O plenário do Senado visto do alto na sessão especial pelos 25 anos da Lei de Responsabilidade Fiscal, com a LRF nos painéis (21/05/2025)Agência Senado, 2025 · Wikimedia Commons (origem: Flickr da Agência Senado) · CC BY 2.0
A Lei Complementar 101, de 4 de maio de 2000, fixou limites para o gasto com pessoal e regras para a dívida de União, estados e municípios. O Senado a aprovou em 11 de abril de 2000 por 60 votos a 10. O STF julgou a maior parte constitucional em 2020, mas derrubou a redução de jornada e de salário de servidores.
- 60 a 10votação no Senado, com 3 abstenções (Senado, PLC 4/2000)
- 50%da receita corrente líquida, limite de pessoal da União (art. 19)
- 60%limite de estados e municípios (art. 19)
- 95%do limite, patamar que dispara as proibições (art. 22)
- 8crimes contra as finanças públicas no Código Penal (Lei 10.028)
O que havia antes
Até os anos 1980, segundo Mailson da Nóbrega no livro organizado por Felipe Salto e Mansueto Almeida (2016, cap. 1), o Banco do Brasil tinha “conta de movimento” no Banco Central. O Conselho Monetário Nacional expandia a dívida sem passar pelo Congresso. A reforma de 1984 a 1987 criou o Tesouro e o orçamento unificado, e a LRF completou esse arranjo.
O projeto foi enviado pela Presidência da República à Câmara como PLP 18/1999. Chegou ao Senado como PLC 4/2000, lido em 3 de fevereiro de 2000. Os relatores foram Álvaro Dias e Jefferson Péres.

Pedro Malan, ministro da Fazenda de Fernando Henrique Cardoso (foto de 2005)Bruno Spada/ABr, 2005 · Wikimedia Commons (origem: Agência Brasil) · CC BY 3.0 br
O que aconteceu
Em 11 de abril de 2000, o plenário do Senado aprovou o projeto por 60 votos a 10, com 3 abstenções. Emendas destacadas foram rejeitadas, como a de número 7, por 43 a 16. A lei foi sancionada com veto parcial em 4 de maio, assinada por Fernando Henrique Cardoso, Pedro Malan e Martus Tavares, e publicada no Diário Oficial no dia 5.

Diário Oficial da União de 05/05/2000, Seção 1, p. 82, com a publicação da Lei Complementar 101Imprensa Nacional, 2000 · Imprensa Nacional, acervo do Diário Oficial da União (pesquisa.in.gov.br) · ato oficial, sem direito autoral
O artigo 1º diz que a responsabilidade na gestão fiscal “pressupõe a ação planejada e transparente”. O artigo 19 limitou o gasto com pessoal a 50% da receita corrente líquida na União e a 60% nos estados e municípios. O artigo 20 dividiu esses tetos entre os Poderes. Na União, por exemplo, 40,9% ficaram para o Executivo e 6% para o Judiciário.
Quando a despesa passa de 95% do limite, ficam proibidos reajustes, criação de cargos e contratações, entre outros gastos. O excesso tem de ser eliminado em dois quadrimestres. A lei vedou operações de crédito entre entes da Federação. Também proibiu assumir, nos dois últimos quadrimestres do mandato, despesa que não possa ser paga dentro dele.
O artigo 48 listou instrumentos de transparência, entre eles os relatórios de execução orçamentária e de gestão fiscal. O artigo 67 previu um Conselho de Gestão Fiscal.
“Essa lei mudou o conceito de gestão pública no país”
O que veio depois
A Lei 10.028, de 19 de outubro de 2000, criou no Código Penal os crimes contra as finanças públicas. Um deles é assumir obrigação no fim do mandato sem caixa para pagá-la, com pena de um a quatro anos de reclusão. A mesma lei acrescentou à Lei 1.079 novos crimes de responsabilidade fiscal.
PCdoB, PSB e PT contestaram a lei no STF na ADI 2238. Em 9 de maio de 2002, por unanimidade, o plenário suspendeu três trechos. Um deles permitia reduzir temporariamente a jornada com redução dos vencimentos.
No mérito, em 24 de junho de 2020, com relatoria de Alexandre de Moraes, o STF manteve a maior parte da lei. Declarou inconstitucional o trecho que deixava o Executivo limitar os repasses aos outros Poderes e confirmou a proibição de reduzir jornada e salário.
José Roberto Afonso (2011, cap. 6) apontou o que faltava cumprir: os limites para a dívida da União nunca foram fixados, e o Conselho de Gestão Fiscal nunca foi regulamentado.

Sessão especial do Senado pelos 25 anos da Lei de Responsabilidade Fiscal (21/05/2025)Agência Senado from Brasilia, Brazil, 2025 · Wikimedia Commons (origem: Agência Senado) · CC BY 2.0
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
A norma
- norma
- Lei Complementar 101, de 04/05/2000
- ementa
- Estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá outras providências.
- projeto
- PLP 18/1999
- quem propôs
- Governo federal · Fernando Henrique
- Câmara
- sem votação nominal registrada
- Senado
- 60 sim, 10 não, em 11/04/2000
O voto de cada partido e os documentos · o texto oficial Senado Federal, dados abertos: legislação federal, processos e votações do Plenário; Câmara dos Deputados, dados abertos: proposições, autores, votações e votos (arquivos anuais)
Na República
Referências
Documentos oficiais
- Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000 · Presidência da República (Planalto)
- Projeto de Lei da Câmara nº 4, de 2000 (Complementar): tramitação e votação · Senado Federal
- Lei nº 10.028, de 19 de outubro de 2000 · Presidência da República (Planalto)
- Supremo suspende três dispositivos da Lei de Responsabilidade Fiscal · Supremo Tribunal Federal
- Informativo STF nº 983 (ADI 2238, julgamento de 24/6/2020) · Supremo Tribunal Federal
Para ler mais
- LRF (Entenda o assunto) · Agência Senado
- Relator Alvaro Dias diz que LRF organizou contas públicas no país · Money Times
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