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República / marcos / a ditadura militar

A ditadura militar (1964–1985) · trabalho e Previdência

A greve da Scania e o novo sindicalismo

12 de maio de 1978 · governo de Ernesto Geisel

Metalúrgicos em greve lotam o estádio de Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, no ciclo de greves do ABC (1979-1980)Arquivo Público do Estado de São Paulo (Álbum de Fotos da Greve dos Metalúrgicos, 1979-1980), publicado por Memórias Reveladas/Arquivo Nacional, 1979 · Memórias Reveladas (Arquivo Nacional), Flickr; acervo APESP · domínio público

Em 12 de maio de 1978, cerca de dois mil operários da Saab-Scania, em São Bernardo do Campo, bateram o ponto e não ligaram as máquinas. Pediam 20% de aumento acima do índice oficial. A paralisação se espalhou pela Ford, Mercedes-Benz e Volkswagen e abriu o ciclo de greves do fim da ditadura.

O que havia antes

Desde 1964, a Lei nº 4.330 restringia a greve. Houve paralisações em Contagem e Osasco em 1968, reprimidas. Em 31 de julho de 1977, a Folha de S.Paulo divulgou relatório do Banco Mundial com inflação de 1973 maior que a oficial, segundo artigo da revista do Dieese. Os salários tinham sido corrigidos pelo índice menor.

O Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema lançou em 1977 uma campanha pela reposição salarial. Segundo o CPDOC, desde 1972 a chapa da entidade criticava a legislação trabalhista e defendia negociação direta com as empresas e comissões nos locais de trabalho.

Assembleia de metalúrgicos em greve no ABC paulista (1979-1980)

Assembleia de metalúrgicos em greve no ABC paulista (1979-1980)Arquivo Público do Estado de São Paulo (Álbum de Fotos da Greve dos Metalúrgicos, 1979-1980), publicado por Memórias Reveladas/Arquivo Nacional, 1979 · Memórias Reveladas (Arquivo Nacional), Flickr; acervo APESP · domínio público

O que aconteceu

Na manhã de 12 de maio de 1978, os operários da Scania compareceram mas não trabalharam, para “negociar com as máquinas paradas”, nas palavras do CPDOC. O sindicato, presidido por Luiz Inácio da Silva, o Lula, apoiou o movimento como intermediário, não como organizador.

Em menos de quatro dias a parada chegou à Ford, à Mercedes-Benz e a setores da Volkswagen. Em 19 de maio, o Tribunal Regional do Trabalho declarou a greve ilegal. Em 22 de maio, 9.540 operários da Ford voltaram depois de um reajuste parcelado. Em 1º de julho, o sindicato e as montadoras assinaram acordo de 11% a 13,5% para cerca de 30 empresas.

“Aqui, no dia 12 de maio de 1978, um grupo de trabalhadores resolveu exercitar, depois de muitos anos, porque o regime militar não permitia o direito de greve, uma conquista universal, que é o exercício da greve.”

Luiz Inácio Lula da SilvaDiscurso na Scania, em 2008, citado pela CUT, 2008a fonte

O que veio depois

Segundo o CPDOC, as greves de maio e junho de 1978 mobilizaram mais de 500 mil trabalhadores no ABC, em São Paulo e em Osasco, e os acordos diretos superaram na prática a política salarial do governo. Vieram greves de bancários, médicos e servidores.

Em 1979 e 1980, os metalúrgicos do ABC voltaram a parar. Em abril de 1980, o governo interveio no sindicato e afastou 42 dirigentes; em 19 de abril, Lula e outros sindicalistas foram presos e depois enquadrados na Lei de Segurança Nacional, segundo o CPDOC. Para o CPDOC, as greves de 1978 e 1979 fizeram do “novo sindicalismo” um movimento de massas e deram projeção nacional a Lula.

O prédio do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, anos 1980 (quadro de vídeo)

O prédio do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, anos 1980 (quadro de vídeo)WebTV Sinttel-Rio / TVT, 1980 · Wikimedia Commons (origem: YouTube) · CC BY 3.0

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Referências

FGV CPDOC, DHBB, verbete temático “Greve”

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