Bento Rodrigues, distrito de Mariana, coberto pela lama da barragem de Fundão (novembro de 2015)Rogério Alves/TV Senado, 2015 · Agência Senado (Flickr do Senado Federal) · CC BY 2.0
Em 5 de novembro de 2015, a barragem de Fundão, da mineradora Samarco, rompeu em Mariana (MG). Morreram 19 pessoas, e cerca de 39 milhões de metros cúbicos de rejeitos desceram pela bacia do rio Doce até o Espírito Santo. A reparação foi refeita num acordo de R$ 170 bilhões em 2024; na esfera penal, a segunda instância condenou em 2026 a Samarco e três ex-gerentes.
- 19mortos
- 39 milhões de m³de rejeitos, segundo a Agência Brasil (outra matéria fala em cerca de 40 milhões)
- 600desabrigados, no mínimo
- R$ 170 bivalor do acordo de reparação homologado em 2024
- 620 milpessoas na ação contra a BHP em Londres
O que havia antes
A Samarco era controlada pela Vale e pela anglo-australiana BHP Billiton. Fundão guardava rejeitos da mineração de ferro e era alteada à medida que recebia mais material.
Segundo o relatório entregue pelo Ministério Público de Minas Gerais em junho de 2016, em 2013, na elevação de cerca de 864 metros, o eixo da barragem foi recuado para permitir reparos numa galeria com vazamentos. Os alteamentos continuaram nessa região. O relatório, feito pelas empresas Geomecânica e Norwegian Geotechnical Institute, diz que “a barragem continuou a ser alteada ao longo do recuo até novembro de 2015”.

Bento Rodrigues depois do rompimento da barragem de Fundão (novembro de 2015)Rogério Alves/TV Senado, 2015 · Agência Senado (Flickr do Senado Federal) · CC BY 2.0
O que aconteceu
Em 5 de novembro de 2015, Fundão rompeu. Segundo a Agência Brasil, a lama arrasou os distritos de Bento Rodrigues e Paracatu, em Mariana, matou 19 pessoas e deixou mais de 600 desabrigados. Os rejeitos, cerca de 39 milhões de metros cúbicos, escoaram pela bacia do rio Doce e atingiram dezenas de municípios até a foz, no Espírito Santo.
O relatório do Ministério Público estadual apontou que “a ruptura da barragem teve início no chamado recuo, na região próxima à ombreira esquerda”. Descartou terremoto e vibrações de explosivos ou de equipamentos como causas. A Samarco disse não ter tido acesso ao documento.
Em outubro de 2016, o Ministério Público Federal denunciou 21 pessoas ligadas à Samarco e às acionistas por homicídio qualificado e crimes ambientais. Um 22º réu, engenheiro da VogBR, respondia por laudo enganoso. Samarco, Vale, BHP Billiton e VogBR também eram rés.
“O valor pactuado é significativo e faz deste um dos maiores acordos ambientais da história, possivelmente o maior”
O que veio depois
Em 2019, uma decisão trancou a ação penal pelo crime de homicídio: prevaleceu a tese de que as mortes foram consequência do crime de inundação. Em 14 de novembro de 2024, a juíza federal Patrícia Alencar Teixeira de Carvalho absolveu os sete réus que restavam e as quatro empresas, por “ausência de provas suficientes para estabelecer a responsabilidade criminal”.
O MPF recorreu. A 2ª Turma do TRF6, por unanimidade, condenou a Samarco e três ex-gerentes por provocar inundação com resultado morte e por crimes ambientais; o MPF noticiou a decisão em 4 de setembro de 2026. As penas vão de 7 anos e 3 meses a 8 anos e 9 meses. Foram mantidas as absolvições de Vale, BHP Billiton Brasil, VogBR, do ex-presidente Ricardo Vescovi e de mais dois réus.
Na reparação, um novo acordo foi assinado em 25 de outubro de 2024 e homologado pelo STF em 6 de novembro: R$ 170 bilhões, dos quais R$ 100 bilhões para União, estados e municípios que aderissem, e R$ 32 bilhões para ações a cargo da Samarco. Em Londres, 31 municípios e 620 mil pessoas processam a BHP, acionista da Samarco.

Missa pelos cinco anos do rompimento, em Mariana (05/11/2020)Slamoreira, 2020 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Na República
Referências
Documentos oficiais
- TRF6 condena Samarco e três ex-gerentes por rompimento de barragem em Mariana (MG) · Ministério Público Federal
- STF referenda acordo para reparação de danos causados pela tragédia em Mariana (MG) · Supremo Tribunal Federal
Para ler mais
- Tragédia em Mariana foi causada por obras em barragem da Samarco, diz MP · Agência Brasil
- Caso Samarco: após 9 anos, TRF-6 absolve todos os réus da ação penal · Agência Brasil
- Vítimas de Mariana negociam reparação; acordo soma R$ 170 bilhões · Radioagência Nacional
Toda mensagem é conferida na fonte oficial antes de mudar a página. Como corrigimos
