Silhuetas vermelhas pintadas no chão diante da Igreja da Candelária, em ato pelos 16 anos da chacina (24/07/2009)Quentin de la Roche (quentindelaroche), 2009 · Wikimedia Commons (origem: Flickr de quentindelaroche) · CC BY 2.0
Na noite de 23 de julho de 1993, homens armados atiraram contra dezenas de crianças e adolescentes que dormiam perto da Igreja da Candelária, no centro do Rio, e oito jovens morreram. O sobrevivente Wagner dos Santos identificou os atiradores. Dois policiais militares e um ex-policial foram condenados.
- 8mortos (Alerj; Agência Brasil; Anistia Internacional)
- mais de 50crianças e jovens dormindo no local (Anistia Internacional)
- 11 a 19anos, idade das vítimas (Agência Brasil); 11 a 20 na lista da Anistia
- 3condenados (Agência Brasil, com dados do TJRJ)
- 629chacinas policiais no estado entre 2007 e 2022 (Geni/UFF, via Agência Brasil)
O que havia antes
No início dos anos 1990, dezenas de crianças e adolescentes dormiam nas calçadas em torno da Igreja da Candelária. A educadora Yvonne Bezerra de Mello, que trabalhava com eles, contou mais de 70 pessoas em situação de rua na região em 1993, segundo a Agência Brasil.
Segundo a Agência Brasil, os jovens tinham atirado pedras num carro da Polícia Militar na véspera. A Anistia Internacional registrou depois, em 1996 e em 2003, as ameaças que os sobreviventes continuaram a sofrer nas ruas.

A cruz em memória dos mortos diante da Igreja da CandeláriaMathias Wiedmann, 2011 · Wikimedia Commons (origem: Own work (Original text: Eigene Fotografie)) · CC0
O que aconteceu
Pouco antes da meia-noite, segundo a Alerj, um táxi e um Chevette com placas cobertas pararam diante da igreja, e os ocupantes atiraram contra as pessoas que dormiam. A Anistia Internacional fala em mais de 50 crianças. Quatro meninos morreram na hora, e um quinto ao tentar fugir.
Três foram levados num carro; dois foram mortos no Aterro do Flamengo. Um jovem morreu dias depois. Wagner dos Santos, baleado e deixado como morto no Aterro, sobreviveu e reconheceu os autores.
A Agência Brasil dá as idades das vítimas entre 11 e 19 anos. A lista da Anistia Internacional vai de Paulo Roberto de Oliveira, de 11 anos, a Marcos Antonio Alves da Silva, de 20, e inclui dois mortos identificados só por apelido.
“A chacina da Candelária, mesmo tendo despertado atenção internacionalmente, não serviu para nada.”
O que veio depois
Em dezembro de 1994, Wagner sofreu nova tentativa de assassinato e passou a ter proteção federal. Depois foi viver no exterior. A Anistia Internacional registra nove homens implicados: três policiais e um civil denunciados em 1993, absolvidos em dezembro de 1996, e quatro policiais presos em 1996.
Marcus Vinícius Emmanuel Borges foi condenado em 1996 e, num novo júri, em 2003, a 300 anos. Marco Aurélio Dias de Alcântara recebeu 204 anos em 1998. Nelson Oliveira dos Santos Cunha foi condenado a 261 anos, mas em 1997 foi absolvido dos homicídios e ficou com 18 anos pela tentativa contra Wagner, segundo a Anistia Internacional. Segundo o Tribunal de Justiça do Rio, Nelson cumpriu pena até a extinção, em 2008; os outros dois, até indultos em 2011 e 2012.
Em 2018, a Lei estadual 8.873 autorizou pensão vitalícia de até três salários mínimos a Wagner. Em 2022, a Lei estadual 9.857 garantiu pensões vitalícias e pagamento retroativo às famílias das vítimas da Candelária e de Vigário Geral. Em 2023, um estudo do Geni, da UFF, contou 629 chacinas em ações policiais no estado entre 2007 e 2022, com mais de 2.500 mortos.
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Referências
Documentos oficiais
- Agora é lei: famílias das vítimas das chacinas de Vigário Geral e da Candelária receberão pensões vitalícias · Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro
Para ler mais
- Brésil. Procès de la Candelária : une petite brèche dans la forteresse de l'impunité (AMR 19/20/96) · Anistia Internacional
- Rio de Janeiro 2003: Candelária and Vigário Geral 10 years on (AMR 19/015/2003) · Anistia Internacional
- Chacina da Candelária: vítimas são lembradas após 30 anos do crime · Agência Brasil
- Rio teve centenas de chacinas desde episódio da Candelária há 30 anos · Agência Brasil
- Feridas abertas · Problemas Brasileiros, Sesc São Paulo (2003)
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