O conde d’Eu, comandante-chefe na fase final da guerra, com José Paranhos e oficiais brasileiros no Paraguai, 1870Carlos César (fotógrafo), 1870 · Coleção Princesa Isabel (reprodução em Lago & Lago, 2008, via Wikimedia Commons) · domínio público
Em 1º de março de 1870, Solano López foi morto na batalha de Cerro Corá, no norte do Paraguai, e a guerra terminou. Foram cinco anos e dois meses de conflito e cerca de 50 mil combatentes brasileiros mortos, segundo estimativa citada pela Agência Senado. O Brasil assinou com o Paraguai, em separado, a paz e os limites em 1872.
- 5 anos e 2 mesesde guerra
- cerca de 50 milcombatentes brasileiros mortos (estimativa)
- 75%da população paraguaia morta (estimativa)
- 614 mil contos de réiscusto da guerra para o Império, segundo Doratioto
- 11 anosde orçamentos públicos equivalentes ao custo da guerra
O que havia antes
No fim de 1865, depois de invadir Mato Grosso e o Rio Grande do Sul, o Paraguai passou à defesa. Em 24 de maio de 1866, os aliados venceram em Tuiuti, a maior batalha campal da América Latina, segundo a revista do Exército. Depois perderam alguns milhares de homens em Curupaiti. D. Pedro II pôs o marquês de Caxias no comando das forças brasileiras.
Caxias reorganizou a tropa, castigada por doenças, e retomou a ofensiva em julho de 1867. Depois da queda de Humaitá, mandou abrir uma estrada de 11 quilômetros pelo Chaco e venceu em Lomas Valentinas. Em 1º de janeiro de 1869, as tropas aliadas entraram em Assunção. Doente, Caxias deixou o comando, que passou ao conde d’Eu, genro do imperador.
Para o historiador Ricardo Salles, Caxias aconselhou o imperador a dar a guerra por encerrada com a tomada de Assunção. D. Pedro II não aceitou: a guerra só acabaria com a prisão de López, que havia fugido. Por isso, diz Salles à Agência Senado, o conflito se arrastou por mais de um ano.

O coronel Joca Tavares e seus auxiliares, entre eles o cabo Chico Diabo, que matou Solano López em Cerro Corá (c. 1870)autor desconhecido (18??–18??) · Wikimedia Commons (origem: Biblioteca Nacional) · domínio público
O que aconteceu
López recuou para as montanhas do norte, na fase que o Exército chama de Campanha das Cordilheiras. No fim, recrutava qualquer um entre 12 e 60 anos, segundo Salles. Em 12 de agosto de 1869, em Piribebuy, um hospital pegou fogo com os internados dentro; a versão paraguaia culpa o conde d’Eu, e historiadores brasileiros atribuem as chamas às faíscas das armas.
Em 16 de agosto de 1869, centenas de meninos soldados morreram na batalha de Acosta Ñu. Em 1º de março de 1870, López foi descoberto nas montanhas do norte e morto em Cerro Corá. O Arquivo Nacional registra na mesma data a morte dele e o fim da guerra. O Paraguai nunca chegou a se render, lembra o historiador Vitor Izecksohn.
“Ele sacrificou um país inteiro inutilmente. O herói foi o povo paraguaio, que acreditou na história de que a independência do país era ameaçada pelo Brasil e pela Argentina.”
O que veio depois
A guerra custou ao Império 614 mil contos de réis, segundo o historiador Francisco Doratioto: a soma dos orçamentos dos 11 anos anteriores. As contas do governo fecharam no vermelho nas duas décadas seguintes. Estima-se que 75% da população paraguaia tenha morrido, no front, de fome ou de doenças. Salles sustenta que houve aniquilação, mas não genocídio, porque o Brasil não atacou com o objetivo de exterminar a população.
Em 9 de janeiro de 1872, em Assunção, o barão de Cotegipe e Carlos Loizaga assinaram o tratado definitivo de paz e o tratado de limites, promulgados no Brasil em 27 de março. O Paraguai reconheceu como dívida a indenização dos gastos de guerra do Império. A fronteira seguiu o rio Paraná até o Salto das Sete Quedas, as serras de Maracaju e Amambaí e o rio Apa.
No Paraguai, López virou herói. O 1º de março é o Dia dos Heróis Nacionais, e o 16 de agosto, o Dia das Crianças. A ditadura de Rafael Franco levou os restos dele ao Panteão Nacional em 1936, e a de Alfredo Stroessner patrocinou o filme Cerro Corá em 1978. Em 2014, deputados paraguaios propuseram um dia de luto pelo “genocídio do povo paraguaio”.
Joaquim Nabuco registra em O abolicionismo (1883, cap. 7) que o conde d’Eu exigiu, em 2 de outubro de 1869, a abolição da escravidão no Paraguai ocupado. No Brasil, a escravidão seguiria legal por mais 18 anos.
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Referências
Arquivo Nacional, cronologia do período imperial
Documentos oficiais
- Cronologia do período imperial (1822 a 1889) · Arquivo Nacional (MAPA)
- Decreto nº 4.910, de 27 de março de 1872 (tratado definitivo de paz com o Paraguai), publicação original · Câmara dos Deputados, Legislação Informatizada
- Decreto nº 4.911, de 27 de março de 1872 (tratado de limites com o Paraguai), publicação original · Câmara dos Deputados, Legislação Informatizada
Para ler mais
- 150 anos depois, guerra ainda é ferida aberta no Paraguai · Agência Senado (Arquivo S)
- No Império, Senado estudou criar CPI da Guerra do Paraguai · Agência Senado (Arquivo S)
- Guerra da Tríplice Aliança, 1864 a 1870 (Verde-Oliva, n. 246, jun. 2019) · Centro de Comunicação Social do Exército
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