Lula discursa na solenidade de sanção do Estatuto da Igualdade Racial, no Palácio do ItamaratyPedro França/MinC, 2010 · Wikimedia Commons (origem: Flickr do Ministério da Cultura) · CC BY 2.0
Em 20 de julho de 2010, Lula sancionou a Lei 12.288, o Estatuto da Igualdade Racial, com 65 artigos sobre saúde, educação, terra, trabalho, comunicação e combate à discriminação da população negra. O texto saiu do Senado sem as cotas e sem a palavra “raça” em vários trechos.
- 65artigos da lei (Planalto)
- 4leis alteradas, entre elas a do crime de racismo (Planalto)
- 90 diasprazo para a lei entrar em vigor (art. 65)
- 20%vagas de concursos federais reservadas a negros pela Lei 12.990/2014
O que havia antes
O projeto nasceu no Senado, de autoria de Paulo Paim (PT-RS), como PLS 213/2003, segundo o Consultor Jurídico. Na Câmara, tramitou como PL 6264/2005 e foi aprovado em 9 de setembro de 2009. A Secretaria de Relações Institucionais da Presidência registra que o texto tramitou por cerca de uma década no Congresso.
A versão da Câmara previa cotas para negros na educação e outras ações afirmativas obrigatórias. No Senado, a análise foi adiada em dezembro de 2009. A disputa girava em torno das cotas e do uso do termo “raça” na lei.

O Senado aprova o Estatuto da Igualdade Racial (16/06/2010)Senado Federal, 2010 · Wikimedia Commons (origem: Agência Senado) · CC BY 2.0
O que aconteceu
Em 16 de junho de 2010, a Comissão de Constituição e Justiça aprovou o texto por unanimidade, e o Plenário o aprovou no mesmo dia, em votação simbólica, por acordo de líderes. O relator foi Demóstenes Torres (DEM-GO), então presidente da CCJ, segundo o Congresso em Foco.

Diário Oficial da União de 21/07/2010, Seção 1, p. 1, com a publicação da Lei 12.288 (Estatuto da Igualdade Racial)Imprensa Nacional, 2010 · Imprensa Nacional, acervo do Diário Oficial da União (pesquisa.in.gov.br) · ato oficial, sem direito autoral
O Senado retirou o sistema de cotas, a prioridade de acesso da população negra às instituições federais de ensino técnico e superior e a obrigação de incentivar a inclusão de negros na pós-graduação. Também suprimiu, por emendas de redação, expressões como “raça”, “racial” e “étnico-raciais”. O relator disse que “geneticamente, raças não existem”. Como o Senado só suprimiu artigos, o texto não voltou à Câmara.
Na véspera da sanção, Paim discursou no Senado. Lamentou que o estatuto tivesse saído sem grande parte das reivindicações que esperava ver atendidas, mas o chamou de avanço. Lula sancionou a lei em 20 de julho de 2010, no Palácio do Itamaraty, na mesma cerimônia que criou a Unilab, universidade com sede em Redenção (CE) voltada à cooperação com países africanos.
A lei define população negra como o conjunto de pessoas que se autodeclaram pretas e pardas, pelo quesito cor ou raça do IBGE. Torna obrigatório o estudo da história da África e da população negra no ensino fundamental e médio. Reconhece a propriedade das terras ocupadas por remanescentes de quilombos e protege a liberdade de culto das religiões de matriz africana.
Também cria o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir), ao qual estados e municípios podem aderir, e prevê ouvidorias para denúncias de discriminação. Altera quatro leis, entre elas a Lei 7.716, de 1989, que define os crimes de racismo. Entrou em vigor 90 dias depois da publicação no Diário Oficial de 21 de julho.
“É um passo à frente; é uma conquista. Possui uma representatividade jurídica, histórica, legal e moral”
O que veio depois
A crítica principal veio da forma: a maioria das normas não é obrigatória. Em 2015, ouvido pela Deutsche Welle, Frei David, da Educafro, disse que o estatuto “é autorizativo, não determinativo”, e citou o caso da São Paulo Fashion Week, que recusou ampliar a cota de modelos negros com esse argumento. O promotor Christiano Jorge Santos apontou que o artigo 60 previa, em certos casos, pena mais branda que a da lei do racismo.
Na mesma reportagem, o advogado Hédio Silva Júnior defendeu que o estatuto inspirou as leis de cotas que vieram depois. Em 2012, a Lei 12.711 reservou vagas nas universidades e institutos federais. Em 2014, a Lei 12.990, sancionada por Dilma Rousseff, reservou aos negros 20% das vagas em concursos da administração federal por dez anos. Essa lei foi revogada e substituída pela Lei 15.142, de 2025.
O texto do estatuto recebeu alterações posteriores. A versão consolidada no Planalto traz, por exemplo, mudanças de 2023 sobre o campo de identificação étnico-racial em registros administrativos.

O senador Paulo Paim, autor do projeto do Estatuto (foto de 2013)Waldemir Barreto/Agência Senado, 2013 · Wikimedia Commons (origem: Agência Senado) · Attribution
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
A norma
- norma
- Lei 12.288, de 20/07/2010
- ementa
- Institui o Estatuto da Igualdade Racial; altera as Leis nºs 7.716, de 5 de janeiro de 1989, 9.029, de 13 de abril de 1995, 7.347, de 24 de julho de 1985, e 10.778, de 24 de novembro de 2003.
- projeto
- PL 6264/2005
- quem propôs
- sen. Paulo Paim
- Câmara
- sem votação nominal registrada
- Senado
- sem votação nominal registrada
O voto de cada partido e os documentos · o texto oficial Senado Federal, dados abertos: legislação federal, processos e votações do Plenário; Câmara dos Deputados, dados abertos: proposições, autores, votações e votos (arquivos anuais)
Na República
Referências
Documentos oficiais
- Lei nº 12.288, de 20 de julho de 2010 · Presidência da República (Planalto)
- Presidente Lula sanciona Estatuto da Igualdade Racial e projeto de lei que cria a Unilab · Secretaria de Relações Institucionais da Presidência
- Lei nº 12.990, de 9 de junho de 2014 · Presidência da República (Planalto)
Para ler mais
- Paim comemora sanção do Estatuto da Igualdade Racial (19/07/2010) · Agência Senado
- Senado aprova Estatuto da Igualdade Racial (16/06/2010) · Congresso em Foco
- Estatuto da Igualdade Racial é aprovado no plenário do Senado (17/06/2010) · Consultor Jurídico
- Cinco anos depois, avanços do Estatuto da Igualdade Racial são controversos (Deutsche Welle, 21/07/2015) · Instituto Humanitas Unisinos (reprodução da DW Brasil)
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