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República

República / marcos / a primeira república

A Primeira República (1889–1930) · violência e segurança

O fim de Canudos

5 de outubro de 1897 · governo de Prudente de Morais

O 40º Batalhão de Infantaria entre as casas destruídas de Canudos, 1897Flávio de Barros, 1897 · Reprodução em Vasquez, O Brasil na fotografia oitocentista, 2003 (original no Museu da República), via Wikimedia Commons · domínio público

Em 5 de outubro de 1897, a quarta expedição militar derrotou os últimos defensores de Canudos, no sertão da Bahia. O arraial de Belo Monte, fundado por Antônio Conselheiro, foi incendiado. As estimativas de mortos passam de 20 mil, e prisioneiros foram degolados.

O que havia antes

Antônio Vicente Mendes Maciel, o Antônio Conselheiro, se fixou com seus seguidores em 1893 numa fazenda abandonada às margens do rio Vaza-Barris, no nordeste da Bahia. Ali nasceu o arraial de Belo Monte. O Arquivo Nacional estima que reuniu quase 30 mil sertanejos; outras estimativas vão de 10 mil a 35 mil.

O conflito armado começou no fim de 1896, motivado, segundo o Arquivo Nacional, por uma questão ligada ao corte de madeira. A derrota das tropas baianas levou o presidente do estado a pedir forças federais. A primeira expedição partiu em 7 de novembro de 1896, a segunda em 25 de novembro, sob o major Febrônio de Brito, e a terceira em 2 de março de 1897, sob o coronel Antônio Moreira César, que morreu em combate.

No Rio, o arraial foi lido como foco monarquista. O fracasso das expedições e a morte dos comandantes provocaram protestos, e milícias florianistas assassinaram monarquistas cariocas, segundo o Arquivo Nacional. Euclides da Cunha, engenheiro militar, escreveu dois artigos no “Estado de S. Paulo” em março de 1897 e depois acompanhou a última expedição como enviado do jornal.

As ruínas da igreja de Canudos, 1897, foto de Flávio de Barros

As ruínas da igreja de Canudos, 1897, foto de Flávio de BarrosFlávio de Barros, 1897 · Wikimedia Commons · domínio público

O que aconteceu

A quarta expedição saiu em 25 de junho de 1897, sob o general Artur Oscar de Andrade Guimarães, com mais de oito mil soldados em duas colunas. O Atlas do CPDOC dá o comando da expedição vitoriosa também ao ministro da Guerra, marechal Carlos Machado de Bittencourt. O primeiro combate foi em Cocorobó, com a coluna do general Cláudio do Amaral Savaget.

Antônio Conselheiro morreu em 22 de setembro de 1897. A causa não é conhecida, porque não houve autópsia. O cerco continuou. “Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a História, resistiu até ao esgotamento completo”, escreveu Euclides em “Os sertões” (ed. crítica de 2016, p. 549).

Em 5 de outubro, morreram os últimos defensores, e a guerra acabou. No dia 6, o arraial foi incendiado, e o corpo do Conselheiro, exumado; a cabeça foi decepada e levada ao litoral, onde o médico Nina Rodrigues mediu o crânio. A guerra praticamente não fez prisioneiros homens: a maioria dos capturados foi degolada, segundo a historiadora Jeanne Abi-Ramia. Euclides descreve as degolas como “tácita e explicitamente sancionadas pelos chefes militares”.

“Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a História, resistiu até ao esgotamento completo.”

Euclides da CunhaOs sertões: Campanha de Canudos, ed. crítica de Walnice Nogueira Galvão (Ubu/Sesc, 2016), p. 549, 1902

O que veio depois

Os números de mortos são estimativas. O Atlas do CPDOC fala em mais de 20 mil mortos na derrota final. Um projeto de lei de 2024 cita cerca de 20 mil conselheiristas e 5 mil soldados. Não há registro exato.

Em 5 de novembro de 1897, um soldado que voltara de Canudos atentou contra o presidente Prudente de Morais. Para o Atlas do CPDOC, “com a guerra de Canudos se completa o processo de consolidação do regime republicano”.

Em 1º de dezembro de 1902 saiu “Os sertões”, de Euclides da Cunha, pela Laemmert. O livro recusa a tese da conspiração monarquista: Canudos seria “um refluxo em nossa história” (p. 191), e o fim, um crime. Em 27 de novembro de 2024, o deputado Bacelar (PV-BA) apresentou o PL 3167/24, que propõe uma reparação histórica ao município de Canudos.

O arraial de Canudos (1897)

O arraial de Canudos (1897)autor desconhecido · Wikimedia Commons · domínio público

Capa da primeira edição de Os sertões, de Euclides da Cunha (1902)

Capa da primeira edição de Os sertões, de Euclides da Cunha (1902)Euclides da Cunha (1866-1909), 1902 · Wikimedia Commons · domínio público

Flávio de Barros, fotógrafo da quarta expedição (1897)

Flávio de Barros, fotógrafo da quarta expedição (1897)Flávio de Barros, 1897 · Wikimedia Commons · domínio público

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Referências

Arquivo Nacional, cronologia da Primeira República

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