Pular para o conteúdo
República

República / marcos / a primeira república

A Primeira República (1889–1930) · trabalho e Previdência

A greve geral de 1917

1917 · governo de Venceslau Brás

Multidão com bandeiras nas ruas de São Paulo durante a greve geral de 1917Autor não identificado, 1917 · Wikimedia Commons · domínio público

Em julho de 1917, mais de 50 mil trabalhadores pararam São Paulo e os municípios vizinhos contra a carestia e as jornadas longas. A greve começou no Cotonifício Crespi, na Mooca, e terminou com um acordo mediado pela imprensa, que prometia aumentos de cerca de 20%. Foi a primeira vez que o poder público negociou com grevistas, segundo o historiador Luigi Biondi.

O que havia antes

Em 1917 quase não havia direitos trabalhistas. Operários trabalhavam no mínimo 12 horas por dia, sem férias, aposentadoria ou descanso semanal, e as greves eram ilegais, mostram documentos do Arquivo do Senado. Mulheres e crianças faziam o mesmo trabalho por salários menores. A Primeira Guerra abriu mercado à indústria brasileira, e os preços subiram.

Em março de 1917, um Comitê Popular de Agitação lançou a campanha contra a “carestia da vida”. Em maio nasceram as ligas operárias do Belenzinho e da Mooca. Em 9 de junho, cerca de 400 operários do Cotonifício Crespi entraram em greve; em 29 de junho, os 1.500 da fábrica. Cerca de 75% deles eram imigrantes italianos.

Operários em greve no comício do Comitê de Defesa Proletária, 16 de julho de 1917

Operários em greve no comício do Comitê de Defesa Proletária, 16 de julho de 1917Autor não identificado, 1917 · Wikimedia Commons · domínio público

O que aconteceu

A greve se espalhou: em 30 de junho, a fábrica Ipiranga, de Nami Jafet, com mais de 1.600 operários; em 7 de julho, a Antarctica. Em 9 de julho, criou-se o Comitê de Defesa Proletária, que unificou as reivindicações; dele fazia parte o libertário Edgard Leuenroth. Anarquistas e socialistas italianos e espanhóis tiveram papel de liderança.

Nos primeiros dias de julho, o jovem sapateiro espanhol José Gimenez Martinez foi baleado num confronto com a polícia no Brás e morreu. Seu enterro foi em 11 de julho. A partir dali a cidade parou: fábricas, comércio, bondes, escolas. Em 13 de julho, havia 25 mil grevistas em 90 estabelecimentos; na ladeira do Carmo, a cavalaria da Força Pública matou Nicola Salerno e Edoarda Bindo.

Não havia entidade patronal para negociar. Os diretores dos grandes jornais formaram uma comissão da imprensa e levaram as propostas a industriais e governo. O acordo foi assinado em 14 de julho por doze empresários, o primeiro deles Rodolfo Crespi, na redação de “O Estado de S. Paulo”. No dia 16, com os acordos lidos em comícios, a greve teve seu pico, de cerca de 43.800 grevistas.

“De qualquer forma, a greve de 1917 representou uma conquista histórica: foi a primeira vez que o poder público no Brasil negociou com os trabalhadores.”

Luigi Biondi, historiador (Unifesp)Entrevista em “Há 100 anos, greve geral parou São Paulo” (Arquivo S), 30/06/2017a fonte

O que veio depois

Os empresários prometeram aumento de cerca de 20%, não demitir grevistas e respeitar o direito de reunião; o governo, libertar os presos. A situação se normalizou no fim de julho. Em 26 de agosto, refundou-se a Federação Operária de São Paulo. Militantes como Teodoro Monicelli e Luigi Damiani foram condenados à expulsão do país.

Meses depois, os patrões começaram a recuar dos compromissos, diz Biondi. Greves gerais se repetiram até 1920, sem ganhos amplos, segundo o Arquivo Nacional. Leis trabalhistas viriam aos poucos: estabilidade em 1923, restrições ao trabalho infantil em 1927, segundo o Arquivo S do Senado.

Um orador fala aos operários durante a greve geral, julho de 1917

Um orador fala aos operários durante a greve geral, julho de 1917Autor não identificado, 1917 · Wikimedia Commons · domínio público

O cortejo do enterro do sapateiro José Martinez, morto pela polícia, 11 de julho de 1917

O cortejo do enterro do sapateiro José Martinez, morto pela polícia, 11 de julho de 1917Autor não identificado, 1917 · Wikimedia Commons · domínio público

A polícia dispersa grevistas em São Paulo, julho de 1917

A polícia dispersa grevistas em São Paulo, julho de 1917Autor não identificado, 1917 · Wikimedia Commons · domínio público

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Referências

FGV CPDOC, Atlas Histórico do Brasil, verbete “Greve Geral de 1917”

Reportar erroDireito de resposta

Toda mensagem é conferida na fonte oficial antes de mudar a página. Como corrigimos

Acessibilidade

As escolhas valem para todo o site e ficam guardadas só neste aparelho.

Tamanho do texto
Contraste
Movimento
Letra do texto corrido