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A Nova República (desde 1985) · violência e segurança

A chacina da Candelária

23 de julho de 1993 · governo de Itamar Franco

Silhuetas vermelhas pintadas no chão diante da Igreja da Candelária, em ato pelos 16 anos da chacina (24/07/2009)Quentin de la Roche (quentindelaroche), 2009 · Wikimedia Commons (origem: Flickr de quentindelaroche) · CC BY 2.0

Na noite de 23 de julho de 1993, homens armados atiraram contra dezenas de crianças e adolescentes que dormiam perto da Igreja da Candelária, no centro do Rio, e oito jovens morreram. O sobrevivente Wagner dos Santos identificou os atiradores. Dois policiais militares e um ex-policial foram condenados.

O que havia antes

No início dos anos 1990, dezenas de crianças e adolescentes dormiam nas calçadas em torno da Igreja da Candelária. A educadora Yvonne Bezerra de Mello, que trabalhava com eles, contou mais de 70 pessoas em situação de rua na região em 1993, segundo a Agência Brasil.

Segundo a Agência Brasil, os jovens tinham atirado pedras num carro da Polícia Militar na véspera. A Anistia Internacional registrou depois, em 1996 e em 2003, as ameaças que os sobreviventes continuaram a sofrer nas ruas.

A cruz em memória dos mortos diante da Igreja da Candelária

A cruz em memória dos mortos diante da Igreja da CandeláriaMathias Wiedmann, 2011 · Wikimedia Commons (origem: Own work (Original text: Eigene Fotografie)) · CC0

O que aconteceu

Pouco antes da meia-noite, segundo a Alerj, um táxi e um Chevette com placas cobertas pararam diante da igreja, e os ocupantes atiraram contra as pessoas que dormiam. A Anistia Internacional fala em mais de 50 crianças. Quatro meninos morreram na hora, e um quinto ao tentar fugir.

Três foram levados num carro; dois foram mortos no Aterro do Flamengo. Um jovem morreu dias depois. Wagner dos Santos, baleado e deixado como morto no Aterro, sobreviveu e reconheceu os autores.

A Agência Brasil dá as idades das vítimas entre 11 e 19 anos. A lista da Anistia Internacional vai de Paulo Roberto de Oliveira, de 11 anos, a Marcos Antonio Alves da Silva, de 20, e inclui dois mortos identificados só por apelido.

“A chacina da Candelária, mesmo tendo despertado atenção internacionalmente, não serviu para nada.”

Yvonne Bezerra de Mello, educadoraAgência Brasil, “Rio teve centenas de chacinas desde episódio da Candelária há 30 anos”, 2023-07a fonte

O que veio depois

Em dezembro de 1994, Wagner sofreu nova tentativa de assassinato e passou a ter proteção federal. Depois foi viver no exterior. A Anistia Internacional registra nove homens implicados: três policiais e um civil denunciados em 1993, absolvidos em dezembro de 1996, e quatro policiais presos em 1996.

Marcus Vinícius Emmanuel Borges foi condenado em 1996 e, num novo júri, em 2003, a 300 anos. Marco Aurélio Dias de Alcântara recebeu 204 anos em 1998. Nelson Oliveira dos Santos Cunha foi condenado a 261 anos, mas em 1997 foi absolvido dos homicídios e ficou com 18 anos pela tentativa contra Wagner, segundo a Anistia Internacional. Segundo o Tribunal de Justiça do Rio, Nelson cumpriu pena até a extinção, em 2008; os outros dois, até indultos em 2011 e 2012.

Em 2018, a Lei estadual 8.873 autorizou pensão vitalícia de até três salários mínimos a Wagner. Em 2022, a Lei estadual 9.857 garantiu pensões vitalícias e pagamento retroativo às famílias das vítimas da Candelária e de Vigário Geral. Em 2023, um estudo do Geni, da UFF, contou 629 chacinas em ações policiais no estado entre 2007 e 2022, com mais de 2.500 mortos.

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Referências

Assembleia Legislativa do Rio

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