Caetano Veloso canta “Alegria, alegria” com os Beat Boys no III Festival da Música Popular Brasileira, 21 de outubro de 1967, o ensaio público do tropicalismoautor desconhecido, 1967 · Wikimedia Commons (origem: Arquivo Nacional) · domínio público
Em 1968 saiu o disco coletivo “Tropicália ou Panis et Circencis”, com Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Tom Zé, os Mutantes, Nara Leão e arranjos de Rogério Duprat. Gravado em maio em São Paulo, pela Philips, tornou-se o disco-manifesto do tropicalismo. Cinco meses depois de seu lançamento vieram o AI-5 e a prisão de Caetano e Gil.
- 12faixas inéditas
- maio de 1968gravação, em São Paulo
- 5 mesesdo lançamento à prisão de Caetano e Gil
- 1969–1972exílio de Caetano e Gil em Londres
O que havia antes
Em 21 de outubro de 1967, na final do III Festival da Record, Caetano Veloso apresentou “Alegria, Alegria” e Gilberto Gil, “Domingo no Parque”, esta com os Mutantes e arranjo de Rogério Duprat. Segundo a Agência Brasil, as duas canções abriram as experiências que viriam a se chamar tropicalismo.
A palavra apareceu na imprensa em 5 de fevereiro de 1968, na coluna “A Cruzada Tropicalista”, de Nelson Motta, no Última Hora, segundo a EBC. No início de 1968, Caetano e Gil lançaram discos pela Philips, com produção de Manoel Barenbein. A canção “Tropicália”, de Caetano, recebeu o nome por sugestão de Luís Carlos Barreto.
Caetano conta, em Verdade tropical (1997), que conheceu Augusto de Campos e os poetas concretos depois do primeiro disco tropicalista, e que a leitura de Oswald de Andrade veio com a montagem de O rei da vela pelo Teatro Oficina, em 1967 (Veloso, 1997, caps. «A poesia concreta» e «Antropofagia»).

Gilberto Gil no palco, fim dos anos 1960autor desconhecido, 1960 · Wikimedia Commons (origem: Arquivo Nacional) · domínio público
O que aconteceu
O disco foi gravado em São Paulo em maio de 1968, segundo a EBC. Tem 12 faixas inéditas de Gil, Caetano, Torquato Neto, Capinan e Tom Zé. Os arranjos são de Duprat. A capa, fotografada por Olivier Perroy, mostra o grupo diante de um vitral; Nara Leão e Capinan aparecem em retratos nas mãos de Caetano e Gil.
A contracapa traz um roteiro de cinema escrito por Caetano com Torquato, em que os próprios tropicalistas são personagens. A grafia do título varia: a reedição mais recente usa “circencis” na capa e “circenses” e “circences” na contracapa, segundo a Rolling Stone Brasil.
Para o pesquisador Omar Jubran, no Jornal da USP, o disco foi lançado em 7 de agosto de 1968. Há registro fotográfico de um evento de lançamento com Gil, Caetano, Gal, Nara, Rita Lee e Arnaldo Baptista.
“No dia 7 de agosto de 1968, era lançado no mercado o álbum Tropicália ou Panis Et Circencis.”
O que veio depois
Na segunda metade de 1968, os tropicalistas tiveram na TV Tupi o programa Divino Maravilhoso. A última edição foi ao ar em 23 de dezembro, dez dias depois do AI-5, segundo a EBC.
Em 27 de dezembro de 1968, Caetano e Gil foram presos em São Paulo por ordem do I Exército e levados ao Rio. No prontuário de Caetano consta “subversão e incitamento à desordem”, segundo o Arquivo Nacional. Em fevereiro de 1969 passaram à prisão domiciliar; em julho, foram para o exílio em Londres, onde ficaram até janeiro de 1972.

Os Mutantes (Arnaldo Baptista, Rita Lee e Sérgio Dias) no palco, agosto de 1969autor desconhecido, 1969 · Wikimedia Commons (origem: Arquivo Nacional) · domínio público

Gal Costa, maio de 1969autor desconhecido, 1969 · Wikimedia Commons (origem: Arquivo Nacional) · domínio público
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Referências
Jornal da USP, Olhar Brasileiro #113
Documentos oficiais
- Prisão de Caetano e Gil · Arquivo Nacional, Memórias Reveladas
- Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 1968 · Presidência da República
Para ler mais
Imagens e acervo
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