A fragata britânica Cormorant força a barra de Paranaguá e ataca navios negreiros, julho de 1850 (gravura do Illustrated London News) — a pressão que precedeu a leiAutor não identificado (The Illustrated London News), 1850 · The Illustrated London News, 28/09/1850, via HathiTrust e Wikimedia Commons · domínio público
A Lei nº 581, de 4 de setembro de 1850, mandou apreender navios com escravizados a bordo e tratou a importação de africanos como pirataria. Proposta pelo ministro Eusébio de Queirós sob pressão naval britânica, foi a primeira lei a acabar de fato com o tráfico atlântico para o Brasil.
- 62 milafricanos escravizados desembarcados ilegalmente em 1848
- quase 400navios negreiros capturados pelos britânicos de 1845 a 1850
- > 700 milafricanos escravizados ilegalmente entre as décadas de 1830 e 1850
- 24 anosentre o tratado de 1826 e a lei
O que havia antes
Num tratado de 1826, o Brasil prometeu à Grã-Bretanha acabar com o tráfico. A lei de 7 de novembro de 1831 declarou livres os africanos trazidos dali em diante, mas o contrabando seguiu: em 1848 entraram ilegalmente 62 mil pessoas escravizadas, segundo a Agência Senado.
Desde 1845, o Bill Aberdeen autorizava a marinha britânica a apreender navios negreiros; até 1850 capturou quase 400. Em 1850, os cruzadores passaram a agir em águas brasileiras. O governo conservador, temendo um confronto, mandou o projeto ao Parlamento em junho.

S. A. Sisson, retrato de Eusébio de Queirós, ministro da Justiça que deu nome à leiSébastien Auguste Sisson · Wikimedia Commons · domínio público
O que aconteceu
A lei foi sancionada em 4 de setembro de 1850. O artigo 1º mandou apreender embarcações brasileiras em qualquer lugar e estrangeiras em águas brasileiras que tivessem escravizados a bordo ou os tivessem desembarcado. O artigo 4º considerou a importação “pirataria”.
O artigo 3º definiu como autores o dono, o capitão, o piloto, o contramestre e o sobrecarga, e como cúmplices a tripulação e quem ajudasse no desembarque. Os africanos apreendidos seriam reexportados e, até lá, trabalhariam sob tutela do governo, sem cessão a particulares (art. 6º).
“A importação de escravos no territorio do Imperio fica nelle considerada como pirataria, e será punida pelos seus Tribunaes com as penas declaradas no Artigo segundo da Lei de sete de Novembro de mil oitocentos trinta e hum.”
O que veio depois
Em 1853 não se registrou entrada ilegal de africanos, segundo a Agência Senado. O comércio de pessoas escravizadas entre províncias, legal, cresceu. Em 1852, na Câmara, Eusébio de Queirós justificou a lei pelas dívidas dos fazendeiros com traficantes e pelo medo de revoltas como a dos Malês, registra a MultiRio.
A historiadora Beatriz Mamigonian, ouvida pelo Senado, diz que a lei buscou garantir a continuidade da escravidão e anistiar quem escravizara ilegalmente mais de 700 mil africanos. Duas semanas depois veio a Lei de Terras. Seguiram-se as leis de 1871, 1885 e a abolição de 1888.

Rugendas, “Navio negreiro” (c. 1830): o porão de um navio do tráficoJohann Moritz Rugendas, 1835 · Wikimedia Commons · domínio público
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Referências
Presidência da República, Lei nº 581/1850
Documentos oficiais
- Lei nº 581, de 4 de setembro de 1850 · Presidência da República (Planalto)
- Lei de 7 de novembro de 1831 · Senado Federal, Legislação Federal
- Cronologia do período imperial (1822 a 1889) · Arquivo Nacional (MAPA)
Para ler mais
- Marinha britânica forçou Brasil a acabar com tráfico negreiro · Agência Senado (Arquivo S)
- Lei Eusébio de Queiroz completa 170 anos · Rádio Senado
- Lei Eusébio de Queirós · MultiRio (Prefeitura do Rio)
- Há 190 anos, o Senado ajuda a debelar as grandes crises vividas pelo Brasil · Agência Senado (Arquivo S)
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