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República

República / marcos / a ditadura militar

A ditadura militar (1964–1985) · cultura

O Cinema Novo em Cannes

1964 · governo de Castelo Branco

Glauber Rocha dirige “Deus e o diabo na terra do sol”, junho de 1963Autor não identificado, 1963 · Wikimedia Commons · domínio público

Em maio de 1964, semanas depois do golpe, “Deus e o diabo na terra do sol”, de Glauber Rocha, concorreu à Palma de Ouro no Festival de Cannes. O filme projetou o Cinema Novo no exterior. Em 2022, a cópia restaurada voltou a Cannes.

O que havia antes

Glauber Rocha começou como crítico de cinema na Bahia, ainda adolescente. Em 1961, terminou Barravento, montado com Nelson Pereira dos Santos. Em 1962, o Cinema Novo se firmou no Rio com Cinco vezes favela, que reuniu curtas de Leon Hirszman, Joaquim Pedro de Andrade, Cacá Diegues, Miguel Borges e Marcos Farias, segundo a cronologia do festival.

“Deus e o diabo na terra do sol” foi filmado de 18 de junho a 2 de setembro de 1963, com cenas em Monte Santo, na Bahia, segundo a Cinemateca Brasileira. Conta a fuga do vaqueiro Manuel e de Rosa, que se juntam ao beato Sebastião e ao cangaceiro Corisco, perseguidos por Antônio das Mortes. Glauber disse que o episódio de Corisco saiu de romances populares e de canções (Rocha, 1981).

Glauber Rocha, sem data

Glauber Rocha, sem dataAutor não identificado · Arquivo Nacional, fundo Correio da Manhã (via Wikimedia Commons) · domínio público

O que aconteceu

O filme teve uma exibição especial no Rio em 13 de março de 1964 e certificados de censura em abril e julho, segundo a Cinemateca. Em maio, concorreu à Palma de Ouro em Cannes, registra o festival. A Cinemateca Brasileira afirmou, em 2022, que Cannes foi o primeiro lugar onde o filme foi mostrado ao público.

A cronologia do festival junta os dois fatos do ano: o filme compete em Cannes e, no Brasil, um golpe instala a ditadura militar. Glauber vai para a Europa. O filme estreou no Rio em 1º de junho de 1964, depois de pré-lançamento em São Paulo em 28 de maio, segundo a Cinemateca.

O que veio depois

O filme ganhou em 1964 o Náiade de Ouro em Porretta Terme, na Itália. Em janeiro de 1965, em Gênova, Glauber apresentou o manifesto “Estética da fome”, que formula as bases do Cinema Novo. Terra em transe passou em Cannes em 1967 e foi proibido no Brasil; O dragão da maldade contra o santo guerreiro deu a Glauber o prêmio de direção em Cannes em 1969.

Em 1971, Glauber disse que a “Estética da Fome” era a medida de sua compreensão da pobreza em 1965 (Rocha, 1981). Morreu em 22 de agosto de 1981. Em 2022, a restauração em 4K de “Deus e o diabo”, financiada pela produtora de Lino Meireles e por Paloma Rocha, filha do diretor, com a Cinemateca Brasileira, foi selecionada para o Cannes Classics.

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Referências

Cinemateca Brasileira, Filmografia

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