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República

República / marcos / a primeira república

A Primeira República (1889–1930) · território

O Tratado de Petrópolis e o Acre

17 de novembro de 1903 · governo de Rodrigues Alves

O Palácio Itamaraty, no Rio, sede do ministério do barão do Rio Branco, que negociou o tratado (retrato dele no canto superior esquerdo)Núcleo de digitalização / IMS · Wikimedia Commons (origem: Instituto Moreira Salles) · domínio público

Em 17 de novembro de 1903, Brasil e Bolívia assinaram em Petrópolis um tratado de permuta de territórios. O Brasil ficou com o Acre, então ocupado por seringueiros brasileiros; em troca, pagou 2 milhões de libras esterlinas, cedeu terras em Mato Grosso e prometeu construir a ferrovia Madeira-Mamoré.

O que havia antes

Pelo Tratado de Ayacucho, de 1867, o Acre pertencia à Bolívia, e os governos do Império e da República o reconheciam assim. Mas no fim do século XIX a região estava ocupada por seringais de empresários de Manaus e Belém, com mão de obra nordestina e indígena. Os povos indígenas da área foram ignorados nas negociações entre os dois Estados, anota o verbete do CPDOC.

Em 1899, a Bolívia instalou a alfândega de Puerto Alonso. Em 14 de julho, o espanhol Luiz Galvez, financiado pelo governo do Amazonas, proclamou a República Independente do Acre. Ela durou oito meses: Galvez renunciou em 15 de março de 1900, diante de um navio militar enviado pelo governo federal para garantir os direitos bolivianos.

A Bolívia arrendou então o território ao Bolivian Syndicate, companhia de capitais anglo-americanos. O contrato daria 60% dos lucros ao governo boliviano e 40% aos arrendatários. A imprensa brasileira tratou o arrendamento como ameaça à soberania. Em 6 de agosto de 1902, o gaúcho Plácido de Castro tomou Xapuri e reiniciou a guerra; em janeiro de 1903, venceu a guarnição boliviana em Porto Acre.

Mapa do Território do Acre comprado da Bolívia, de Plácido de Castro e do barão do Rio Branco (1907)

Mapa do Território do Acre comprado da Bolívia, de Plácido de Castro e do barão do Rio Branco (1907)Plácido de Castro e Barão do Rio Branco, 1907 · Wikimedia Commons · domínio público

O que aconteceu

Em dezembro de 1902, o barão do Rio Branco assumiu o Ministério das Relações Exteriores do governo Rodrigues Alves. O Brasil pagou 110 mil libras esterlinas para o Bolivian Syndicate desistir do contrato, ocupou militarmente o Acre, declarado território em litígio em março de 1903, e assinou um acordo para congelar a situação durante as negociações.

“Mappa mostrando a nova fronteira norte entre o Brasil e a Bolívia”: o Acre transferido ao Brasil pelo Tratado de Petrópolis (1903)
O documento

“Mappa mostrando a nova fronteira norte entre o Brasil e a Bolívia”: o Acre transferido ao Brasil pelo Tratado de Petrópolis (1903)Plácido de Castro e Barão do Rio Branco, 1903 · Wikimedia Commons · domínio público

Rio Branco defendeu a negociação direta, e não o arbitramento, porque sucessivos governos haviam reconhecido o Acre como boliviano. Os negociadores brasileiros foram Rio Branco, o embaixador Assis Brasil e o senador Rui Barbosa. Rui se opôs a qualquer cessão de terra e renunciou ao posto em outubro de 1903. Pela Bolívia, negociaram Fernando Guachalla e Cláudio Pinilla.

O tratado foi assinado em 17 de novembro de 1903, em Petrópolis, onde Rio Branco morava. Previa a permuta de territórios, o pagamento de 2 milhões de libras esterlinas à Bolívia e a construção da ferrovia Madeira-Mamoré. Na exposição de motivos ao Congresso, Rio Branco calculou receber 191.000 km² e ceder 2.296 km² entre os rios Madeira e Abunã.

“em troca de 142.900 quilômetros quadrados de terra que lhe disputávamos e de 48.100 de terra que era reconhecidamente sua, isto é, em troca de 191.000 quilômetros quadrados, damos à Bolívia entre os rios Madeira e Abunã (ainda segundo os cálculos acima referidos) uma área de 2.296 quilômetros quadrados”

Barão do Rio BrancoExposição de motivos ao Congresso Nacional, citada no verbete “Tratado de Petrópolis” do CPDOC, 1903a fonte

O que veio depois

O tratado foi criticado no Congresso e na imprensa, pela soma paga e pelas terras cedidas; o senador mato-grossense A. Azeredo protestou contra a cessão sem consulta ao estado. Mesmo assim, foi aprovado pelas duas Casas, segundo o CPDOC, e o Decreto nº 1.179, de 18 de fevereiro de 1904, o aprovou “em todas as suas clausulas”. As ratificações foram trocadas em 10 de março.

O Decreto nº 1.181, de 25 de fevereiro de 1904, autorizou o presidente a administrar provisoriamente o território. Foi a primeira vez que o país teve um território governado diretamente pela União, fora de qualquer estado. Em 7 de abril, o Decreto nº 5.188 organizou o Território do Acre, dividido em departamentos com prefeitos nomeados.

Plácido de Castro governou o território até fevereiro de 1904. Morreu em 11 de agosto de 1908, dois dias depois de ser ferido numa emboscada. O Acre seguiu território federal por décadas; foi elevado a estado em agosto de 1962, segundo o Arquivo Nacional.

O coronel Plácido de Castro depois da Revolução Acreana (c. 1904)

O coronel Plácido de Castro depois da Revolução Acreana (c. 1904)autor desconhecido · Wikimedia Commons · domínio público

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Referências

Arquivo Nacional, cronologia da Primeira República

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