A cava da mina de ferro de Carajás, no Pará, a maior operação da Vale (2021)Vice-Presidência da República from Brasiilia, Brasil, 2021 · Wikimedia Commons · CC BY 2.0
Em 6 de maio de 1997, na Bolsa de Valores do Rio, o Consórcio Brasil, liderado pela CSN, comprou 41,73% das ações ordinárias da Companhia Vale do Rio Doce por R$ 3,338 bilhões, com ágio de 19,99%. A venda foi contestada em cerca de 130 ações judiciais; em 2024, o STJ estendeu a todas elas a decisão que manteve o leilão.
- R$ 3,338 bipagos por 41,73% das ações ordinárias (CPDOC/FGV)
- 19,99%ágio sobre o preço mínimo (CPDOC/FGV)
- R$ 12,5 bivalor da empresa implícito no lance (CPDOC/FGV)
- R$ 2,057 bisubavaliação mínima apontada pela comissão da Câmara e Coppe/UFRJ
- 130ações judiciais contra o leilão, cerca de (CPDOC/FGV)
- US$ 1,8966 bioferta de 78 milhões de ações em 2002 (BNDES)
O que havia antes
A Companhia Vale do Rio Doce foi criada pelo Decreto-Lei 4.352, de 1º de junho de 1942, e constituída em janeiro de 1943, com a União como acionista principal, segundo o CPDOC/FGV. O Decreto 1.510, de 1º de junho de 1995, incluiu a empresa no Programa Nacional de Desestatização, criado em 1990.
Em 6 de março de 1997, o BNDES publicou o edital, com preço mínimo de R$ 10,36 bilhões para a empresa e R$ 26,67 por ação. As avaliações divergiam: a do Merrill Lynch, responsável pela modelagem, ia de R$ 7,4 a 10,1 bilhões. Uma comissão externa da Câmara, coordenada por Miro Teixeira (PDT-RJ) e apoiada pela Coppe/UFRJ, apontou subavaliação de pelo menos R$ 2,057 bilhões no preço mínimo.

A mina de ferro da Vale em Itabira (MG), onde a Companhia Vale do Rio Doce nasceu em 1942Josue Marinho · Wikimedia Commons · CC BY 3.0
O que aconteceu
Cerca de 130 ações judiciais foram propostas em vários pontos do país. Duas liminares não foram derrubadas a tempo da data prevista, 29 de abril, e o leilão foi adiado. Em 5 de maio, caiu a última, numa ação popular de oito juristas, segundo o CPDOC/FGV.

Diário Oficial da União de 02/06/1995, Seção 1, p. 1: o Decreto 1.510, de 01/06/1995, que incluiu a Companhia Vale do Rio Doce no Programa Nacional de Desestatização (documento do processo, não do leilão)Imprensa Nacional, 1995 · Imprensa Nacional, acervo do Diário Oficial da União (pesquisa.in.gov.br) · ato oficial, sem direito autoral
No dia 6, em cerca de cinco minutos de pregão, o Consórcio Brasil arrematou 41,73% das ações ordinárias por R$ 3,338 bilhões, a R$ 32 por ação. Era formado pela CSN, de Benjamin Steinbruch, pelos fundos de pensão Previ, Petros, Funcef e Funcesp, pelo NationsBank e pelo Opportunity. Disputou com o Valecom, de Votorantim e Anglo American, cujos sócios tinham fixado teto de ágio de 20%. O lance implicava um valor de R$ 12,5 bilhões para a empresa.
Em 20 de maio, o clube de investimento dos empregados comprou 4,4% do capital por R$ 179 milhões. A participação do governo no capital votante caiu de cerca de 76% para 31,6%. A União ficou com uma ação de classe especial (golden share), com veto sobre mudanças de sede, razão social e objeto.
“Vamos reconhecer: a oposição foi mais competente ao caracterizar o negócio como a entrega do ouro ao bandido”
O que veio depois
Em março de 2002, uma oferta pública vendeu mais 78 milhões de ações ordinárias, a R$ 57,28 cada, num total de US$ 1,8966 bilhão. O BNDES a registra como a maior venda de ações no Brasil em número de compradores. Em 2008, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) defendeu no plenário uma CPI sobre a privatização; ela não foi instalada nas fontes consultadas.
Na Justiça, um juiz de Belém julgou improcedentes sete ações em 2002 e extinguiu as demais. Em 2005, o TRF da 1ª Região anulou a decisão e reabriu 62 ações (CPDOC/FGV). O próprio TRF-1 deu respostas diferentes a casos conexos: num manteve a venda pela teoria do fato consumado, noutro mandou fazer perícia. Em 28 de agosto de 2024, a Primeira Seção do STJ decidiu, por unanimidade, que a sentença transitada em julgado vale para todas as ações populares com o mesmo objeto (IAC 7, REsp 1.806.016).

Trem de minério da Vale na Estrada de Ferro Vitória a Minas, em Timóteo (MG)HVL · Wikimedia Commons · CC BY 4.0
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Na República
Referências
Documentos oficiais
- Desestatização: histórico · BNDES
- Informativo de Jurisprudência nº 823 (IAC no REsp 1.806.016-PA) · Superior Tribunal de Justiça
Para ler mais
- Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), verbete · CPDOC/FGV
- Simon defende CPI para investigar privatização da Vale do Rio Doce · Agência Senado
- Fernando Henrique Cardoso (verbete) · Atlas Histórico do Brasil, FGV
Toda mensagem é conferida na fonte oficial antes de mudar a página. Como corrigimos
