Rugendas, “Défrichement d’une forêt”: a derrubada da mata para abrir lavoura, a ocupação que a Lei de Terras passou a regularautor desconhecido · Wikimedia Commons (origem: Brasiliana Iconográfica) · domínio público
A Lei nº 601, de 18 de setembro de 1850, proibiu adquirir terras devolutas por outro meio que não a compra e legitimou as posses existentes. Veio duas semanas depois do fim do tráfico. Para José de Souza Martins, fechou a terra para que o trabalhador livre tivesse de trabalhar em terra alheia.
- 7 anosde tramitação (1843 a 1850)
- 10 léguasfaixa de fronteira com concessão gratuita
- 2 a 6 mesesde prisão para quem ocupasse terra devoluta
- 0,7%das propriedades rurais com mais de 2 mil ha (Incra, citado em 2020)
- quase 50%da área rural ocupada por essas propriedades
O que havia antes
Em 1823, d. Pedro I suspendeu a doação de sesmarias sem pôr outra regra no lugar. Pobres e ricos ocuparam terras públicas por posse, sem título nem limites claros. Senadores relatavam conflitos: em Piracicaba, 13 ou 14 assassinatos por terras em poucos meses, segundo o Arquivo do Senado.
Em 1842, uma consulta do Conselho de Estado propôs vender as terras “sem exceção alguma” para encarecê-las, de modo que “o imigrado pobre alugue o seu trabalho” antes de virar proprietário (Martins 1979, cap. 3). O projeto entrou no Parlamento em 1843 e tramitou sete anos.
O que aconteceu
O artigo 1º da Lei 601, sancionada em 18 de setembro de 1850, proibiu adquirir terras devolutas “por outro titulo que não seja o de compra”. A exceção era uma faixa de 10 léguas na fronteira, que podia ser concedida de graça.

Mapa topográfico das terras devolutas medidas e demarcadas de 1854 a 1868 na comarca de Iguape (SP), publicado em 1872Azambuja, Bernardo Augusto Nascentes de ; Calvâo, E. ; Blake, P. ; Street, E. ; Rivierre, Carlos ; Monteiro, Cândido Borges, 1872 · Wikimedia Commons · CC0
Quem ocupasse terra devoluta ou alheia seria despejado, perderia as benfeitorias e pegaria dois a seis meses de prisão e multa de 100 mil réis (art. 2º). A lei legitimou as posses “mansas e pacíficas” e as sesmarias não cultivadas e autorizou o governo a promover a colonização estrangeira.
“Ficam prohibidas as acquisições de terras devolutas por outro titulo que não seja o de compra.”
O que veio depois
A regularização exigia taxas, que pesaram sobre os pequenos posseiros, segundo a Agência Senado. No Senado, o visconde de Abrantes defendeu preço alto para que o “proletário” não se fizesse proprietário. A lei foi regulamentada em 1854.
Martins lê a lei como “monopólio de classe sobre a terra”: com o tráfico extinto, a renda capitalizada passou do escravo para a terra (Martins 1979, caps. 1 e 3). Em 2020, a Agência Senado citou dados do Incra: 0,7% das propriedades têm mais de 2 mil hectares e ocupam quase metade da área rural.
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Referências
Presidência da República, Lei nº 601/1850
Documentos oficiais
- Lei nº 601, de 18 de setembro de 1850 · Presidência da República (Planalto)
- Cronologia do período imperial (1822 a 1889) · Arquivo Nacional (MAPA)
Para ler mais
- Há 170 anos, Lei de Terras desprezou camponeses e oficializou apoio do Brasil aos latifúndios · Agência Senado (Arquivo S)
- A Lei de Terras · MultiRio (Prefeitura do Rio)
- Lei Eusébio de Queirós · MultiRio (Prefeitura do Rio)
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