Vladimir Herzog (à direita) conversa com o cineasta Fernando Birri, 1963autor desconhecido, 1963 · Wikimedia Commons (origem: Google Arts & Culture: Home page – Image) · domínio público
Em 25 de outubro de 1975, o jornalista Vladimir Herzog, diretor de jornalismo da TV Cultura, apresentou-se ao DOI-Codi do II Exército, em São Paulo, e foi morto sob tortura no mesmo dia. O Exército divulgou suicídio. A Justiça Federal rejeitou essa versão em 1978, a certidão de óbito foi corrigida em 2013 e a Corte Interamericana condenou o Brasil em 2018.
- 8 milpessoas no ato ecumênico da Sé (CNV)
- 2sulcos no pescoço visíveis nas fotos, contra um no laudo (CNV)
- 3 anosda morte à sentença da Justiça Federal
- 43 anosda morte à condenação na Corte IDH
O que havia antes
Vladimir Herzog nasceu em 1937 em Osijek, na antiga Iugoslávia, e naturalizou-se brasileiro. Trabalhou em O Estado de S. Paulo, na revista Visão e na BBC de Londres. Militava no PCB, partido que rejeitava a luta armada, segundo a CNV.
Herzog dirigia o jornalismo da TV Cultura, emissora ligada ao governo paulista. Um informe de um infiltrado na emissora tratava sua contratação como “reabertura de um processo de infiltração de esquerda”, segundo a CNV. Em 24 de outubro de 1975, agentes do Exército o procuraram, para depor sobre ligações com o PCB, segundo o Arquivo Nacional.

Inauguração da escultura em homenagem a Vladimir Herzog na Câmara Municipal de São Paulo, 25 de outubro de 2016Rovena Rosa/Agência Brasil, 2016 · Wikimedia Commons (origem: http://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/foto/2016-10/inauguracao-de-escultura-em-homenagem-ao-jornalista-vladim) · CC BY 3.0 br
O que aconteceu
Na manhã de 25 de outubro, Herzog apresentou-se ao DOI-Codi, no bairro do Paraíso. Ficou sob custódia desde as oito horas. Os jornalistas Rodolfo Konder e George Duque Estrada, presos no mesmo local, contaram ter ouvido seus gritos durante a tortura. À tarde, foi encontrado enforcado, com os pés no chão da cela.
Em 26 de outubro, o comandante do II Exército, general Ednardo D’Avila Mello, divulgou nota dizendo que Herzog se enforcara com uma tira de pano. O laudo foi assinado pelos legistas Arildo Viana e Harry Shibata. Em 1978, Shibata declarou à Justiça que assinou sem ter visto o corpo, segundo a Corte Interamericana.
A perícia da CNV concluiu que Herzog foi estrangulado e que o enforcamento foi montado depois. O inquérito militar adotou a versão de suicídio e foi arquivado; a Justiça Militar confirmou o arquivamento em 1976.
“Vladimir Herzog foi inicialmente estrangulado, provavelmente com a cinta citada pelo perito criminal, e, em ato contínuo, foi montado um sistema de forca”
O que veio depois
Dias depois, um ato ecumênico na Catedral da Sé, com o cardeal dom Paulo Evaristo Arns, o rabino Henry Sobel e o reverendo Jaime Wright, reuniu cerca de 8 mil pessoas, segundo a CNV. Em 17 de janeiro de 1976, o operário Manoel Fiel Filho morreu no mesmo DOI-Codi, também em versão oficial de suicídio.
Em 27 de outubro de 1978, o juiz federal Márcio José de Moraes, na ação movida por Clarice, Ivo e André Herzog, declarou que a União não provou o suicídio e reconheceu a prisão ilegal e a tortura.
Em 24 de setembro de 2012, a pedido da CNV, a Justiça de São Paulo mandou corrigir a certidão: a morte decorreu de “lesões e maus-tratos”. Em 15 de março de 2018, a Corte Interamericana condenou o Brasil pela falta de investigação e pela aplicação da Lei de Anistia a crime contra a humanidade.

Clarice Herzog, viúva de Vladimir, que levou à Justiça a responsabilidade da União pela morteCarlos Ebert from São Paulo, BrazilGRU, 2016 · Wikimedia Commons (origem: Clarice Herzog) · CC BY 2.0
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Referências
Arquivo Nacional, Memórias Reveladas
Documentos oficiais
- Relatório da Comissão Nacional da Verdade, volume I (dezembro de 2014) · Comissão Nacional da Verdade / Arquivo Nacional
- Caso Herzog e outros vs. Brasil, sentença de 15 de março de 2018 · Corte Interamericana de Direitos Humanos
- Brasil é condenado por tortura e morte do jornalista Vladimir Herzog · Arquivo Nacional, Memórias Reveladas
- Juiz determina retificação do atestado de óbito de Vladimir Herzog (24/09/2012) · Tribunal de Justiça de São Paulo
- Lei nº 6.683, de 28 de agosto de 1979 · Presidência da República
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