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República

República / marcos / o império

O Império (1822–1889) · política e instituições

A Guerra do Paraguai começa

13 de dezembro de 1864

Victor Meirelles, “A rendição de Uruguaiana” (litografia, c. 1870): d. Pedro II recebe a rendição paraguaia em setembro de 1865, primeiro ano da guerraVictor Meirelles · Biblioteca Nacional (reprodução em Salles, Guerra do Paraguai: memórias & imagens, 2003, via Wikimedia Commons) · domínio público

Em 13 de dezembro de 1864, o presidente paraguaio Francisco Solano López declarou guerra ao Império do Brasil, segundo a cronologia do Arquivo Nacional. A crise vinha da intervenção brasileira no Uruguai e do apresamento do vapor Marquês de Olinda. Começava a maior guerra de que o Brasil participou, que só acabaria em março de 1870.

O que havia antes

O Paraguai dependia do porto de Montevidéu para o seu comércio exterior e mantinha relações estreitas com o Uruguai. Desconfiava do Brasil e da Argentina, vistos como expansionistas, segundo a Agência Senado. Em outubro de 1864, o Brasil invadiu o Uruguai para intervir numa guerra civil. O Paraguai protestou, temendo perder o aliado, e d. Pedro II ignorou as reclamações.

O Exército imperial era pequeno. Na Regência, os governantes tinham evitado organizar uma força forte, por medo de que os militares tomassem o poder, como em partes da América espanhola. Em 1867, o ministro da Guerra, o marquês de Paranaguá, disse no Senado que o Brasil contava com 10.857 homens, fora a força naval, quando a guerra no Uruguai acabou.

Juan Manuel Blanes, retrato de Francisco Solano López (1864)

Juan Manuel Blanes, retrato de Francisco Solano López (1864)Juan Manuel Blanes, 1864 · Wikimedia Commons · domínio público

O que aconteceu

Em novembro de 1864, López mandou apresar o vapor brasileiro Marquês de Olinda, que subia o rio Paraguai, na altura de Assunção, rumo a Cuiabá. A bordo ia o presidente nomeado da província de Mato Grosso, Frederico Carneiro de Campos. Segundo a revista Verde-Oliva, do Exército, ele foi preso e morreu sem chegar ao destino.

Em 13 de dezembro, López declarou guerra ao Império, registra o Arquivo Nacional. Tropas paraguaias atacaram Mato Grosso, defendido por pequenas guarnições ao longo da fronteira. Cuiabá não capitulou durante o conflito. A revista do Exército descreve o ataque como feito “sem uma declaração formal de guerra”, versão que não coincide com a da cronologia oficial.

Em 7 de janeiro de 1865, sem o Parlamento reunido, o governo criou por decreto os corpos de Voluntários da Pátria, para cidadãos de 18 a 50 anos. Além do soldo, prometeu 300 réis por dia, uma gratificação de 300$000 na baixa e um lote de 22.500 braças quadradas em colônias militares ou agrícolas.

Em abril de 1865, tropas paraguaias invadiram a província argentina de Corrientes para tentar chegar ao Uruguai. Em 1º de maio, Brasil, Argentina e Uruguai assinaram o Tratado da Tríplice Aliança. Os paraguaios alcançaram São Borja em 10 de junho e ocuparam Uruguaiana. Em 16 de setembro, d. Pedro II negociou a rendição das tropas cercadas ali.

“Foi preciso aceitarmos a guerra, embora não estivéssemos para ela preparados.”

Marquês de Paranaguá, ministro da GuerraDiscurso no Senado do Império, reproduzido pela Agência Senado (Arquivo S), 1867a fonte

O que veio depois

O Brasil respondeu por pelo menos 80% do esforço militar aliado, segundo a revista do Exército. Um decreto de 6 de novembro de 1866 deu liberdade aos escravizados em condições de servir ao Exército. No Senado, o barão de Cotegipe acusou senhores de entregar escravizados doentes em troca de títulos; historiadores ouvidos pela Agência Senado dizem não haver evidência de que essas fraudes fossem recorrentes.

Em 1867, o senador Silveira da Mota pediu uma comissão de inquérito sobre a demora da guerra e o seu custo. O ministro da Guerra se opôs, e só 11 dos cerca de 50 senadores votaram a favor. Para o historiador Vitor Izecksohn, a disputa era entre conservadores e progressistas-liberais, e não um ataque ao imperador.

Joaquim Nabuco, em O abolicionismo (1883, cap. 7), põe os escravizados libertos para o Paraguai entre os compromissos da Coroa com a emancipação. No Paraguai, o conflito se chama Guerra contra a Tríplice Aliança. A tese de que Londres tramou a guerra, ensinada no Brasil até os anos 1990, foi descartada: o Paraguai não tinha indústria relevante, e Brasil e Inglaterra estavam com relações rompidas pela Questão Christie.

Tropas aliadas na batalha de Potrero Sauce, 18/07/1866

Tropas aliadas na batalha de Potrero Sauce, 18/07/1866Bate y Cia., 1866 · Wikimedia Commons (origem: Biblioteca Nacional) · domínio público

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Referências

Arquivo Nacional, cronologia do período imperial

Documentos oficiais

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