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República

República / marcos / a primeira república

A Primeira República (1889–1930) · política e instituições

A Revolta da Armada

6 de setembro de 1893 · governo de Floriano Peixoto

Eduardo de Martino, a baía e a cidade do Rio durante o primeiro bombardeio da esquadra rebelde de Custódio de Melo (The Graphic, 14/10/1893)Eduardo de Martino · Wikimedia Commons · domínio público

Em 6 de setembro de 1893, oficiais da Marinha liderados pelo almirante Custódio de Melo se rebelaram na baía de Guanabara contra o governo de Floriano Peixoto. Bombardearam fortes do Rio e de Niterói, mas não tiveram apoio do Exército nem da população. A revolta acabou em março de 1894, com os chefes asilados em navios portugueses.

O que havia antes

Em 3 de novembro de 1891, o presidente Deodoro da Fonseca dissolveu o Congresso. Unidades da Marinha se levantaram sob o almirante Custódio José de Melo e ameaçaram bombardear o Rio. “Para evitar uma guerra civil, em 23 de novembro Deodoro renunciou”, resume o Atlas Histórico do CPDOC. O vice Floriano Peixoto assumiu.

Floriano não convocou nova eleição. O art. 42 da Constituição mandava eleger novo presidente se a vaga se abrisse antes de dois anos de mandato. Floriano sustentou que a regra só valia para presidentes eleitos pelo voto direto, e não para a primeira eleição, feita pelo Congresso. Em 1892, treze generais publicaram um manifesto pedindo eleições; foram presos, e alguns mandados para Tabatinga, no Amazonas.

Custódio de Melo tinha sido ministro da Marinha e da Guerra de Floriano. Segundo a historiografia resumida numa dissertação da PUC-Rio, pesavam também a preterição de seu nome para a sucessão e a rivalidade entre Marinha e Exército. Desde fevereiro de 1893, o Rio Grande do Sul vivia a Revolução Federalista.

Oscar Pereira da Silva, retrato do marechal Floriano Peixoto

Oscar Pereira da Silva, retrato do marechal Floriano PeixotoOscar Pereira da Silva · Wikimedia Commons (origem: Museu Paulista da USP) · domínio público

O que aconteceu

Em 6 de setembro de 1893, oficiais da Marinha retomaram a revolta na baía de Guanabara, com Custódio de Melo à frente e o almirante Eduardo Wandenkolk, senador pelo Distrito Federal. Reivindicavam nova eleição presidencial, segundo a cronologia do Arquivo Nacional. A esquadra rebelde reunia 16 navios da Marinha e 14 embarcações civis confiscadas.

Em 13 de setembro começou o bombardeio dos fortes do Exército no litoral do Rio. Os sete fortes de Niterói também foram atingidos, e a capital fluminense mudou-se para Petrópolis, onde ficou até 1903. O Rio viveu meses sob estado de sítio, prorrogado pelo Congresso. Alfândegas e trapiches viraram postos de combate, e balas caíam nas zonas do litoral.

O almirante Luís Filipe de Saldanha da Gama, diretor da Escola Naval, aderiu ao movimento com um manifesto em que defendia a volta da monarquia. A adesão reforçou o medo de restauração. Floriano recebeu apoio do Exército, da Guarda Nacional, de batalhões de voluntários chamados “jacobinos” e do governo paulista. Comprou às pressas navios no exterior, a chamada “frota de papel”.

Sem conseguir tomar a capital, parte da esquadra rebelde seguiu para o sul. Chegou a Desterro, capital de Santa Catarina, mas a aliança com os federalistas gaúchos fracassou. No Rio, o governo fixou um prazo de 48 horas, que vencia ao meio-dia de 13 de março de 1894. Saldanha da Gama e seus homens pediram asilo às corvetas portuguesas Mindello e Affonso de Albuquerque.

“Sem apoio popular ou do Exército, o movimento foi sufocado pelo presidente Floriano Peixoto, a quem pretendia depor.”

Beatriz Coelho SilvaVerbete “Revolta da Armada”, Atlas Histórico do Brasil (FGV CPDOC)a fonte

O que veio depois

“Sem apoio popular ou do Exército, o movimento foi sufocado pelo presidente Floriano Peixoto, a quem pretendia depor”, diz o verbete do Atlas. Uma das corvetas portuguesas, em vez de levar os asilados a Portugal, foi ao Rio da Prata, e muitos se juntaram aos federalistas no sul. Por causa da fuga, o Brasil rompeu relações com Portugal em maio de 1894. Elas foram retomadas em 16 de março de 1895.

Floriano governou até 15 de novembro de 1894 e passou o cargo a Prudente de Morais, primeiro civil eleito pelo voto direto. O último combate da Revolução Federalista foi em 24 de junho de 1895, e um decreto de 21 de outubro daquele ano anistiou os participantes dos movimentos. O apelido de Floriano, “Marechal de Ferro”, vem desse período.

O fotógrafo espanhol Juan Gutierrez documentou os estragos. Suas 77 imagens dos fortes do Rio e de Niterói estão no Museu Histórico Nacional.

Henri Bernard, panorama da baía do Rio por ocasião da Revolta da Armada (1893)

Henri Bernard, panorama da baía do Rio por ocasião da Revolta da Armada (1893)Henri bernard, 1893 · Wikimedia Commons · domínio público

A Fortaleza da Laje depois da Revolta da Armada

A Fortaleza da Laje depois da Revolta da ArmadaNúcleo de digitalização / IMS · Wikimedia Commons (origem: Instituto Moreira Salles) · domínio público

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Referências

FGV CPDOC, Atlas Histórico do Brasil, verbete “Revolta da Armada”

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