015.

A Lei estadual 3.421, de 2000, criou pensão vitalícia de até três salários mínimos às famílias. O estado suspendeu pagamentos em 2002, retomou-os em 2018 e, de novo, por decreto de 31 de dezembro de 2020. A Lei 9.857, de 2022, garantiu os valores retroativos. A casa onde a família foi morta virou a Casa da Paz, fechada em 1998.

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Referências

Assembleia Legislativa do Rio

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