O Bandeirante, bimotor projetado no CTA que deu origem à Embraer, em 1968Desconhecido (fundo Agência Nacional, Arquivo Nacional), 1968 · Arquivo Nacional, fundo Agência Nacional (via Wikimedia Commons) · domínio público
Em 19 de agosto de 1969, com o Congresso fechado, Costa e Silva assinou o Decreto-Lei nº 770. Ele autorizou a União a constituir a Embraer, sociedade de economia mista ligada ao Ministério da Aeronáutica, com sede em São José dos Campos. A empresa ficou estatal até a privatização, em dezembro de 1994.
- NCr$ 50 milhõescapital inicial
- 51%mínimo da União no capital votante
- 1%do IR aplicável em ações da Embraer (1970-1975)
- US$ 130 milhõesvalor do leilão de 1994, segundo o Dieese
- US$ 544 milhõescaptados em Nova York em 2000-2001
O que havia antes
As condições que deram origem à Embraer remontam à criação do Centro Técnico da Aeronáutica (CTA), em 1950, em São José dos Campos, segundo nota técnica do Dieese. No CTA foi projetado o bimotor Bandeirante, cujo primeiro voo é de 1968.
Desde 13 de dezembro de 1968, o Congresso estava em recesso pelo Ato Complementar nº 38. Com base no AI-5, o presidente legislava por decreto-lei em todas as matérias.

O segundo protótipo do Bandeirante (EMB-100), restaurado, no Memorial Aeroespacial Brasileiro, em São José dos CamposBento Mattos, 2013 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0
O que aconteceu
O Decreto-Lei nº 770 autorizou a União a constituir a Empresa Brasileira de Aeronáutica S.A., vinculada ao Ministério da Aeronáutica. O objeto era promover a indústria aeronáutica brasileira: projetar e construir aeronaves, componentes e equipamentos, e prestar serviços técnicos.
O capital inicial seria de NCr$ 50 milhões, com no mínimo 51% das ações ordinárias da União. De 1970 a 1975, pessoas jurídicas poderiam aplicar até 1% do imposto de renda devido em ações novas da empresa. O Ministério da Aeronáutica e órgãos federais dariam preferência aos seus produtos.
Doze dias depois, em 31 de agosto, o AI-12 afastou Costa e Silva, doente. Os três ministros militares passaram a exercer a Presidência.
“Fica a União autorizada a constituir, vinculada ao Ministério da Aeronáutica, na forma dêste Decreto-lei, uma sociedade de economia mista que se denominará EMBRAER - Emprêsa Brasileira de Aeronáutica S.A.”
O que veio depois
Durante o período estatal, a Embraer foi dirigida pelo major Ozires Silva (1969-1986), por Ozílio Silva (1986-1990), João Rodrigues da Cunha Neto (1990-1991) e de novo por Ozires (1991-1994), segundo o Dieese. Em 1980, comprou a Neiva, fabricante de aviões agrícolas.
A privatização ocorreu em dezembro de 1994. Segundo o Dieese, a empresa foi arrematada por US$ 130 milhões, pagos em títulos da dívida pública, as chamadas moedas podres; os maiores compradores foram o Wasserstein Perella e o Bozano Simonsen. Em 2000 e 2001, a Embraer captou US$ 544 milhões na Bolsa de Nova York. Em 2017, anunciou negociações com a Boeing.

Ozires Silva, engenheiro do projeto Bandeirante e primeiro presidente da Embraer, em sessão do Senado pelos 42 anos da empresa (2011)José Cruz/ABr, 2011 · Wikimedia Commons (origem: Agência Brasil [1]) · CC BY 3.0 br
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Referências
Presidência da República, Decreto-Lei nº 770/1969
Documentos oficiais
- Decreto-Lei nº 770, de 19 de agosto de 1969 · Presidência da República
- Ato Complementar nº 38, de 13 de dezembro de 1968 · Presidência da República
- Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 1968 · Presidência da República
- Ato Institucional nº 12, de 31 de agosto de 1969 · Presidência da República
- A 5ª República · Câmara dos Deputados
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