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Kátia Tapety, a primeira travesti eleita

1992 · governo de Itamar Franco

Em 1992, Kátia Tapety foi eleita vereadora em Colônia do Piauí, no ano em que o povoado virou município. A Fundação Cultural Palmares a registra como a primeira travesti a ocupar cargo público no país. Foi a vereadora mais votada da cidade em três eleições e depois vice-prefeita.

O que havia antes

Kátia Tapety nasceu em 1949 em Colônia, então povoado do município de Oeiras, no sertão do Piauí, segundo A Gazeta e a Fundação Palmares. Foi registrada como José Nogueira Tapety Sobrinho, de uma família de políticos do estado, como registram a UFJF e o Congresso em Foco.

Antes da política, trabalhou como parteira e agente de saúde, segundo a Palmares. Colônia do Piauí emancipou-se de Oeiras e teve sua primeira eleição municipal em 1992, como registram a UFJF e a Alma Preta.

O que aconteceu

Em 1992, Kátia foi eleita vereadora na primeira eleição do novo município. Segundo A Gazeta, concorreu pelo PFL. A Fundação Palmares a registra como a primeira travesti a ocupar cargo público no Brasil.

Foi reeleita em 1996 e em 2000, sempre como a candidata mais votada, segundo A Gazeta, a Alma Preta e a Câmara Legislativa do Distrito Federal. Presidiu a Câmara Municipal no biênio 2001–2002, segundo a Alma Preta. Em 2004, foi eleita vice-prefeita, e o mandato terminou em 2008, como disse a deputada Iracema Portella (PP-PI) em discurso na Câmara dos Deputados.

Em entrevista de 2005 ao Congresso em Foco, descreveu o tratamento dos colegas: “Todos me respeitam e tratam como uma senhora”. A cidade tinha então cerca de 5 mil eleitores, segundo a reportagem.

“Falo da primeira travesti eleita para um cargo público no Brasil. Kátia Tapety foi por três vezes a Vereadora mais votada da cidade de Colônia do Piauí.”

Iracema Portella, deputada federal (PP-PI)Discurso na Câmara dos Deputados, Diário da Câmara dos Deputados de 20/9/2012, 19/09/2012a fonte

O que veio depois

Sua trajetória é tema do documentário “Kátia”, de Karla Holanda, professora da UFJF. O filme ganhou o Prêmio Petrobras Cultural em 2010, teve cerca de 30 horas de gravação em Oeiras, Colônia do Piauí e no Rio de Janeiro e estreou em 19 de setembro de 2012, no 45º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, segundo o discurso de Iracema Portella.

Na véspera da estreia, em 19 de setembro de 2012, a deputada homenageou Kátia no plenário da Câmara, e o discurso saiu no Diário da Câmara do dia 20. Em 2013, a Câmara Legislativa do DF exibiu o filme numa mostra de direitos humanos e chamou Kátia de “primeira transexual eleita para um cargo político no Brasil”.

Em 2020, segundo A Gazeta, ela pretendia voltar a disputar uma vaga de vereadora, pelo PP. Em 2022, o Instituto Internacional sobre Raça, Igualdade e Direitos Humanos lançou a Escola de Formação Política Kátia Tapety, para candidatas negras e indígenas, com prioridade a mulheres trans, lésbicas e bissexuais, segundo a Alma Preta. Aos 74 anos, disse que não pretendia mais concorrer.

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Referências

Fundação Cultural Palmares

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