Pular para o conteúdo
República

República / marcos / a nova república

A Nova República (desde 1985) · saúde e educação

Lei de Cotas

29 de agosto de 2012 · governo de Dilma Rousseff

Dilma Rousseff assina a Lei de Cotas (Lei 12.711) no Palácio do Planalto, em Brasília, em 29 de agosto de 2012, observada por ministros, entre eles Aloizio Mercadante (Educação), Luiza Bairros (Igualdade Racial) e Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral)Agência Brasil (fotógrafo não identificado na página), 2012 · Agência Brasil (acervo memoria.ebc.com.br) · Agência Brasil/EBC, CC BY 3.0 BR (crédito: Agência Brasil); a página de origem não traz o nome do fotógrafo nem a licença explícita, só a foto na matéria

A Lei 12.711, sancionada por Dilma Rousseff, reservou ao menos metade das vagas de cada curso das universidades e institutos federais a quem fez o ensino médio em escola pública, com subcotas de renda e de cor. Veio quatro meses depois de o Supremo julgar constitucionais, por unanimidade, as cotas raciais da UnB. Em 2023, a Lei 14.723 refez as regras.

O que havia antes

Antes da lei, cada universidade decidia se adotava cotas. Em 2009, o Democratas levou ao Supremo a ADPF 186, contra as cotas raciais da Universidade de Brasília.

Em 26 de abril de 2012, o STF julgou a ação improcedente por unanimidade. O relator, Ricardo Lewandowski, foi seguido por todos os ministros que votaram; Dias Toffoli se declarou impedido.

O projeto de lei tinha sido apresentado na Câmara pela deputada Nice Lobão e tramitava havia quatro anos no Senado. Ali, recebeu parecer favorável de Paulo Paim (PT-RS) na Comissão de Direitos Humanos, e a Comissão de Constituição e Justiça o aprovou em 6 de junho de 2012.

O STF julga a constitucionalidade das cotas raciais da UnB (26/04/2012), meses antes da Lei de Cotas

O STF julga a constitucionalidade das cotas raciais da UnB (26/04/2012), meses antes da Lei de CotasUniversidade de Brasília from Brasília, Brasil, 2012 · Wikimedia Commons · CC BY 2.0

O que aconteceu

Em 7 de agosto de 2012, último item do esforço concentrado, o plenário do Senado aprovou o projeto em votação simbólica, com registro de objeção só do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), segundo o Congresso em Foco. O texto seguiu para sanção.

Diário Oficial da União de 30/08/2012, Seção 1, p. 1, com a publicação da Lei 12.711
O documento

Diário Oficial da União de 30/08/2012, Seção 1, p. 1, com a publicação da Lei 12.711Imprensa Nacional, 2012 · Imprensa Nacional, acervo do Diário Oficial da União (pesquisa.in.gov.br) · ato oficial, sem direito autoral

Dilma Rousseff sancionou a Lei 12.711 em 29 de agosto de 2012. Assinaram com ela os ministros Aloizio Mercadante, Miriam Belchior, Luís Inácio Adams, Luiza Bairros e Gilberto Carvalho.

A lei mandou reservar, em cada processo seletivo, por curso e turno, no mínimo 50% das vagas a estudantes que cursaram todo o ensino médio em escola pública. Metade dessa reserva ficou para famílias com renda de até 1,5 salário mínimo por pessoa.

Dentro da reserva, as vagas se dividem entre pretos, pardos e indígenas autodeclarados, na proporção dessa população em cada estado, segundo o último Censo do IBGE. As instituições tinham até quatro anos para cumprir a lei, com ao menos 25% da reserva a cada ano. A lei previa revisão do programa em dez anos.

“A política de ação afirmativa adotada pela Universidade de Brasília não se mostra desproporcional ou irrazoável”

Ricardo Lewandowskivoto na ADPF 186, segundo a notícia do STF, 26/04/2012a fonte

O que veio depois

Em 2022, ano da revisão prevista, a Agência Senado reuniu dados do efeito. Pela pesquisa do IBGE, pretos e pardos passaram a ser maioria, 50,3%, das matrículas na rede pública de ensino superior em 2018. Na UFRJ, os estudantes pretos e pardos eram pouco mais de 20% antes das cotas e cerca de 35% em 2022, segundo a pró-reitoria.

Na UnB, pretos e pardos eram 10.680 de 41.767 estudantes em 2012 e 15.574 de 42.929 em 2021. A mesma reportagem registrou fraudes: a UFRJ recebeu cerca de 500 denúncias desde 2019 e cancelou a matrícula de 28 estudantes, dez deles revertidos na Justiça.

No Congresso, havia propostas nos dois sentidos: tornar as cotas permanentes ou estendê-las à pós-graduação, e, de outro lado, eliminar o critério racial e manter só o social e o de pessoas com deficiência.

Em 13 de novembro de 2023, Lula sancionou a Lei 14.723. Ela baixou o corte de renda para 1 salário mínimo por pessoa e incluiu os quilombolas. O candidato cotista passou a disputar primeiro as vagas de ampla concorrência. A avaliação do programa passou a ser a cada dez anos, com relatório anual do MEC, e os cotistas em vulnerabilidade ganharam prioridade no auxílio estudantil.

Sessão especial do Senado pelos dez anos da Lei de Cotas (29/08/2022)

Sessão especial do Senado pelos dez anos da Lei de Cotas (29/08/2022)Agência Senado, 2022 · Wikimedia Commons (origem: Agência Senado) · CC BY 2.0

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

A norma

norma
Lei 12.711, de 29/08/2012
ementa
Dispõe sobre o ingresso nas universidades federais e nas instituições federais de ensino técnico de nível médio e dá outras providências.
projeto
PL 73/1999
quem propôs
dep. Nice Lobão (PFL-MA)
Câmara
sem votação nominal registrada
Senado
sem votação nominal registrada

O voto de cada partido e os documentos · o texto oficial Senado Federal, dados abertos: legislação federal, processos e votações do Plenário; Câmara dos Deputados, dados abertos: proposições, autores, votações e votos (arquivos anuais)

Na República

Referências

Reportar erroDireito de resposta

Toda mensagem é conferida na fonte oficial antes de mudar a página. Como corrigimos

Acessibilidade

As escolhas valem para todo o site e ficam guardadas só neste aparelho.

Tamanho do texto
Contraste
Movimento
Letra do texto corrido