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República / marcos / a república de 1946

A República de 1946 (1945–1964) · cultura

A bossa nova

10 de julho de 1958 · governo de Juscelino Kubitschek

Tom Jobim, arranjador de “Chega de saudade”, canta ao microfone, março de 1965Autor não identificado, 1965 · Arquivo Nacional, fundo Correio da Manhã (via Wikimedia Commons) · domínio público

Em 10 de julho de 1958, João Gilberto gravou na Odeon, no Rio, um 78 rotações com “Chega de saudade”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, e “Bim bom”, sua, com arranjo e orquestra de Jobim. A data passou a ser tratada como o nascimento da bossa nova.

O que havia antes

Tom Jobim compôs a melodia de “Chega de saudade” no sítio da família, em Poço Fundo, na serra do Rio, pensando num choro em duas partes, segundo a Agência Senado. Mostrou-a a Vinicius de Moraes, com quem acabara de fazer as músicas da peça Orfeu da Conceição. Vinicius demorou a achar a letra e contou, numa crônica, ter feito “dez, vinte tentativas”.

Em abril de 1958, Elizeth Cardoso gravou a canção no LP Canção do amor demais, só com músicas de Jobim e Vinicius, lançado em maio, segundo a Time Out. João Gilberto tocou violão em duas faixas, entre elas a própria “Chega de saudade”. Para a Agência Senado, porém, não foi esse disco que lançou a bossa nova.

Nara Leão com o violão, dezembro de 1964

Nara Leão com o violão, dezembro de 1964Autor não identificado, 1964 · Arquivo Nacional, fundo Correio da Manhã (via Wikimedia Commons) · domínio público

O que aconteceu

Em 10 de julho de 1958, depois da Copa vencida na Suécia, João Gilberto, de 27 anos, entrou no estúdio da Odeon e gravou o disco de 78 rotações: “Chega de saudade” de um lado e “Bim bom” do outro. Jobim fez os arranjos e regeu a orquestra. O acervo do Instituto Antonio Carlos Jobim registra o 78 rpm da EMI-Odeon, de 1958, com arranjo de Jobim.

O que se ouvia de novo era o jeito de cantar e o violão de João, a “batida diferente”. Para o crítico Ruy Castro, citado pela Agência Senado, “aquele novo jeito de cantar e tocar de João Gilberto ensolarava tudo”. Segundo Zuza Homem de Mello, Jobim achava que “Desafinado”, gravada por João em 10 de novembro de 1958, continha mais os elementos da bossa.

“Aquilo, sim, me parecia uma música realmente nova, original, inteiramente diversa de tudo que viera antes dela”

Vinicius de MoraesCrônica no jornal Última Hora, citada pela Agência Senado, 1968a fonte

O que veio depois

Em janeiro e fevereiro de 1959, João gravou as outras faixas do LP Chega de saudade, da Odeon, considerado o álbum fundador do gênero, que retomou as faixas do 78 rpm, segundo o Uai e a Time Out. Nos Estados Unidos, a bossa nova ganhou público com o álbum Jazz Samba, de Stan Getz e Charlie Byrd, e com discos de Jobim lançados pela Verve.

Em 2009, a Lei nº 11.926 instituiu o 25 de janeiro, aniversário de Jobim, como Dia Nacional da Bossa Nova. Em 2018, a exposição Bossa 60, no Espaço Cultural BNDES, marcou os 60 anos da gravação.

Vinicius de Moraes, autor da letra de “Chega de saudade”, em 1960

Vinicius de Moraes, autor da letra de “Chega de saudade”, em 1960Autor não identificado, 1960 · Arquivo Nacional, fundo Correio da Manhã (via Wikimedia Commons) · domínio público

João Gilberto com Stan Getz em Nova York, 1972

João Gilberto com Stan Getz em Nova York, 1972Autor não identificado, 1972 · Arquivo Nacional, fundo Correio da Manhã (via Wikimedia Commons) · domínio público

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Na República

Referências

Agência Senado (2008)

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