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O rompimento da barragem de Mariana

5 de novembro de 2015 · governo de Dilma Rousseff

Bento Rodrigues, distrito de Mariana, coberto pela lama da barragem de Fundão (novembro de 2015)Rogério Alves/TV Senado, 2015 · Agência Senado (Flickr do Senado Federal) · CC BY 2.0

Em 5 de novembro de 2015, a barragem de Fundão, da mineradora Samarco, rompeu em Mariana (MG). Morreram 19 pessoas, e cerca de 39 milhões de metros cúbicos de rejeitos desceram pela bacia do rio Doce até o Espírito Santo. A reparação foi refeita num acordo de R$ 170 bilhões em 2024; na esfera penal, a segunda instância condenou em 2026 a Samarco e três ex-gerentes.

O que havia antes

A Samarco era controlada pela Vale e pela anglo-australiana BHP Billiton. Fundão guardava rejeitos da mineração de ferro e era alteada à medida que recebia mais material.

Segundo o relatório entregue pelo Ministério Público de Minas Gerais em junho de 2016, em 2013, na elevação de cerca de 864 metros, o eixo da barragem foi recuado para permitir reparos numa galeria com vazamentos. Os alteamentos continuaram nessa região. O relatório, feito pelas empresas Geomecânica e Norwegian Geotechnical Institute, diz que “a barragem continuou a ser alteada ao longo do recuo até novembro de 2015”.

Bento Rodrigues depois do rompimento da barragem de Fundão (novembro de 2015)

Bento Rodrigues depois do rompimento da barragem de Fundão (novembro de 2015)Rogério Alves/TV Senado, 2015 · Agência Senado (Flickr do Senado Federal) · CC BY 2.0

O que aconteceu

Em 5 de novembro de 2015, Fundão rompeu. Segundo a Agência Brasil, a lama arrasou os distritos de Bento Rodrigues e Paracatu, em Mariana, matou 19 pessoas e deixou mais de 600 desabrigados. Os rejeitos, cerca de 39 milhões de metros cúbicos, escoaram pela bacia do rio Doce e atingiram dezenas de municípios até a foz, no Espírito Santo.

O relatório do Ministério Público estadual apontou que “a ruptura da barragem teve início no chamado recuo, na região próxima à ombreira esquerda”. Descartou terremoto e vibrações de explosivos ou de equipamentos como causas. A Samarco disse não ter tido acesso ao documento.

Em outubro de 2016, o Ministério Público Federal denunciou 21 pessoas ligadas à Samarco e às acionistas por homicídio qualificado e crimes ambientais. Um 22º réu, engenheiro da VogBR, respondia por laudo enganoso. Samarco, Vale, BHP Billiton e VogBR também eram rés.

“O valor pactuado é significativo e faz deste um dos maiores acordos ambientais da história, possivelmente o maior”

Luís Roberto Barrosohomologação do acordo, segundo o STF, 06/11/2024a fonte

O que veio depois

Em 2019, uma decisão trancou a ação penal pelo crime de homicídio: prevaleceu a tese de que as mortes foram consequência do crime de inundação. Em 14 de novembro de 2024, a juíza federal Patrícia Alencar Teixeira de Carvalho absolveu os sete réus que restavam e as quatro empresas, por “ausência de provas suficientes para estabelecer a responsabilidade criminal”.

O MPF recorreu. A 2ª Turma do TRF6, por unanimidade, condenou a Samarco e três ex-gerentes por provocar inundação com resultado morte e por crimes ambientais; o MPF noticiou a decisão em 4 de setembro de 2026. As penas vão de 7 anos e 3 meses a 8 anos e 9 meses. Foram mantidas as absolvições de Vale, BHP Billiton Brasil, VogBR, do ex-presidente Ricardo Vescovi e de mais dois réus.

Na reparação, um novo acordo foi assinado em 25 de outubro de 2024 e homologado pelo STF em 6 de novembro: R$ 170 bilhões, dos quais R$ 100 bilhões para União, estados e municípios que aderissem, e R$ 32 bilhões para ações a cargo da Samarco. Em Londres, 31 municípios e 620 mil pessoas processam a BHP, acionista da Samarco.

Missa pelos cinco anos do rompimento, em Mariana (05/11/2020)

Missa pelos cinco anos do rompimento, em Mariana (05/11/2020)Slamoreira, 2020 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Na República

Referências

Agência Brasil (2016)

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