Glauber Rocha dirige “Deus e o diabo na terra do sol”, junho de 1963Autor não identificado, 1963 · Wikimedia Commons · domínio público
Em maio de 1964, semanas depois do golpe, “Deus e o diabo na terra do sol”, de Glauber Rocha, concorreu à Palma de Ouro no Festival de Cannes. O filme projetou o Cinema Novo no exterior. Em 2022, a cópia restaurada voltou a Cannes.
- 120 minduração (festival); 118 min no registro da Cinemateca
- 1964ano em que concorreu à Palma de Ouro
- 30cópias no certificado de censura de 16/7/1964
- 4Krestauração exibida em Cannes em 2022
O que havia antes
Glauber Rocha começou como crítico de cinema na Bahia, ainda adolescente. Em 1961, terminou Barravento, montado com Nelson Pereira dos Santos. Em 1962, o Cinema Novo se firmou no Rio com Cinco vezes favela, que reuniu curtas de Leon Hirszman, Joaquim Pedro de Andrade, Cacá Diegues, Miguel Borges e Marcos Farias, segundo a cronologia do festival.
“Deus e o diabo na terra do sol” foi filmado de 18 de junho a 2 de setembro de 1963, com cenas em Monte Santo, na Bahia, segundo a Cinemateca Brasileira. Conta a fuga do vaqueiro Manuel e de Rosa, que se juntam ao beato Sebastião e ao cangaceiro Corisco, perseguidos por Antônio das Mortes. Glauber disse que o episódio de Corisco saiu de romances populares e de canções (Rocha, 1981).

Glauber Rocha, sem dataAutor não identificado · Arquivo Nacional, fundo Correio da Manhã (via Wikimedia Commons) · domínio público
O que aconteceu
O filme teve uma exibição especial no Rio em 13 de março de 1964 e certificados de censura em abril e julho, segundo a Cinemateca. Em maio, concorreu à Palma de Ouro em Cannes, registra o festival. A Cinemateca Brasileira afirmou, em 2022, que Cannes foi o primeiro lugar onde o filme foi mostrado ao público.
A cronologia do festival junta os dois fatos do ano: o filme compete em Cannes e, no Brasil, um golpe instala a ditadura militar. Glauber vai para a Europa. O filme estreou no Rio em 1º de junho de 1964, depois de pré-lançamento em São Paulo em 28 de maio, segundo a Cinemateca.
O que veio depois
O filme ganhou em 1964 o Náiade de Ouro em Porretta Terme, na Itália. Em janeiro de 1965, em Gênova, Glauber apresentou o manifesto “Estética da fome”, que formula as bases do Cinema Novo. Terra em transe passou em Cannes em 1967 e foi proibido no Brasil; O dragão da maldade contra o santo guerreiro deu a Glauber o prêmio de direção em Cannes em 1969.
Em 1971, Glauber disse que a “Estética da Fome” era a medida de sua compreensão da pobreza em 1965 (Rocha, 1981). Morreu em 22 de agosto de 1981. Em 2022, a restauração em 4K de “Deus e o diabo”, financiada pela produtora de Lino Meireles e por Paloma Rocha, filha do diretor, com a Cinemateca Brasileira, foi selecionada para o Cannes Classics.
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Referências
Cinemateca Brasileira, Filmografia
Dados
- Deus e o diabo na terra do sol (ficha do filme) · Festival de Cannes
- Deus e o diabo na terra do sol (Filmografia Brasileira, ID 002154) · Cinemateca Brasileira
Para ler mais
- Black God, White Devil: press kit da restauração 4K (Cannes Classics 2022) · Festival de Cannes
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