Os revoltosos do Forte de Copacabana marcham pela avenida Atlântica, 6 de julho de 1922Autor não identificado, 1922 · Wikimedia Commons · CC0 — Creative Commons Zero, Public Domain Dedication
Na madrugada de 5 de julho de 1922, tenentes se rebelaram no Forte de Copacabana contra o governo Epitácio Pessoa e a posse de Artur Bernardes. Isolados e bombardeados, um pequeno grupo saiu do forte e marchou pela avenida Atlântica ao encontro das tropas legais. O episódio, conhecido como “18 do Forte”, abriu o ciclo de revoltas tenentistas.
- 301revoltosos no forte na primeira fase, segundo o CPDOC
- 29restantes depois das deserções
- 11 minutosde tiroteio na avenida Atlântica, segundo o CPDOC
- 5mortos nomeados pelo CPDOC na marcha
O que havia antes
A eleição presidencial de 1922 opôs Artur Bernardes, candidato oficial de Minas e São Paulo, a Nilo Peçanha, da Reação Republicana. Em outubro de 1921, o “Correio da Manhã” publicou cartas atribuídas a Bernardes que chamavam o marechal Hermes da Fonseca de “sargentão”. Eram as “cartas falsas”, que inflamaram os quartéis. Bernardes venceu em 1º de março de 1922; a oposição e muitos militares não aceitaram o resultado.
No início de julho, Hermes telegrafou ao comandante da região militar de Pernambuco pedindo que não fosse “o algoz do povo pernambucano”, numa disputa local em que o governo federal intervinha. Epitácio mandou prender o marechal e fechar o Clube Militar, em 2 de julho, segundo o Arquivo Nacional. A insurreição foi marcada para 5 de julho.

A marcha pela praia, em outra tomada atribuída a Zenóbio Couto, 6 de julho de 1922Autor não identificado, 1922 · Wikimedia Commons (foto de Zenóbio Couto) · domínio público
O que aconteceu
O Forte de Copacabana era comandado pelo capitão Euclides Hermes da Fonseca, filho do marechal. Em 4 de julho, o tenente Siqueira Campos prendeu o general enviado para assumir o forte. Na madrugada de 5, disparou o primeiro tiro. Rebelaram-se também a Escola Militar do Realengo, parte da Vila Militar e outras unidades, logo dominadas. O forte chegou a reunir 301 revoltosos.
A Marinha bombardeou o forte, e as deserções se multiplicaram; restaram 29 homens. Euclides saiu para negociar a rendição e foi preso no Catete. Siqueira Campos propôs explodir o paiol; Eduardo Gomes propôs sair à rua e enfrentar as tropas, e a proposta venceu. Siqueira dividiu uma bandeira nacional em 29 pedaços, um para cada combatente.
Na tarde de 6 de julho, por volta das 13h30, os rebeldes deixaram o forte pela avenida Atlântica. Houve novas deserções, e o civil Otávio Correia se juntou ao grupo. Diante das tropas do Exército, da Polícia Militar e do Batalhão Naval, os rebeldes se abrigaram atrás do paredão da calçada e trocaram tiros por pouco mais de 11 minutos, segundo o CPDOC.
“Embora haja divergência entre a imprensa e os sobreviventes quanto ao número de participantes da marcha, a historiografia consagrou o episódio com o nome de "18 do Forte".”
O que veio depois
Morreram, na areia ou depois no hospital, os tenentes Newton Prado e Mário Carpenter, os soldados José Pinto de Oliveira e Pedro Ferreira de Melo e o civil Otávio Correia. Siqueira Campos e Eduardo Gomes, gravemente feridos, sobreviveram e se tornaram os nomes do episódio. Embora a imprensa e os sobreviventes divirjam sobre o número de participantes, a historiografia consagrou o nome “18 do Forte”, anota o CPDOC.
O estado de sítio, decretado em 5 de julho no Distrito Federal e no Rio, foi prorrogado e se estendeu por todo o governo Bernardes. Em 5 de julho de 1924, uma nova revolta tenentista estourou em São Paulo, e dela nasceria a Coluna Prestes. Siqueira Campos voltaria a combater na Coluna; Eduardo Gomes participou da revolta paulista de 1924.

Mapa das posições na revolta de 5 de julho de 1922 no Rio de Janeiro, sobre carta do Serviço Geográfico MilitarServiço Geográfico Militar (original) + own work, 2022 · Wikimedia Commons · domínio público

Gazeta de Notícias de 6 de julho de 1922: a casa da rua Barão de São Félix atingida por uma granadaGazeta de Notícias, 1922 · Wikimedia Commons (Gazeta de Notícias) · domínio público
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Referências
FGV CPDOC, Navegando na História
Documentos oficiais
- Cronologia da Primeira República (1889 a 1930) · Arquivo Nacional (MAPA)
- Os presidentes e a República: Deodoro da Fonseca a Luiz Inácio Lula da Silva (6ª ed., 2026) · Arquivo Nacional
Dados
- A marcha dos ‘18’ do Forte de Copacabana e o Rio de 5 de Julho de 1922 (mapa) · FGV CPDOC, Atlas Histórico do Brasil
Para ler mais
- As revoltas de Julho · FGV CPDOC, Navegando na História
- Campos, Siqueira (verbete) · FGV CPDOC, Dicionário da Primeira República
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