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República

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A Era Vargas (1930–1945) · violência e segurança

A morte de Lampião

28 de julho de 1938 · governo de Getúlio Vargas

A Grota de Angico, em Poço Redondo (SE), onde Lampião e seu grupo foram mortos em 28 de julho de 1938 (foto de 2015)Marinelson Almeida - Traveling through Brazil from Niteroi, Brasil, 2015 · Wikimedia Commons (Marinelson Almeida, Flickr) · CC BY 2.0 — Creative Commons Attribution 2.0

Na madrugada de 28 de julho de 1938, uma volante da polícia de Alagoas cercou o bando de Lampião na grota de Angico, em Poço Redondo, Sergipe. Morreram Lampião, Maria Bonita e nove cangaceiros. As cabeças foram cortadas, expostas na escadaria da prefeitura de Piranhas e levadas de cidade em cidade; as do casal só foram sepultadas em 1969.

O que havia antes

Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, chefiou o cangaço mais conhecido do Nordeste a partir dos anos 1920. Em 1926, segundo documento divulgado pelo Diário do Nordeste, recebeu galões de capitão para combater a Coluna Prestes, a convite do padre Cícero, mas desistiu. As mulheres entraram nos bandos a partir de 1930, com Maria Bonita, Maria Gomes de Oliveira (Pericás, 2010).

O historiador Luiz Bernardo Pericás descreve as volantes, as tropas policiais que perseguiam os bandos, como espelho deles: a mesma origem social, as mesmas roupas, a mesma prática de cortar cabeças (Pericás, 2010). Estados vizinhos firmaram convênios para persegui-los entre 1912 e 1935. Cortar a cabeça do inimigo e exibi-la era prática corrente das volantes de 1922 a 1938, segundo artigo publicado pela UFS.

Lampião (Virgulino Ferreira da Silva), c. 1927

Lampião (Virgulino Ferreira da Silva), c. 1927Benjamin Abrahão Botto · Wikimedia Commons (foto de Benjamin Abrahão Botto) · domínio público

O que aconteceu

Na madrugada da quinta-feira, 28 de julho de 1938, a volante alagoana comandada pelo tenente João Bezerra cercou a grota da fazenda Angico, em Poço Redondo, Sergipe, à margem do São Francisco. Pela narrativa oficial, depois de um tiroteio curto, onze cangaceiros estavam mortos, nove homens e duas mulheres, entre eles Lampião e Maria Bonita.

Os soldados decapitaram os onze e deixaram os corpos no local. As cabeças foram arrumadas nos degraus da prefeitura de Piranhas, Alagoas, com armas e apetrechos, e fotografadas. No caminho até Maceió, onde chegaram em 31 de julho, eram retiradas de latas com formol, álcool e sal e mostradas ao público em cada cidade, segundo o artigo da UFS.

Além do casal, o colunista Luiz Carlos Azedo lista entre os decapitados Quinta-Feira, Mergulhão, Luís Pedro, Elétrico, Enedina, Moeda, Alecrim, Colchete e Macela. A versão oficial foi contestada. Autores citados pelo artigo da UFS, como Rodrigues de Carvalho, sustentam que o coiteiro Pedro de Cândido, ameaçado por Bezerra, envenenou a bebida do bando.

O que veio depois

Em Maceió, nove cabeças foram enterradas em cova coletiva, segundo o artigo da UFS. As de Lampião e Maria Bonita seguiram para Salvador e ficaram expostas no Museu Antropológico Estácio de Lima, no prédio do Instituto Médico Legal Nina Rodrigues. O médico Lages Filho mediu a cabeça de Lampião em busca de sinais biológicos do crime, na linha da antropologia criminal (Pericás, 2010).

As fontes divergem sobre o trajeto. A CNN diz que os crânios passaram por Maceió até 1944; Azedo, que ficaram seis anos na Faculdade de Odontologia da UFBA. Todas convergem no enterro: em 6 de fevereiro de 1969, depois que a família conseguiu o direito na Justiça, no cemitério Quinta dos Lázaros, em Salvador. Antes, o museu tirou moldes para continuar a exibi-las.

Em 2000, a família recolheu os restos e os guardou em Aracaju. Depois de três anos no Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da USP, onde foram reconstruídos, os crânios estão no Museu de Arte Sacra de São Paulo. A antropóloga Mercedes Okumura registrou no de Lampião fraturas perimortem, compatíveis com bala ou com golpes.

Lampião, Maria Bonita e o bando, em foto de Benjamin Abrahão Botto, década de 1930

Lampião, Maria Bonita e o bando, em foto de Benjamin Abrahão Botto, década de 1930Benjamin Abrahão Botto, 1936 · Wikimedia Commons · domínio público

Lampião e o fotógrafo Benjamin Abrahão Botto, que filmou o bando em 1936

Lampião e o fotógrafo Benjamin Abrahão Botto, que filmou o bando em 1936Benjamin Abrahão Botto, 1936 · Wikimedia Commons · domínio público

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Referências

Rádio Câmara; Fundaj, Pesquisa Escolar

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