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República / marcos / a ditadura militar

A ditadura militar (1964–1985) · direitos

A Passeata dos Cem Mil

26 de junho de 1968 · governo de Costa e Silva

A Passeata dos Cem Mil no centro do Rio: artistas e estudantes com faixas “Contra a censura” e bandeiras, 26 de junho de 1968autor desconhecido, 1968 · Wikimedia Commons (origem: Arquivo Nacional) · domínio público

Em 26 de junho de 1968, cerca de cem mil pessoas marcharam pelo centro do Rio de Janeiro contra a violência policial e a ditadura. A marcha, promovida pelo movimento estudantil, reuniu artistas, intelectuais, religiosos e operários. Durou três horas, sem incidentes, e terminou diante da Assembleia Legislativa da Guanabara.

O que havia antes

Em 28 de março de 1968, o estudante secundarista Edson Luís Lima Souto, de 18 anos, foi morto a bala pela polícia no Rio, num protesto contra o fechamento do restaurante do Calabouço. Cerca de 60 mil pessoas acompanharam o enterro, segundo o CPDOC. Na missa de sétimo dia, na Candelária, a multidão foi atacada por policiais a cavalo.

Em junho, os choques voltaram. Em 21 de junho, uma passeata diante da embaixada dos Estados Unidos virou conflito na avenida Rio Branco. O dia ficou conhecido como “Sexta-Feira Sangrenta”: 28 mortos segundo os hospitais, três segundo a versão oficial, e mil prisões, conforme o CPDOC. A UFRJ suspendeu as aulas.

Manifestantes sentados no asfalto durante a Passeata dos Cem Mil, 26 de junho de 1968

Manifestantes sentados no asfalto durante a Passeata dos Cem Mil, 26 de junho de 1968autor desconhecido, 1968 · Wikimedia Commons (origem: Arquivo Nacional) · domínio público

O que aconteceu

As lideranças estudantis marcaram uma manifestação para quarta-feira, 26 de junho. Na noite anterior, o governador Negrão de Lima anunciou na televisão que a passeata estava autorizada e que a Polícia Militar não estaria nas ruas. Pesaram a reação da imprensa e a presença anunciada do bispo auxiliar dom José de Castro Pinto, segundo o CPDOC.

A marcha começou pouco antes das 14 horas, com cerca de 50 mil pessoas. Às 15 horas, já com cerca de cem mil, o líder estudantil Vladimir Palmeira discursou diante da Candelária. Padres e freiras carregavam faixas como “O povo organizado derruba a ditadura”. A marcha terminou por volta das 17 horas diante do Palácio Tiradentes.

A organização era dividida em comandos: de estudantes, intelectuais, religiosos, trabalhadores e mães. Os grupos eram de dez pessoas, à maneira dos estudantes franceses. O fotógrafo Evandro Teixeira, do Jornal do Brasil, registrou a multidão do alto da escadaria da Câmara Municipal.

“a capacidade da própria massa popular de manter a ordem, na ausência de uma polícia que até então só fizera perturbá-la”

Última Hora (citado pelo CPDOC)Última Hora, 27 de junho de 1968, citado no verbete “Passeata dos Cem Mil” do CPDOC, 27/06/1968a fonte

O que veio depois

Na passeata foi escolhida uma comissão para negociar com Costa e Silva: Hélio Pellegrino, Irene Papi, o padre João Batista Ferreira e os estudantes Marcos Medeiros e Franklin Martins. Em 2 de julho, em Brasília, o presidente rejeitou em bloco os quatro pedidos: soltar os presos, reabrir o Calabouço, acabar com a repressão e suspender a censura às artes.

Em 5 de julho, o ministro da Justiça, Gama e Silva, proibiu manifestações em todo o país. Em 12 de outubro, a polícia desmontou o congresso da UNE em Ibiúna e prendeu mais de 700 estudantes. Em 13 de dezembro, veio o AI-5.

Freiras na Passeata dos Cem Mil, 26 de junho de 1968

Freiras na Passeata dos Cem Mil, 26 de junho de 1968autor desconhecido, 1968 · Wikimedia Commons (origem: Arquivo Nacional) · domínio público

Papel picado jogado das janelas sobre a passeata, 26 de junho de 1968

Papel picado jogado das janelas sobre a passeata, 26 de junho de 1968autor desconhecido, 1968 · Wikimedia Commons (origem: Arquivo Nacional) · domínio público

Tônia Carrero, Eva Wilma, Odete Lara, Norma Bengell e Cacilda Becker em passeata contra a censura, fevereiro de 1968, quatro meses antes da Passeata dos Cem Mil

Tônia Carrero, Eva Wilma, Odete Lara, Norma Bengell e Cacilda Becker em passeata contra a censura, fevereiro de 1968, quatro meses antes da Passeata dos Cem MilAdam Cuerden, 1968 · Wikimedia Commons (origem: Arquivo Nacional) · domínio público

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Referências

Arquivo Nacional, Memórias Reveladas (fotografias do Correio da Manhã); Secretaria de Educação do Paraná (dia)

Documentos oficiais

Para ler mais

Imagens e acervo

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