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República / marcos / a república de 1946

A República de 1946 (1945–1964) · cultura

“Quarto de despejo”

19 de agosto de 1960 · governo de Juscelino Kubitschek

Carolina Maria de Jesus (à esquerda), sorridente, no ano do lançamento de “Quarto de despejo”, 1960Autor não identificado, 1960 · Arquivo Nacional, fundo Correio da Manhã (via Wikimedia Commons) · domínio público

Em 19 de agosto de 1960, Carolina Maria de Jesus, catadora de papel da favela do Canindé, em São Paulo, lançou pela Francisco Alves Quarto de despejo, o diário que manteve de 1955 a 1960, editado pelo repórter Audálio Dantas. O livro foi sucesso de vendas e foi traduzido para mais de uma dezena de línguas.

O que havia antes

Carolina Maria de Jesus nasceu em 1914, em Sacramento, Minas Gerais, e vivia com os três filhos num barraco do Canindé, na zona norte de São Paulo. Escrevia em cadernos achados no lixo. O repórter Audálio Dantas conheceu o diário na favela; a reportagem “Retrato da favela no Diário da Carolina” saiu em O Cruzeiro em 10 de junho de 1959, e o diário registra o episódio (Jesus, 1960).

Ela escrevia para ser lida. No diário, anotou: “Quem vai ler isto é o senhor Audálio Dantas, que vai publicá-lo”. Dantas cortou e selecionou trechos de “uns vinte cadernos encardidos”, como ele mesmo diz na apresentação, e levou o livro à Francisco Alves (Jesus, 1960).

Carolina Maria de Jesus assina exemplares de “Quarto de despejo”, 1960

Carolina Maria de Jesus assina exemplares de “Quarto de despejo”, 1960Arquivo Nacional, 1960 · Arquivo Nacional (via Wikimedia Commons) · domínio público

O que aconteceu

O lançamento foi em 19 de agosto de 1960, na Livraria Francisco Alves, em São Paulo. Carolina registrou o dia num caderno, publicado pelo IMS: foi de ônibus, autografou de manhã, voltou à favela para buscar os filhos e, à tarde, encontrou a livraria cheia. Autografou um exemplar para o político Adhemar de Barros.

O livro reúne entradas de julho de 1955 e de maio de 1958 a 1º de janeiro de 1960. A favela aparece como o lugar onde a cidade joga o que descarta, e a fome como critério para julgar quem governa (Jesus, 1960). O título vem da imagem que ela usa: a favela é o quarto de despejo de São Paulo.

“Eu era o alvo dos olhares.”

Carolina Maria de JesusManuscrito do dia 19 de agosto de 1960, publicado pelo Instituto Moreira Salles, 19/08/1960a fonte

O que veio depois

Em julho de 1960, antes do lançamento, Dantas já previa segunda edição de 10 mil e terceira de 30 mil exemplares, segundo o diário seguinte de Carolina, Casa de alvenaria, citado na tese de Elzira Perpétua. A Câmara Municipal de São Paulo fala em 70 mil exemplares vendidos e em 13 idiomas; Perpétua, em traduções para 14 idiomas.

Depois da repercussão, Carolina deixou a favela, mas caiu no esquecimento e voltou a catar papel, segundo a Câmara Municipal. Morreu em 1977. Os cadernos estão em parte no Arquivo Público Municipal de Sacramento e em parte no Instituto Moreira Salles, que em 2021 preparou a exposição Um Brasil para os brasileiros.

Carolina Maria de Jesus autografa “Quarto de despejo”, 30 de agosto de 1960

Carolina Maria de Jesus autografa “Quarto de despejo”, 30 de agosto de 1960Autor não identificado, 1960 · Arquivo Nacional, fundo Correio da Manhã (via Wikimedia Commons) · domínio público

Carolina Maria de Jesus diante de um avião da Air France

Carolina Maria de Jesus diante de um avião da Air FranceAutor não identificado · Arquivo Nacional, fundo Correio da Manhã (via Wikimedia Commons) · domínio público

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Referências

Instituto Moreira Salles

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