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República

República / marcos / a ditadura militar

A ditadura militar (1964–1985) · violência e segurança

A Guerrilha do Araguaia

1972 · governo de Emílio Médici

O rio Araguaia em São Geraldo do Araguaia (PA), na região onde atuou a guerrilhaDannver Lemos, 0017 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0

Em 12 de abril de 1972, o Exército iniciou a primeira ofensiva contra a guerrilha que o PCdoB preparava no sudeste do Pará. Até o início de 1974, três campanhas militares mataram ou fizeram desaparecer quase todos os guerrilheiros e prenderam e torturaram camponeses. Os corpos, na maioria, nunca foram entregues às famílias.

O que havia antes

Segundo a Comissão Nacional da Verdade, o PCdoB adotou nos anos 1960 a estratégia da guerra popular prolongada e escolheu a região do rio Araguaia, na divisa do Pará, Maranhão e norte de Goiás, hoje Tocantins. Os primeiros militantes chegaram cerca de seis anos antes dos combates e viveram entre os camponeses.

Em abril de 1972 eram 69 guerrilheiros, numa área de cerca de 6.500 km², perto de Marabá, São Geraldo do Araguaia e Xambioá. Estavam divididos em três destacamentos, A, B e C, sob uma Comissão Militar. Ridenti (1993, p. 163-238) descreve o Araguaia como a única guerrilha rural de fato do período.

Mapa da região da Guerrilha do Araguaia, no sul do Pará

Mapa da região da Guerrilha do Araguaia, no sul do ParáSturm, 2012 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 3.0

O que aconteceu

A primeira ofensiva, de 12 de abril de 1972, atacou os destacamentos A e C. Seguiram-se a Operação Papagaio, no mesmo ano, a Operação Sucuri, de informações, e a Operação Marajoara, de 1973 e 1974. Esta usou pequenos grupos em trajes civis, guiados por mateiros, para a “eliminação total da guerrilha”, segundo a CNV.

Em janeiro de 1974, um documento do SNI de Belém pedia que os guerrilheiros fossem “totalmente aniquilados em curto prazo”. O saldo da Marajoara foi de 56 guerrilheiros mortos, com os corpos desaparecidos, e mais de duzentos camponeses presos sob acusação de apoio, de acordo com a CNV.

A CNV registra execuções de prisioneiros, tortura de camponeses e indígenas aikewara, queima de casas e roças. Segundo os próprios relatórios militares, 90% dos presos como “apoio” eram moradores que ocasionalmente davam comida aos guerrilheiros.

“tais elementos sejam totalmente aniquilados em curto prazo”

Agência de Belém do SNI (citada pela CNV)Documento do SNI de janeiro de 1974, citado no Relatório da CNV, v. I, cap. 14, p. 691, 1974-01a fonte

O que veio depois

Em 1982, familiares moveram ação contra a União para saber do paradeiro dos mortos. A Lei nº 9.140, de 1995, reconheceu 61 desaparecidos do Araguaia. A Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos chegou a 63, e a Corte Interamericana reconheceu 62 desaparecidos.

Em 24 de novembro de 2010, a Corte Interamericana condenou o Brasil no caso Gomes Lund. Decidiu que a Lei de Anistia, como foi aplicada, impediu o dever de investigar e punir, e mandou conduzir a investigação penal e buscar os restos mortais. Em 2014, a CNV registrou que a maior parte dos guerrilheiros segue desaparecida.

Em 27 de janeiro de 2015, o Ministério Público Federal em Marabá denunciou o coronel Lício Augusto Ribeiro Maciel por homicídio de três guerrilheiros, entre eles André Grabois, em outubro de 1973, e por ocultação dos cadáveres, e o coronel Sebastião Curió Rodrigues de Moura pela ocultação dos restos mortais. São acusações; o desfecho do processo não foi conferido.

Imagem de satélite da Serra das Andorinhas (Martírios), junto ao Araguaia, com São Geraldo do Araguaia e Xambioá, 2021

Imagem de satélite da Serra das Andorinhas (Martírios), junto ao Araguaia, com São Geraldo do Araguaia e Xambioá, 2021Landsat 8 / OLI, 2021 · Wikimedia Commons (origem: https://worldview.earthdata.nasa.gov/?v=-49.81012087102996,-6.840466069308467,-47.31487866525088,-5.669565444195444&l=Re) · domínio público

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Referências

Comissão Nacional da Verdade, grupo de trabalho Araguaia

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