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República

República / marcos / a ditadura militar

A ditadura militar (1964–1985) · violência e segurança

A morte de Vladimir Herzog

25 de outubro de 1975 · governo de Ernesto Geisel

Vladimir Herzog (à direita) conversa com o cineasta Fernando Birri, 1963autor desconhecido, 1963 · Wikimedia Commons (origem: Google Arts & Culture: Home page – Image) · domínio público

Em 25 de outubro de 1975, o jornalista Vladimir Herzog, diretor de jornalismo da TV Cultura, apresentou-se ao DOI-Codi do II Exército, em São Paulo, e foi morto sob tortura no mesmo dia. O Exército divulgou suicídio. A Justiça Federal rejeitou essa versão em 1978, a certidão de óbito foi corrigida em 2013 e a Corte Interamericana condenou o Brasil em 2018.

O que havia antes

Vladimir Herzog nasceu em 1937 em Osijek, na antiga Iugoslávia, e naturalizou-se brasileiro. Trabalhou em O Estado de S. Paulo, na revista Visão e na BBC de Londres. Militava no PCB, partido que rejeitava a luta armada, segundo a CNV.

Herzog dirigia o jornalismo da TV Cultura, emissora ligada ao governo paulista. Um informe de um infiltrado na emissora tratava sua contratação como “reabertura de um processo de infiltração de esquerda”, segundo a CNV. Em 24 de outubro de 1975, agentes do Exército o procuraram, para depor sobre ligações com o PCB, segundo o Arquivo Nacional.

Inauguração da escultura em homenagem a Vladimir Herzog na Câmara Municipal de São Paulo, 25 de outubro de 2016

Inauguração da escultura em homenagem a Vladimir Herzog na Câmara Municipal de São Paulo, 25 de outubro de 2016Rovena Rosa/Agência Brasil, 2016 · Wikimedia Commons (origem: http://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/foto/2016-10/inauguracao-de-escultura-em-homenagem-ao-jornalista-vladim) · CC BY 3.0 br

O que aconteceu

Na manhã de 25 de outubro, Herzog apresentou-se ao DOI-Codi, no bairro do Paraíso. Ficou sob custódia desde as oito horas. Os jornalistas Rodolfo Konder e George Duque Estrada, presos no mesmo local, contaram ter ouvido seus gritos durante a tortura. À tarde, foi encontrado enforcado, com os pés no chão da cela.

Em 26 de outubro, o comandante do II Exército, general Ednardo D’Avila Mello, divulgou nota dizendo que Herzog se enforcara com uma tira de pano. O laudo foi assinado pelos legistas Arildo Viana e Harry Shibata. Em 1978, Shibata declarou à Justiça que assinou sem ter visto o corpo, segundo a Corte Interamericana.

A perícia da CNV concluiu que Herzog foi estrangulado e que o enforcamento foi montado depois. O inquérito militar adotou a versão de suicídio e foi arquivado; a Justiça Militar confirmou o arquivamento em 1976.

“Vladimir Herzog foi inicialmente estrangulado, provavelmente com a cinta citada pelo perito criminal, e, em ato contínuo, foi montado um sistema de forca”

Núcleo de perícia da Comissão Nacional da VerdadeRelatório da CNV, v. I, cap. 11, p. 475, 10/12/2014a fonte

O que veio depois

Dias depois, um ato ecumênico na Catedral da Sé, com o cardeal dom Paulo Evaristo Arns, o rabino Henry Sobel e o reverendo Jaime Wright, reuniu cerca de 8 mil pessoas, segundo a CNV. Em 17 de janeiro de 1976, o operário Manoel Fiel Filho morreu no mesmo DOI-Codi, também em versão oficial de suicídio.

Em 27 de outubro de 1978, o juiz federal Márcio José de Moraes, na ação movida por Clarice, Ivo e André Herzog, declarou que a União não provou o suicídio e reconheceu a prisão ilegal e a tortura.

Em 24 de setembro de 2012, a pedido da CNV, a Justiça de São Paulo mandou corrigir a certidão: a morte decorreu de “lesões e maus-tratos”. Em 15 de março de 2018, a Corte Interamericana condenou o Brasil pela falta de investigação e pela aplicação da Lei de Anistia a crime contra a humanidade.

Clarice Herzog, viúva de Vladimir, que levou à Justiça a responsabilidade da União pela morte

Clarice Herzog, viúva de Vladimir, que levou à Justiça a responsabilidade da União pela morteCarlos Ebert from São Paulo, BrazilGRU, 2016 · Wikimedia Commons (origem: Clarice Herzog) · CC BY 2.0

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Referências

Arquivo Nacional, Memórias Reveladas

Documentos oficiais

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