Pular para o conteúdo
República

República / marcos / a nova república

A Nova República (desde 1985) · saúde e educação

A reforma psiquiátrica

6 de abril de 2001 · governo de Fernando Henrique Cardoso

Marcha dos 30 anos da luta antimanicomial, em São Carlos (SP), no Dia Nacional da Luta Antimanicomial (18/05/2018)Romerito Pontes from São Carlos, 2018 · Wikimedia Commons · CC BY 2.0

A Lei 10.216, de 6 de abril de 2001, garantiu direitos às pessoas com transtornos mentais e redirecionou o modelo de assistência para serviços fora do hospital. Nasceu do projeto do deputado Paulo Delgado, de 1989, que tramitou cerca de doze anos. O texto aprovado substituiu a extinção progressiva dos manicômios pela regra de que a internação só cabe quando o tratamento fora do hospital não basta.

O que havia antes

O modelo dominante era o hospital psiquiátrico de longa permanência. O caso mais documentado é o do Hospital Colônia de Barbacena (MG). Daniela Arbex (*Holocausto brasileiro*, 2013) afirma que ao menos 60 mil pessoas morreram ali entre o início do século XX e 1980.

Em 12 de setembro de 1989, o deputado Paulo Delgado apresentou o PL 3.657/1989. A ementa original tratava da “extinção progressiva dos manicômios” e da substituição deles por outros recursos assistenciais. Também regulamentava a internação compulsória.

No Senado, o projeto virou PLC 8/1991. Teve como relatores José Paulo Bisol, Lúcio Alcântara e Sebastião Rocha. Em 23 de novembro de 1995, a Comissão de Assuntos Sociais rejeitou o relatório de Alcântara e aprovou um substitutivo do senador Lucídio Portella.

Pacientes deixam as obras de construção da Colônia dos Alienados de Barbacena (MG), em 1921

Pacientes deixam as obras de construção da Colônia dos Alienados de Barbacena (MG), em 1921autor desconhecido · Wikimedia Commons · domínio público

O que aconteceu

Em 15 de dezembro de 1998, o plenário do Senado aprovou o substitutivo de Sebastião Rocha, que prejudicou o texto original. O turno suplementar foi em 21 de janeiro de 1999, e o projeto voltou à Câmara. A Câmara aprovou o substitutivo em 4 de abril de 2001. A sanção veio dois dias depois, assinada por Fernando Henrique Cardoso, José Gregori, José Serra e Roberto Brant. O Diário Oficial publicou a lei em 9 de abril.

Diário Oficial da União de 09/04/2001, Seção 1, p. 2, com a publicação da Lei 10.216 (reforma psiquiátrica)
O documento

Diário Oficial da União de 09/04/2001, Seção 1, p. 2, com a publicação da Lei 10.216 (reforma psiquiátrica)Imprensa Nacional, 2001 · Imprensa Nacional, acervo do Diário Oficial da União (pesquisa.in.gov.br) · ato oficial, sem direito autoral

O artigo 2º lista nove direitos da pessoa com transtorno mental. Entre eles estão o tratamento humanizado e o sigilo. Também estão o tratamento pelos meios menos invasivos e, de preferência, em serviços comunitários.

A lei define três tipos de internação: voluntária, involuntária (a pedido de terceiro) e compulsória (determinada pela Justiça). A involuntária tem de ser comunicada ao Ministério Público Estadual em até 72 horas. O artigo 4º proíbe internar em instituições “com características asilares”.

“A internação, em qualquer de suas modalidades, só será indicada quando os recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes.”

Lei 10.216, art. 4ºLei nº 10.216, de 6 de abril de 2001, 06/04/2001a fonte

O que veio depois

A Lei 10.708, de 31 de julho de 2003, criou o auxílio-reabilitação psicossocial do programa De Volta para Casa. Eram R$ 240 por mês para pessoas que deixavam longas internações. A Portaria 3.088, de 23 de dezembro de 2011, instituiu a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), com os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) em seis modalidades, entre elas os CAPS III, de 24 horas.

O Ministério da Saúde ficou cerca de dez anos sem publicar o boletim *Saúde Mental em Dados* e retomou a série em 2025. Segundo a análise de Cláudia Braga sobre a 13ª edição, havia mais de 3.000 CAPS habilitados. Também havia 950 serviços residenciais terapêuticos, mais de 4.000 beneficiários do De Volta para Casa e 10.980 leitos do SUS em hospitais psiquiátricos.

Arbex registra que a lei e o fechamento de leitos foram contestados, como na polêmica com Ferreira Gullar em 2009. Em 2025, o portal Futuro da Saúde informou que 21,6% dos municípios com mais de 15 mil habitantes e CAPS habilitado não tinham o serviço funcionando.

O Museu da Loucura, no antigo prédio do Hospital Colônia de Barbacena

O Museu da Loucura, no antigo prédio do Hospital Colônia de BarbacenaEVELYN CRISTINA MIRANDA DIAS, 2025 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0

O ex-deputado Paulo Delgado, autor do projeto da lei da reforma psiquiátrica (2010)

O ex-deputado Paulo Delgado, autor do projeto da lei da reforma psiquiátrica (2010)Comunidade Bahá'í do Brasil, 2010 · Wikimedia Commons · CC BY 2.0

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Na República

Referências

Planalto, Lei 10.216/2001

Reportar erroDireito de resposta

Toda mensagem é conferida na fonte oficial antes de mudar a página. Como corrigimos

Acessibilidade

As escolhas valem para todo o site e ficam guardadas só neste aparelho.

Tamanho do texto
Contraste
Movimento
Letra do texto corrido