Lula assina a lei do Programa Universidade para Todos ao lado de estudantes beneficiários e de representantes do movimento de cursinhos populares, no Palácio do Planalto (13/01/2005)Ricardo Stuckert/PR, 2005 · Agência Brasil (Memória EBC), foto da Presidência da República · CC BY 3.0 BR
A Lei 11.096, de 13 de janeiro de 2005, criou o Programa Universidade para Todos (Prouni). Faculdades particulares que aderem oferecem bolsas integrais ou de 50% a estudantes de baixa renda e, em troca, deixam de pagar quatro tributos federais. O STF julgou o programa constitucional em 2012.
- 1,5 salário mínimorenda por pessoa para a bolsa integral
- 3 salários mínimosrenda por pessoa para a bolsa parcial
- 4tributos federais de que a faculdade fica isenta
- 3,5 milhõesestudantes atendidos em 20 anos (Agência Senado)
- 616 milbolsistas em 2019 (quase), o pico
- 594.519bolsas ofertadas no 1º semestre de 2026
O que havia antes
No começo dos anos 2000, havia vagas sobrando nas faculdades privadas e procura sem dinheiro para pagá-las. O ministro Joaquim Barbosa citou, ao votar no STF, o censo de 2008 do MEC e do Inep: 2,98 milhões de vagas no ensino superior, das quais 1,479 milhão estavam ociosas, a maior parte em instituições privadas.
Segundo a consultora legislativa Tatiana Feitosa de Britto, ouvida pela Agência Senado, o governo entendeu que a expansão das universidades federais não bastaria para a demanda e apoiou-se no setor privado.

Estudantes chegam para o Enem, cuja nota dá acesso às bolsas do Prouni (26/08/2007)Wilson Dias/ABr, 2007 · Wikimedia Commons (origem: Agência Brasil) · CC BY 3.0 br
O que aconteceu
Em 10 de setembro de 2004, Lula editou a Medida Provisória 213, que instituiu o Prouni. O ministro Marco Aurélio registraria depois que um projeto de lei do Executivo sobre o tema já estava no Congresso. A MP foi aprovada no fim de 2004 e convertida na Lei 11.096, sancionada em 13 de janeiro de 2005 por Lula, Antonio Palocci (Fazenda) e Tarso Genro (Educação).

Diário Oficial da União de 14/01/2005, Seção 1, p. 7, com a publicação da Lei 11.096Imprensa Nacional, 2005 · Imprensa Nacional, acervo do Diário Oficial da União (pesquisa.in.gov.br) · ato oficial, sem direito autoral
A bolsa integral vai a quem tem renda familiar de até 1,5 salário mínimo por pessoa; a parcial, de 50%, a quem tem até 3 salários mínimos. Na lei original, o candidato tinha de ter cursado o ensino médio em escola pública ou como bolsista integral em escola privada. Professores da rede pública podem concorrer a licenciaturas sem limite de renda.
A instituição que adere fica isenta, enquanto vigorar o termo de adesão, do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Cofins e do PIS. A lei também reserva parte das bolsas a pessoas com deficiência e a autodeclarados indígenas e negros. A seleção usa a nota do Enem: ao menos 450 pontos e redação diferente de zero, segundo a Agência Senado.
“Nenhuma instituição particular de ensino superior está obrigada a se vincular ou se manter vinculada ao ProUni, e a adesão tem prazo de vigência de 10 anos, contado da data de sua assinatura”
O que veio depois
A Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen) e o DEM contestaram a lei no STF (ADIs 3330 e 3314). Alegavam falta de urgência para a MP e invasão de matéria de lei complementar. Em 3 de maio de 2012, o plenário julgou o programa constitucional por maioria. O relator foi Ayres Britto. Só Marco Aurélio divergiu.
Em 2022, a Lei 14.350 abriu o programa a estudantes que cursaram o ensino médio em escola privada sem bolsa, atrás, na ordem de prioridade, dos egressos da rede pública e dos bolsistas.
Em 20 anos, segundo a Agência Senado, o Prouni custeou a formação de 3,5 milhões de estudantes, 73% com bolsa integral. Contados os tributos que deixam de ser pagos, cada bolsista custa perto de R$ 8 mil por ano; o aluno de universidade pública, quase R$ 36 mil. A consultora do Senado registrou falta de transparência no valor das isenções.
O pico foi em 2019, com quase 616 mil bolsistas. Depois houve queda, que a presidente do Semesp atribuiu à perda de alunos pagantes na pandemia; em 2023 foram perto de 404 mil bolsas. Para o primeiro semestre de 2026, o MEC ofertou 594.519 bolsas, a maior oferta do programa: 274.819 integrais e 319.700 parciais, das quais 393.119 em cursos a distância.
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
A norma
- norma
- Lei 11.096, de 13/01/2005
- ementa
- Institui o Programa Universidade para Todos - PROUNI, regula a atuação de entidades beneficentes de assistência social no ensino superior; altera a Lei nº 10.891, de 9 de julho de 2004, e dá outras providências.
- projeto
- PLV 59/2004
- quem propôs
- Governo federal · Lula
- Câmara
- sem votação nominal registrada
- Senado
- sem votação nominal registrada
O voto de cada partido e os documentos · o texto oficial Senado Federal, dados abertos: legislação federal, processos e votações do Plenário; Câmara dos Deputados, dados abertos: proposições, autores, votações e votos (arquivos anuais)
Na República
Referências
Documentos oficiais
- Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005 · Presidência da República (Planalto)
- Medida Provisória nº 213, de 10 de setembro de 2004 · Presidência da República (Planalto)
- Supremo declara constitucionalidade do ProUni · Supremo Tribunal Federal
- Lei nº 14.350, de 25 de maio de 2022 · Presidência da República (Planalto)
Dados
- Prouni 1º/2026 disponibilizará mais de 590 mil bolsas · Agência Gov
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