O 40º Batalhão de Infantaria entre as casas destruídas de Canudos, 1897Flávio de Barros, 1897 · Reprodução em Vasquez, O Brasil na fotografia oitocentista, 2003 (original no Museu da República), via Wikimedia Commons · domínio público
Em 5 de outubro de 1897, a quarta expedição militar derrotou os últimos defensores de Canudos, no sertão da Bahia. O arraial de Belo Monte, fundado por Antônio Conselheiro, foi incendiado. As estimativas de mortos passam de 20 mil, e prisioneiros foram degolados.
- 4expedições militares
- quase 30 milsertanejos reunidos em Belo Monte, segundo o Arquivo Nacional
- mais de 8 milsoldados na quarta expedição
- mais de 20 milmortos na derrota final, segundo o Atlas do CPDOC
- cerca de 5 milsoldados mortos, segundo o PL 3167/24
O que havia antes
Antônio Vicente Mendes Maciel, o Antônio Conselheiro, se fixou com seus seguidores em 1893 numa fazenda abandonada às margens do rio Vaza-Barris, no nordeste da Bahia. Ali nasceu o arraial de Belo Monte. O Arquivo Nacional estima que reuniu quase 30 mil sertanejos; outras estimativas vão de 10 mil a 35 mil.
O conflito armado começou no fim de 1896, motivado, segundo o Arquivo Nacional, por uma questão ligada ao corte de madeira. A derrota das tropas baianas levou o presidente do estado a pedir forças federais. A primeira expedição partiu em 7 de novembro de 1896, a segunda em 25 de novembro, sob o major Febrônio de Brito, e a terceira em 2 de março de 1897, sob o coronel Antônio Moreira César, que morreu em combate.
No Rio, o arraial foi lido como foco monarquista. O fracasso das expedições e a morte dos comandantes provocaram protestos, e milícias florianistas assassinaram monarquistas cariocas, segundo o Arquivo Nacional. Euclides da Cunha, engenheiro militar, escreveu dois artigos no “Estado de S. Paulo” em março de 1897 e depois acompanhou a última expedição como enviado do jornal.

As ruínas da igreja de Canudos, 1897, foto de Flávio de BarrosFlávio de Barros, 1897 · Wikimedia Commons · domínio público
O que aconteceu
A quarta expedição saiu em 25 de junho de 1897, sob o general Artur Oscar de Andrade Guimarães, com mais de oito mil soldados em duas colunas. O Atlas do CPDOC dá o comando da expedição vitoriosa também ao ministro da Guerra, marechal Carlos Machado de Bittencourt. O primeiro combate foi em Cocorobó, com a coluna do general Cláudio do Amaral Savaget.
Antônio Conselheiro morreu em 22 de setembro de 1897. A causa não é conhecida, porque não houve autópsia. O cerco continuou. “Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a História, resistiu até ao esgotamento completo”, escreveu Euclides em “Os sertões” (ed. crítica de 2016, p. 549).
Em 5 de outubro, morreram os últimos defensores, e a guerra acabou. No dia 6, o arraial foi incendiado, e o corpo do Conselheiro, exumado; a cabeça foi decepada e levada ao litoral, onde o médico Nina Rodrigues mediu o crânio. A guerra praticamente não fez prisioneiros homens: a maioria dos capturados foi degolada, segundo a historiadora Jeanne Abi-Ramia. Euclides descreve as degolas como “tácita e explicitamente sancionadas pelos chefes militares”.
“Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a História, resistiu até ao esgotamento completo.”
O que veio depois
Os números de mortos são estimativas. O Atlas do CPDOC fala em mais de 20 mil mortos na derrota final. Um projeto de lei de 2024 cita cerca de 20 mil conselheiristas e 5 mil soldados. Não há registro exato.
Em 5 de novembro de 1897, um soldado que voltara de Canudos atentou contra o presidente Prudente de Morais. Para o Atlas do CPDOC, “com a guerra de Canudos se completa o processo de consolidação do regime republicano”.
Em 1º de dezembro de 1902 saiu “Os sertões”, de Euclides da Cunha, pela Laemmert. O livro recusa a tese da conspiração monarquista: Canudos seria “um refluxo em nossa história” (p. 191), e o fim, um crime. Em 27 de novembro de 2024, o deputado Bacelar (PV-BA) apresentou o PL 3167/24, que propõe uma reparação histórica ao município de Canudos.

O arraial de Canudos (1897)autor desconhecido · Wikimedia Commons · domínio público

Capa da primeira edição de Os sertões, de Euclides da Cunha (1902)Euclides da Cunha (1866-1909), 1902 · Wikimedia Commons · domínio público

Flávio de Barros, fotógrafo da quarta expedição (1897)Flávio de Barros, 1897 · Wikimedia Commons · domínio público
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Referências
Arquivo Nacional, cronologia da Primeira República
Documentos oficiais
- Cronologia da Primeira República (1889 a 1930) · Arquivo Nacional (MAPA)
- Os presidentes e a República: Deodoro da Fonseca a Luiz Inácio Lula da Silva (6ª ed., 2026) · Arquivo Nacional
Para ler mais
- Guerra de Canudos (verbete de Eduardo Junqueira) · FGV CPDOC, Atlas Histórico do Brasil
- A Primeira República · Câmara dos Deputados
- A Guerra de Canudos (artigo de Jeanne Abi-Ramia, 31/10/2016) · MultiRio, Prefeitura do Rio
- Projeto busca reparação histórica para o município de Canudos pelo massacre no século 19 · Agência Câmara
Toda mensagem é conferida na fonte oficial antes de mudar a página. Como corrigimos
