Sessão do Congresso que declarou a vacância e empossou Itamar Franco depois da renúncia de CollorAgência Senado from Brasilia, Brazil, 1992 · Wikimedia Commons (envio de: Agência Senado from Brasilia, Brazil) · CC BY 2.0
Em 30 de dezembro de 1992, o Senado condenou Fernando Collor à inabilitação por oito anos para função pública, por 76 votos a 2, um dia depois de ele renunciar à Presidência. A Câmara havia autorizado o processo em 29 de setembro, por 441 votos a 38. O STF manteve a pena e, em 1994, absolveu Collor da acusação penal de corrupção passiva.
- 441 a 38votação na Câmara, com 1 abstenção e 23 ausentes (Câmara dos Deputados)
- 76 a 2votação da inabilitação no Senado (Câmara dos Deputados)
- 8 anosde inabilitação para função pública (Resolução 101/1992)
- 16 a 5aprovação do relatório da CPI (Câmara dos Deputados)
- 8 anos e 10 mesespena na Ação Penal 1025 (STF, 2023)
- R$ 20 milhõesrecebidos ligados à BR Distribuidora, segundo o STF
O que havia antes
Collor tomou posse em 15 de março de 1990, eleito com 35 milhões de votos. Em maio de 1992, seu irmão, Pedro Collor, acusou o empresário Paulo César Farias, o PC, de ser “testa-de-ferro” do presidente. Em 1º de junho, o Congresso instalou uma CPI mista sobre os negócios de PC Farias, presidida pelo deputado Benito Gama e relatada pelo senador Amir Lando.
O motorista Eriberto França confirmou à CPI depósitos de PC Farias para a secretária do presidente, Ana Acioli. Em 26 de agosto, o relatório de Lando, que incriminava Collor, foi aprovado por 16 votos a 5. Em agosto, estudantes convocados pela UNE e pela Ubes saíram às ruas com o rosto pintado, os “caras-pintadas”, segundo o Atlas Histórico da FGV.

Itamar Franco empossado pelo Congresso depois da renúncia de Collor, 29 de dezembro de 1992Agência Senado from Brasilia, Brazil, 2024 · Wikimedia Commons (origem: 200 anos do Senado Federal) · CC BY 2.0
O que aconteceu
Em 1º de setembro, Barbosa Lima Sobrinho, da ABI, e Marcello Lavenère, da OAB, apresentaram a denúncia por crime de responsabilidade. O STF garantiu a Collor dez sessões para a defesa (MS 21.564). Em 29 de setembro, a Câmara, presidida por Ibsen Pinheiro, autorizou o processo por 441 votos a 38, com 1 abstenção e 23 ausentes. Em 2 de outubro, Collor foi afastado, e Itamar Franco assumiu.

Diário do Congresso Nacional nº 70, de 30/12/1992, p. 1: a sessão de 29 de dezembro de 1992 que declarou a vacância e empossou Itamar FrancoNational Congress of Brazil, 1992 · Wikimedia Commons (origem: legis.senado.leg.br) · domínio público
O julgamento no Senado, presidido pelo ministro Sydney Sanches, do STF, começou em 29 de dezembro. Collor renunciou por carta, lida pelo advogado José Moura Rocha, “em nome da sobrevivência das instituições democráticas”, segundo o Atlas da FGV. O Senado prosseguiu e, em 30 de dezembro, por 76 votos a 2, aplicou a inabilitação por oito anos. A sanção foi formalizada na Resolução 101/1992, publicada no Diário Oficial de 31 de dezembro.
“O que o povo quer, esta Casa acaba querendo”
O que veio depois
Collor recorreu ao STF no Mandado de Segurança 21.689, alegando que a renúncia arquivara o processo. Por maioria, a Corte manteve a inabilitação. No voto do ministro Sepúlveda Pertence, “a pena de inabilitação para outras funções não advém da aplicação da pena de perda do cargo atual”.
Na esfera penal, o STF julgou a Ação Penal 307 entre 7 e 13 de dezembro de 1994, com relatoria do ministro Ilmar Galvão. Por maioria, absolveu Collor da acusação de corrupção passiva por falta de provas de sua participação. Dois dias depois, segundo o Atlas da FGV, PC Farias foi condenado a sete anos em outro processo, pelas contas fantasmas.
Para Marcos Nobre (Imobilismo em movimento, 2013), o impeachment fez nascer a tese de que Collor caiu por falta de apoio no Congresso, e com ela a exigência de supermaiorias parlamentares para governar.
Collor voltou à política. Foi eleito senador por Alagoas em 2006, com 550.725 votos, segundo a FGV. Em 31 de maio de 2023, o STF o condenou a 8 anos e 10 meses por corrupção passiva e lavagem na Ação Penal 1025, por receber R$ 20 milhões ligados a contratos da BR Distribuidora. Em abril de 2025, o Plenário confirmou, por 6 a 4, o cumprimento imediato da pena; em 1º de maio, o ministro Alexandre de Moraes concedeu prisão domiciliar humanitária, com tornozeleira.

Movimento pelo impeachment de Collor em Brasília, 1992Agência Senado from Brasilia, Brazil, 2006 · Wikimedia Commons (origem: 200 anos do Senado Federal) · CC BY 2.0

Retrato de Itamar Franco, presidente de 1992 a 1995Radiobrás, 1993 · Wikimedia Commons (origem: Arquivo Nacional do Brasil [1]) · CC BY 3.0 br
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Referências
Senado Federal, Resolução nº 101, de 30/12/1992
Documentos oficiais
- Resolução do Senado Federal nº 101, de 30/12/1992 · Senado Federal
- 20 anos do impeachment do Collor · Câmara dos Deputados
- Conheça alguns julgamentos históricos que marcaram os últimos 50 anos do STF · Supremo Tribunal Federal
- Ação Penal 307 (julgamento histórico) · Supremo Tribunal Federal
- STF condena Collor a oito anos e dez meses por crimes contra BR Distribuidora · Supremo Tribunal Federal
- STF confirma cumprimento imediato da pena do ex-presidente Fernando Collor · Supremo Tribunal Federal
- STF concede prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente Fernando Collor · Supremo Tribunal Federal
Para ler mais
- Fernando Collor (verbete) · Atlas Histórico do Brasil, FGV
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