Pular para o conteúdo
República

República / marcos / a república de 1946

A República de 1946 (1945–1964) · política e instituições

O suicídio de Vargas

24 de agosto de 1954 · governo de Café Filho

Multidão no Rio de Janeiro no traslado do corpo de Getúlio Vargas para o enterro em São Borja, 26 de agosto de 1954Desconhecido (fundo Correio da Manhã, Arquivo Nacional), 1954 · Arquivo Nacional, fundo Correio da Manhã (via Wikimedia Commons) · domínio público

Na manhã de 24 de agosto de 1954, sob ultimato militar para deixar o cargo, Getúlio Vargas se matou com um tiro no coração, no seu quarto do Palácio do Catete, no Rio. A carta-testamento, lida no rádio, levou multidões às ruas. O vice, Café Filho, assumiu.

O que havia antes

Vargas voltou à Presidência pelo voto em outubro de 1950, com 3,8 milhões de votos (49%), segundo o CPDOC, e tomou posse em 31 de janeiro de 1951. Em 1953, pôs João Goulart no Ministério do Trabalho, o que alarmou industriais, a classe média e militares. Em fevereiro de 1954, o Memorial dos Coronéis protestou contra o aumento de 100% do salário mínimo proposto por Goulart, que deixou o cargo.

Na madrugada de 5 de agosto de 1954, o jornalista Carlos Lacerda, opositor do governo, sofreu um atentado na rua Tonelero; ele foi ferido no pé, e o major da Aeronáutica Rubens Vaz morreu. Comprovada a participação de homens da guarda pessoal de Vargas, a UDN exigiu a renúncia. Gregório Fortunato e outros foram presos pela Aeronáutica. Um manifesto de 37 generais minou a última sustentação militar.

O que aconteceu

Na madrugada de 24 de agosto, depois de uma reunião ministerial, Vargas aceitou licenciar-se. Por volta das 7h, o Exército mandou o ultimato: o afastamento teria de ser definitivo. Uma hora e meia depois, sozinho no quarto, no Catete, Vargas disparou um tiro na altura do coração, segundo o CPDOC.

Seu genro, Ernani do Amaral Peixoto, achou a carta ao lado da cama. Osvaldo Aranha começou a lê-la para a Rádio Nacional e, emocionado, não terminou; o filho dele, Euclides, concluiu, segundo a Assembleia paulista. Uma cópia igual fora entregue a João Goulart, que a leu no enterro, em São Borja.

“Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história.”

Getúlio VargasCarta-testamento, transcrita pela Assembleia Legislativa de São Paulo, 24/08/1954a fonte

O que veio depois

Trabalhadores saíram às ruas nas grandes cidades. Houve depredação de jornais contrários a Vargas e ataque à embaixada dos Estados Unidos, segundo o CPDOC. Uma multidão acompanhou o corpo até o aeroporto Santos Dumont, de onde seguiu para São Borja. A carta atribuía a morte à “campanha subterrânea dos grupos internacionais” aliada a grupos nacionais e citava a Petrobras e a Eletrobras.

O vice João Café Filho assumiu, como mandava a Constituição de 1946, e ficou até 8 de novembro de 1955. Carlos Luz, presidente da Câmara, assumiu e foi afastado em 11 de novembro. Juscelino Kubitschek tomou posse em 31 de janeiro de 1956, garantida por um contragolpe, segundo a Câmara. Em 2010, a Lei nº 12.326 inscreveu Vargas no Livro dos Heróis da Pátria.

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Na República

Referências

Câmara dos Deputados

Documentos oficiais

Para ler mais

Reportar erroDireito de resposta

Toda mensagem é conferida na fonte oficial antes de mudar a página. Como corrigimos

Acessibilidade

As escolhas valem para todo o site e ficam guardadas só neste aparelho.

Tamanho do texto
Contraste
Movimento
Letra do texto corrido