Eduardo de Martino, a baía e a cidade do Rio durante o primeiro bombardeio da esquadra rebelde de Custódio de Melo (The Graphic, 14/10/1893)Eduardo de Martino · Wikimedia Commons · domínio público
Em 6 de setembro de 1893, oficiais da Marinha liderados pelo almirante Custódio de Melo se rebelaram na baía de Guanabara contra o governo de Floriano Peixoto. Bombardearam fortes do Rio e de Niterói, mas não tiveram apoio do Exército nem da população. A revolta acabou em março de 1894, com os chefes asilados em navios portugueses.
- 16 + 14navios da Marinha e embarcações civis confiscadas na esquadra rebelde
- 7fortes de Niterói bombardeados
- 48 horasprazo dado pelo governo aos rebeldes, até 13/3/1894
- 77fotografias de Juan Gutierrez no Museu Histórico Nacional
O que havia antes
Em 3 de novembro de 1891, o presidente Deodoro da Fonseca dissolveu o Congresso. Unidades da Marinha se levantaram sob o almirante Custódio José de Melo e ameaçaram bombardear o Rio. “Para evitar uma guerra civil, em 23 de novembro Deodoro renunciou”, resume o Atlas Histórico do CPDOC. O vice Floriano Peixoto assumiu.
Floriano não convocou nova eleição. O art. 42 da Constituição mandava eleger novo presidente se a vaga se abrisse antes de dois anos de mandato. Floriano sustentou que a regra só valia para presidentes eleitos pelo voto direto, e não para a primeira eleição, feita pelo Congresso. Em 1892, treze generais publicaram um manifesto pedindo eleições; foram presos, e alguns mandados para Tabatinga, no Amazonas.
Custódio de Melo tinha sido ministro da Marinha e da Guerra de Floriano. Segundo a historiografia resumida numa dissertação da PUC-Rio, pesavam também a preterição de seu nome para a sucessão e a rivalidade entre Marinha e Exército. Desde fevereiro de 1893, o Rio Grande do Sul vivia a Revolução Federalista.

Oscar Pereira da Silva, retrato do marechal Floriano PeixotoOscar Pereira da Silva · Wikimedia Commons (origem: Museu Paulista da USP) · domínio público
O que aconteceu
Em 6 de setembro de 1893, oficiais da Marinha retomaram a revolta na baía de Guanabara, com Custódio de Melo à frente e o almirante Eduardo Wandenkolk, senador pelo Distrito Federal. Reivindicavam nova eleição presidencial, segundo a cronologia do Arquivo Nacional. A esquadra rebelde reunia 16 navios da Marinha e 14 embarcações civis confiscadas.
Em 13 de setembro começou o bombardeio dos fortes do Exército no litoral do Rio. Os sete fortes de Niterói também foram atingidos, e a capital fluminense mudou-se para Petrópolis, onde ficou até 1903. O Rio viveu meses sob estado de sítio, prorrogado pelo Congresso. Alfândegas e trapiches viraram postos de combate, e balas caíam nas zonas do litoral.
O almirante Luís Filipe de Saldanha da Gama, diretor da Escola Naval, aderiu ao movimento com um manifesto em que defendia a volta da monarquia. A adesão reforçou o medo de restauração. Floriano recebeu apoio do Exército, da Guarda Nacional, de batalhões de voluntários chamados “jacobinos” e do governo paulista. Comprou às pressas navios no exterior, a chamada “frota de papel”.
Sem conseguir tomar a capital, parte da esquadra rebelde seguiu para o sul. Chegou a Desterro, capital de Santa Catarina, mas a aliança com os federalistas gaúchos fracassou. No Rio, o governo fixou um prazo de 48 horas, que vencia ao meio-dia de 13 de março de 1894. Saldanha da Gama e seus homens pediram asilo às corvetas portuguesas Mindello e Affonso de Albuquerque.
“Sem apoio popular ou do Exército, o movimento foi sufocado pelo presidente Floriano Peixoto, a quem pretendia depor.”
O que veio depois
“Sem apoio popular ou do Exército, o movimento foi sufocado pelo presidente Floriano Peixoto, a quem pretendia depor”, diz o verbete do Atlas. Uma das corvetas portuguesas, em vez de levar os asilados a Portugal, foi ao Rio da Prata, e muitos se juntaram aos federalistas no sul. Por causa da fuga, o Brasil rompeu relações com Portugal em maio de 1894. Elas foram retomadas em 16 de março de 1895.
Floriano governou até 15 de novembro de 1894 e passou o cargo a Prudente de Morais, primeiro civil eleito pelo voto direto. O último combate da Revolução Federalista foi em 24 de junho de 1895, e um decreto de 21 de outubro daquele ano anistiou os participantes dos movimentos. O apelido de Floriano, “Marechal de Ferro”, vem desse período.
O fotógrafo espanhol Juan Gutierrez documentou os estragos. Suas 77 imagens dos fortes do Rio e de Niterói estão no Museu Histórico Nacional.

Henri Bernard, panorama da baía do Rio por ocasião da Revolta da Armada (1893)Henri bernard, 1893 · Wikimedia Commons · domínio público

A Fortaleza da Laje depois da Revolta da ArmadaNúcleo de digitalização / IMS · Wikimedia Commons (origem: Instituto Moreira Salles) · domínio público
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Referências
FGV CPDOC, Atlas Histórico do Brasil, verbete “Revolta da Armada”
Documentos oficiais
- Cronologia da Primeira República (1889 a 1930) · Arquivo Nacional (MAPA)
- Os presidentes e a República: Deodoro da Fonseca a Luiz Inácio Lula da Silva (6ª ed., 2026) · Arquivo Nacional
- Constituição de 1891 (art. 42 e disposições transitórias) · Presidência da República
Para ler mais
- Revolta da Armada (verbete de Beatriz Coelho Silva) · FGV CPDOC, Atlas Histórico do Brasil
- A Primeira República · Câmara dos Deputados
- Contextualização histórica: quem eram os jacobinos (dissertação de mestrado, cap. 1) · PUC-Rio, Maxwell (2007)
- Peçanha, Nilo (verbete; a transferência da capital fluminense a Petrópolis) · FGV CPDOC, Dicionário da Primeira República
Toda mensagem é conferida na fonte oficial antes de mudar a página. Como corrigimos
