Victor Meirelles, “A rendição de Uruguaiana” (litografia, c. 1870): d. Pedro II recebe a rendição paraguaia em setembro de 1865, primeiro ano da guerraVictor Meirelles · Biblioteca Nacional (reprodução em Salles, Guerra do Paraguai: memórias & imagens, 2003, via Wikimedia Commons) · domínio público
Em 13 de dezembro de 1864, o presidente paraguaio Francisco Solano López declarou guerra ao Império do Brasil, segundo a cronologia do Arquivo Nacional. A crise vinha da intervenção brasileira no Uruguai e do apresamento do vapor Marquês de Olinda. Começava a maior guerra de que o Brasil participou, que só acabaria em março de 1870.
- 10.857homens do Exército quando a guerra do Uruguai acabou, segundo o ministro da Guerra (1867)
- 80%no mínimo, do esforço militar aliado feito pelo Brasil, segundo a revista do Exército
- 18 a 50 anosidade dos cidadãos chamados aos Voluntários da Pátria
- 300$000gratificação prometida ao voluntário na baixa
- 11senadores, de cerca de 50, a favor do inquérito sobre a guerra em 1867
- 3países da Tríplice Aliança
O que havia antes
O Paraguai dependia do porto de Montevidéu para o seu comércio exterior e mantinha relações estreitas com o Uruguai. Desconfiava do Brasil e da Argentina, vistos como expansionistas, segundo a Agência Senado. Em outubro de 1864, o Brasil invadiu o Uruguai para intervir numa guerra civil. O Paraguai protestou, temendo perder o aliado, e d. Pedro II ignorou as reclamações.
O Exército imperial era pequeno. Na Regência, os governantes tinham evitado organizar uma força forte, por medo de que os militares tomassem o poder, como em partes da América espanhola. Em 1867, o ministro da Guerra, o marquês de Paranaguá, disse no Senado que o Brasil contava com 10.857 homens, fora a força naval, quando a guerra no Uruguai acabou.

Juan Manuel Blanes, retrato de Francisco Solano López (1864)Juan Manuel Blanes, 1864 · Wikimedia Commons · domínio público
O que aconteceu
Em novembro de 1864, López mandou apresar o vapor brasileiro Marquês de Olinda, que subia o rio Paraguai, na altura de Assunção, rumo a Cuiabá. A bordo ia o presidente nomeado da província de Mato Grosso, Frederico Carneiro de Campos. Segundo a revista Verde-Oliva, do Exército, ele foi preso e morreu sem chegar ao destino.
Em 13 de dezembro, López declarou guerra ao Império, registra o Arquivo Nacional. Tropas paraguaias atacaram Mato Grosso, defendido por pequenas guarnições ao longo da fronteira. Cuiabá não capitulou durante o conflito. A revista do Exército descreve o ataque como feito “sem uma declaração formal de guerra”, versão que não coincide com a da cronologia oficial.
Em 7 de janeiro de 1865, sem o Parlamento reunido, o governo criou por decreto os corpos de Voluntários da Pátria, para cidadãos de 18 a 50 anos. Além do soldo, prometeu 300 réis por dia, uma gratificação de 300$000 na baixa e um lote de 22.500 braças quadradas em colônias militares ou agrícolas.
Em abril de 1865, tropas paraguaias invadiram a província argentina de Corrientes para tentar chegar ao Uruguai. Em 1º de maio, Brasil, Argentina e Uruguai assinaram o Tratado da Tríplice Aliança. Os paraguaios alcançaram São Borja em 10 de junho e ocuparam Uruguaiana. Em 16 de setembro, d. Pedro II negociou a rendição das tropas cercadas ali.
“Foi preciso aceitarmos a guerra, embora não estivéssemos para ela preparados.”
O que veio depois
O Brasil respondeu por pelo menos 80% do esforço militar aliado, segundo a revista do Exército. Um decreto de 6 de novembro de 1866 deu liberdade aos escravizados em condições de servir ao Exército. No Senado, o barão de Cotegipe acusou senhores de entregar escravizados doentes em troca de títulos; historiadores ouvidos pela Agência Senado dizem não haver evidência de que essas fraudes fossem recorrentes.
Em 1867, o senador Silveira da Mota pediu uma comissão de inquérito sobre a demora da guerra e o seu custo. O ministro da Guerra se opôs, e só 11 dos cerca de 50 senadores votaram a favor. Para o historiador Vitor Izecksohn, a disputa era entre conservadores e progressistas-liberais, e não um ataque ao imperador.
Joaquim Nabuco, em O abolicionismo (1883, cap. 7), põe os escravizados libertos para o Paraguai entre os compromissos da Coroa com a emancipação. No Paraguai, o conflito se chama Guerra contra a Tríplice Aliança. A tese de que Londres tramou a guerra, ensinada no Brasil até os anos 1990, foi descartada: o Paraguai não tinha indústria relevante, e Brasil e Inglaterra estavam com relações rompidas pela Questão Christie.

Tropas aliadas na batalha de Potrero Sauce, 18/07/1866Bate y Cia., 1866 · Wikimedia Commons (origem: Biblioteca Nacional) · domínio público
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Referências
Arquivo Nacional, cronologia do período imperial
Documentos oficiais
- Cronologia do período imperial (1822 a 1889) · Arquivo Nacional (MAPA)
- Decreto nº 3.371, de 7 de janeiro de 1865 (Voluntários da Pátria), publicação original · Câmara dos Deputados, Legislação Informatizada
Para ler mais
- 150 anos depois, guerra ainda é ferida aberta no Paraguai · Agência Senado (Arquivo S)
- No Império, Senado estudou criar CPI da Guerra do Paraguai · Agência Senado (Arquivo S)
- Guerra da Tríplice Aliança, 1864 a 1870 (Verde-Oliva, n. 246, jun. 2019) · Centro de Comunicação Social do Exército
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