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República

República / marcos / a primeira república

A Primeira República (1889–1930) · cultura

A Semana de Arte Moderna

13 de fevereiro de 1922 · governo de Epitácio Pessoa

O Theatro Municipal de São Paulo, onde a Semana se realizou de 13 a 17 de fevereiro de 1922 (foto de 2014)Wilfredor, 2014 · Wikimedia Commons · CC0 — Creative Commons Zero, Public Domain Dedication

Em fevereiro de 1922, o Theatro Municipal de São Paulo abrigou a Semana de Arte Moderna, com exposição no saguão e três festivais de música, poesia e conferências. O público vaiou boa parte das apresentações. A Semana se tornou o marco do modernismo brasileiro, que, como lembram os historiadores, se escreve no plural.

O que havia antes

Em 1917, a exposição de Anita Malfatti, influenciada pelo expressionismo, foi atacada por Monteiro Lobato e reuniu em sua defesa um grupo de jovens: Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia e Tarsila do Amaral. Mário escreveu “Pauliceia desvairada” em 1920. O ano de 1922 era o do Centenário da Independência.

A ideia da Semana teria partido do pintor Di Cavalcanti, segundo a Biblioteca Brasiliana Mindlin, da USP. O escritor e diplomata Graça Aranha a acolheu e obteve o apoio de cafeicultores paulistas, como Paulo Prado, que Mário chamou de “fautor verdadeiro da Semana de Arte Moderna”.

Mário de Andrade e Anita Malfatti (sentados) com Zina Aita, em São Paulo, 1922

Mário de Andrade e Anita Malfatti (sentados) com Zina Aita, em São Paulo, 1922Autor não identificado, 1922 · Wikimedia Commons (Prefeitura de São Paulo) · domínio público

O que aconteceu

Nas noites de 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, segunda, quarta e sexta-feira, o Theatro Municipal recebeu os festivais. Graça Aranha abriu com a conferência “A emoção estética na arte moderna”. No saguão, havia quadros de Anita Malfatti, como “A mulher de cabelos verdes”, e obras de Di Cavalcanti, Vicente do Rego Monteiro e Victor Brecheret.

Grande parte do público respondeu com vaias, assobios, pateadas, latidos e cacarejos. Oswald de Andrade mal conseguiu ler um trecho de “Os condenados”. “Os sapos”, de Manuel Bandeira, foi lido no segundo dia, sem o autor, que estava doente de tuberculose. Mário fez uma conferência na escadaria, “cercado de anônimos que [lhe] caçoavam e ofendiam a valer”. Composições de Heitor Villa-Lobos foram executadas no palco.

A imprensa ecoou a aversão. Um crítico de “A Gazeta” chamou as obras de “ceroplastia caricata de pinceladas a esmo”. Menotti Del Picchia, Mário e Oswald responderam em artigos.

“O Modernismo no Brasil foi uma ruptura, foi um abandono de princípios e de técnicas consequentes, foi uma revolta contra o que era a inteligência nacional”

Mário de AndradeConferência de 1942, citada pelo Jornal da USP, 1942a fonte

O que veio depois

Os modernistas logo romperam com Graça Aranha. Vieram o “Manifesto da Poesia Pau-Brasil” (1924), o “Manifesto antropófago” (1928) e “Macunaíma” (1928). Vinte anos depois, numa conferência de 1942, Mário definiu o movimento como “uma ruptura, foi um abandono de princípios e de técnicas consequentes, foi uma revolta contra o que era a inteligência nacional”.

Para Schwarcz e Starling, a Semana é o marco, não o todo: “modernismo se escreve no plural com ‘s’” (2015, cap. 13), com o Rio dos cafés e da casa de tia Ciata ao lado de São Paulo. No centenário, em 2022, o Senado aprovou uma sessão especial e a USP e o IEB fizeram exposições e programas.

Mário de Andrade (à esquerda) com Olívia Guedes Penteado e outros, 1927

Mário de Andrade (à esquerda) com Olívia Guedes Penteado e outros, 1927(family photo), 1927 · Wikimedia Commons · domínio público

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Referências

Jornal da USP

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