Multidão no Rio de Janeiro no traslado do corpo de Getúlio Vargas para o enterro em São Borja, 26 de agosto de 1954Desconhecido (fundo Correio da Manhã, Arquivo Nacional), 1954 · Arquivo Nacional, fundo Correio da Manhã (via Wikimedia Commons) · domínio público
Na manhã de 24 de agosto de 1954, sob ultimato militar para deixar o cargo, Getúlio Vargas se matou com um tiro no coração, no seu quarto do Palácio do Catete, no Rio. A carta-testamento, lida no rádio, levou multidões às ruas. O vice, Café Filho, assumiu.
- 49%dos votos de Vargas em 1950 (CPDOC)
- 37generais no manifesto contra o presidente (CPDOC)
- 19 diasentre o atentado e o suicídio
- 15 anosno poder até a deposição de 1945
O que havia antes
Vargas voltou à Presidência pelo voto em outubro de 1950, com 3,8 milhões de votos (49%), segundo o CPDOC, e tomou posse em 31 de janeiro de 1951. Em 1953, pôs João Goulart no Ministério do Trabalho, o que alarmou industriais, a classe média e militares. Em fevereiro de 1954, o Memorial dos Coronéis protestou contra o aumento de 100% do salário mínimo proposto por Goulart, que deixou o cargo.
Na madrugada de 5 de agosto de 1954, o jornalista Carlos Lacerda, opositor do governo, sofreu um atentado na rua Tonelero; ele foi ferido no pé, e o major da Aeronáutica Rubens Vaz morreu. Comprovada a participação de homens da guarda pessoal de Vargas, a UDN exigiu a renúncia. Gregório Fortunato e outros foram presos pela Aeronáutica. Um manifesto de 37 generais minou a última sustentação militar.
O que aconteceu
Na madrugada de 24 de agosto, depois de uma reunião ministerial, Vargas aceitou licenciar-se. Por volta das 7h, o Exército mandou o ultimato: o afastamento teria de ser definitivo. Uma hora e meia depois, sozinho no quarto, no Catete, Vargas disparou um tiro na altura do coração, segundo o CPDOC.
Seu genro, Ernani do Amaral Peixoto, achou a carta ao lado da cama. Osvaldo Aranha começou a lê-la para a Rádio Nacional e, emocionado, não terminou; o filho dele, Euclides, concluiu, segundo a Assembleia paulista. Uma cópia igual fora entregue a João Goulart, que a leu no enterro, em São Borja.
“Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história.”
O que veio depois
Trabalhadores saíram às ruas nas grandes cidades. Houve depredação de jornais contrários a Vargas e ataque à embaixada dos Estados Unidos, segundo o CPDOC. Uma multidão acompanhou o corpo até o aeroporto Santos Dumont, de onde seguiu para São Borja. A carta atribuía a morte à “campanha subterrânea dos grupos internacionais” aliada a grupos nacionais e citava a Petrobras e a Eletrobras.
O vice João Café Filho assumiu, como mandava a Constituição de 1946, e ficou até 8 de novembro de 1955. Carlos Luz, presidente da Câmara, assumiu e foi afastado em 11 de novembro. Juscelino Kubitschek tomou posse em 31 de janeiro de 1956, garantida por um contragolpe, segundo a Câmara. Em 2010, a Lei nº 12.326 inscreveu Vargas no Livro dos Heróis da Pátria.
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Na República
Referências
Documentos oficiais
- Constituição dos Estados Unidos do Brasil, de 18 de setembro de 1946 · Presidência da República (Planalto)
Para ler mais
- Getúlio Vargas (verbete) · FGV CPDOC, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro
- Escrevendo a história: Getúlio Vargas · Câmara dos Deputados
- Agosto de 1954: a verdade da carta-testamento · Assembleia Legislativa de São Paulo
- O suicídio de Getúlio Vargas · Assembleia Legislativa de São Paulo
- A Quarta República (1945-1964) · Câmara dos Deputados
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