O general Siseno Sarmento lê o Ato Institucional nº 1 diante da imprensa, 9 de abril de 1964Desconhecido (fundo Correio da Manhã, Arquivo Nacional), 1964 · Arquivo Nacional, fundo Correio da Manhã (via Wikimedia Commons) · domínio público
Em 9 de abril de 1964, os três comandantes militares editaram o Ato Institucional, depois chamado AI-1. O ato manteve a Constituição de 1946 com modificações, mandou o Congresso eleger o presidente em dois dias e permitiu suspender direitos políticos por dez anos e cassar mandatos sem apreciação judicial.
- 2 diaspara o Congresso eleger o presidente
- 30 diaspara o Congresso votar projetos do presidente
- 6 mesesde suspensão da estabilidade
- 10 anosde suspensão de direitos políticos
- 40parlamentares na primeira lista de cassações (Câmara)
- cerca de 4.700direitos políticos cassados e suspensos no regime (Câmara)
O que havia antes
Na madrugada de 2 de abril de 1964, o presidente do Senado declarou vaga a Presidência, com João Goulart no Rio Grande do Sul. O presidente da Câmara, Ranieri Mazzilli, assumiu. O poder real ficou com o Comando Supremo da Revolução: o general Arthur da Costa e Silva, o tenente-brigadeiro Francisco de Assis Correia de Mello e o vice-almirante Augusto Rademaker, segundo a Câmara.

O marechal Castelo Branco, eleito presidente pelo Congresso nos termos do AI-1, foto oficial de 1964Governo do Brasil, 1964 · Wikimedia Commons (Governo do Brasil) · domínio público
O que aconteceu
O ato foi editado no Rio de Janeiro em 9 de abril e assinado pelos três. O preâmbulo afirmava que a “revolução vitoriosa” exercia o Poder Constituinte e se legitimava por si mesma. Dizia que o governo deposto “deliberadamente se dispunha a bolchevizar o País”.
O artigo 1º manteve a Constituição de 1946 e as estaduais. O artigo 2º mandou o Congresso eleger presidente e vice em dois dias, por maioria absoluta, em sessão pública e votação nominal, com mandatos até 31 de janeiro de 1966. O artigo 4º considerou aprovados os projetos de lei do presidente que o Congresso não votasse em 30 dias.
O artigo 7º suspendeu por seis meses a vitaliciedade e a estabilidade, permitindo demitir servidores por investigação sumária. O artigo 10 deu aos comandantes o poder de suspender direitos políticos por dez anos e cassar mandatos, “excluída a apreciação judicial desses atos”. O artigo 11 fixou a vigência até 31 de janeiro de 1966.
“Assim, a revolução vitoriosa, como Poder Constituinte, se legitima por si mesma.”
O que veio depois
O Congresso elegeu o marechal Castello Branco, que tomou posse em 15 de abril. Com base no ato, em 10 de abril foram cassados quarenta parlamentares e os ex-presidentes Jânio Quadros e João Goulart, entre outros. Em 8 de junho, o senador Juscelino Kubitschek teve o mandato cassado e os direitos políticos suspensos por dez anos, segundo a Câmara.
O artigo 9º marcou a eleição seguinte para 3 de outubro de 1965. O regime cassou e suspendeu cerca de 4.700 direitos políticos, segundo a Câmara. A Comissão Nacional da Verdade confirmou 434 mortos e desaparecidos.
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Na República
Referências
Presidência da República, AI-1
Documentos oficiais
- Ato Institucional nº 1, de 9 de abril de 1964 · Presidência da República (Planalto)
- Constituição dos Estados Unidos do Brasil, de 18 de setembro de 1946 · Presidência da República (Planalto)
Para ler mais
- A Quarta República (1945-1964) · Câmara dos Deputados
- Congresso anula sessão que afastou Jango e abriu caminho para o Golpe de 1964 (21/11/2013) · Agência Senado
- Renan recebe relatório final da Comissão Nacional da Verdade (10/12/2014) · Rádio Senado
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