Os delegados do congresso de fundação do Partido Comunista do Brasil, março de 1922Autor não identificado, 1922 · Wikimedia Commons · domínio público
Entre 25 e 27 de março de 1922, nove delegados reunidos em Niterói fundaram o Partido Comunista do Brasil (PCB), com 73 militantes. Três meses depois, o governo o pôs na ilegalidade. O partido passou a maior parte de sua história clandestino e teve peso na esquerda brasileira ao longo do século.
- 9delegados no congresso de fundação
- 73membros na fundação
- 250membros estimados no fim de 1922
- 3 mesesde legalidade antes do fechamento
- 5membros da primeira direção
O que havia antes
Até os anos 1920, o movimento operário brasileiro era liderado por anarquistas. A Revolução Russa de 1917 despertou interesse pelas ideias de Marx. Em 1919, anarquistas fundaram no Rio e em São Paulo partidos chamados comunistas, ainda de cunho libertário; o de junho de 1919 teve vida curta.
Com a repressão da Rússia soviética aos anarquistas, os dois campos romperam também no Brasil. Um grupo liderado pelo jornalista Astrojildo Pereira, ex-anarquista, aderiu ao programa da Internacional Comunista. Em 4 de novembro de 1921, fundou o Grupo Comunista do Rio de Janeiro, e em janeiro de 1922 lançou a revista “Movimento Comunista”.

Astrojildo Pereira, um dos fundadores e primeiro secretário-geral do partidoFundação Astrojildo Pereira, 1917 · Wikimedia Commons (Fundação Astrojildo Pereira) · domínio público
O que aconteceu
Por iniciativa do Grupo Comunista de Porto Alegre, o congresso de fundação reuniu-se em Niterói, então capital fluminense, de 25 a 27 de março de 1922. Participaram Astrojildo Pereira e mais oito representantes de Porto Alegre, Recife, Rio e São Paulo, entre eles Abílio de Nequete, também delegado da Internacional. A última sessão foi na casa onde Astrojildo morava com os pais.
O partido nasceu para organizar o proletariado “para a conquista do poder e consequente transformação política e econômica da sociedade capitalista em sociedade comunista”. A direção, a Comissão Central Executiva, teve cinco membros: Abílio de Nequete, Astrojildo Pereira, Antônio Bernardo Canellas, Luís Peres e Antônio Gomes Cruz Júnior. O partido tinha 73 membros; no fim de 1922, cerca de 250.
Segundo Astrojildo, a fundação “passou completamente despercebida da opinião pública”, salvo nos meios sindicais. O país vivia a sucessão de Epitácio Pessoa, disputada entre Artur Bernardes e Nilo Peçanha, e, em julho, o levante do Forte de Copacabana.
“a não ser nos meios sindicais, onde militavam ativistas do movimento operário, a fundação do PCB passou completamente despercebida da opinião pública.”
O que veio depois
Em junho de 1922, o governo Epitácio Pessoa fechou o partido, e vários membros foram presos. Nequete deixou a secretaria-geral em julho e foi substituído por Astrojildo. A Internacional aceitou o PCB como simpatizante em 1922 e o admitiu em 1924.
O partido voltou à legalidade em 1º de janeiro de 1927 e criou o Bloco Operário, depois Bloco Operário e Camponês, que elegeu um deputado federal e dois vereadores no Rio. A Lei Celerada, de 12 de agosto de 1927, o empurrou de novo à ilegalidade. Em 1961, adotou o nome Partido Comunista Brasileiro, mantendo a sigla; em 1962, uma dissidência reorganizou-se como PCdoB.
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Referências
FGV CPDOC, verbete “Partido Comunista do Brasil (PCB)”
Documentos oficiais
- Cronologia da Primeira República (1889 a 1930) · Arquivo Nacional (MAPA)
Para ler mais
- Partido Comunista do Brasil (PCB) (verbete, Primeira República) · FGV CPDOC, Dicionário da Primeira República
- Pereira, Astrojildo (verbete de Israel Beloch) · FGV CPDOC, Dicionário da Primeira República
- Partido Comunista Brasileiro (PCB) · FGV CPDOC, Atlas Histórico do Brasil
- Partido nasceu em 1922 como seção da Internacional Comunista (26/3/2012) · Agência Senado
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