Metalúrgicos em greve lotam o estádio de Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, no ciclo de greves do ABC (1979-1980)Arquivo Público do Estado de São Paulo (Álbum de Fotos da Greve dos Metalúrgicos, 1979-1980), publicado por Memórias Reveladas/Arquivo Nacional, 1979 · Memórias Reveladas (Arquivo Nacional), Flickr; acervo APESP · domínio público
Em 12 de maio de 1978, cerca de dois mil operários da Saab-Scania, em São Bernardo do Campo, bateram o ponto e não ligaram as máquinas. Pediam 20% de aumento acima do índice oficial. A paralisação se espalhou pela Ford, Mercedes-Benz e Volkswagen e abriu o ciclo de greves do fim da ditadura.
- 2 mil ou 3 miloperários da Scania: CPDOC × Dieese
- 20%de aumento pedido acima do índice oficial
- 9.540operários da Ford no acordo de 22 de maio
- 11% a 13,5%reajuste do acordo de 1º de julho
- 500 mil+trabalhadores em greve em maio-junho de 1978 (CPDOC)
O que havia antes
Desde 1964, a Lei nº 4.330 restringia a greve. Houve paralisações em Contagem e Osasco em 1968, reprimidas. Em 31 de julho de 1977, a Folha de S.Paulo divulgou relatório do Banco Mundial com inflação de 1973 maior que a oficial, segundo artigo da revista do Dieese. Os salários tinham sido corrigidos pelo índice menor.
O Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema lançou em 1977 uma campanha pela reposição salarial. Segundo o CPDOC, desde 1972 a chapa da entidade criticava a legislação trabalhista e defendia negociação direta com as empresas e comissões nos locais de trabalho.

Assembleia de metalúrgicos em greve no ABC paulista (1979-1980)Arquivo Público do Estado de São Paulo (Álbum de Fotos da Greve dos Metalúrgicos, 1979-1980), publicado por Memórias Reveladas/Arquivo Nacional, 1979 · Memórias Reveladas (Arquivo Nacional), Flickr; acervo APESP · domínio público
O que aconteceu
Na manhã de 12 de maio de 1978, os operários da Scania compareceram mas não trabalharam, para “negociar com as máquinas paradas”, nas palavras do CPDOC. O sindicato, presidido por Luiz Inácio da Silva, o Lula, apoiou o movimento como intermediário, não como organizador.
Em menos de quatro dias a parada chegou à Ford, à Mercedes-Benz e a setores da Volkswagen. Em 19 de maio, o Tribunal Regional do Trabalho declarou a greve ilegal. Em 22 de maio, 9.540 operários da Ford voltaram depois de um reajuste parcelado. Em 1º de julho, o sindicato e as montadoras assinaram acordo de 11% a 13,5% para cerca de 30 empresas.
“Aqui, no dia 12 de maio de 1978, um grupo de trabalhadores resolveu exercitar, depois de muitos anos, porque o regime militar não permitia o direito de greve, uma conquista universal, que é o exercício da greve.”
O que veio depois
Segundo o CPDOC, as greves de maio e junho de 1978 mobilizaram mais de 500 mil trabalhadores no ABC, em São Paulo e em Osasco, e os acordos diretos superaram na prática a política salarial do governo. Vieram greves de bancários, médicos e servidores.
Em 1979 e 1980, os metalúrgicos do ABC voltaram a parar. Em abril de 1980, o governo interveio no sindicato e afastou 42 dirigentes; em 19 de abril, Lula e outros sindicalistas foram presos e depois enquadrados na Lei de Segurança Nacional, segundo o CPDOC. Para o CPDOC, as greves de 1978 e 1979 fizeram do “novo sindicalismo” um movimento de massas e deram projeção nacional a Lula.

O prédio do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, anos 1980 (quadro de vídeo)WebTV Sinttel-Rio / TVT, 1980 · Wikimedia Commons (origem: YouTube) · CC BY 3.0
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Referências
FGV CPDOC, DHBB, verbete temático “Greve”
Para ler mais
- Greve (verbete temático) · FGV CPDOC, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro
- Sindicalismo (verbete temático) · FGV CPDOC, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro
- Oliveira, “Greves no Brasil, de 1978 a 2018: grandes ciclos, configurações diversas”, Revista Ciências do Trabalho, n. 15 · Dieese
- 40 anos da greve na Scania: braços cruzados contra a ditadura (2018) · Fundação Perseu Abramo
- Há 40 anos, greve da Scania tornava-se marco da luta sindical (2018) · CUT
- 60 anos do golpe: o Grande ABC na luta (2024) · Diário do Grande ABC
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