A Comissão Nacional da Verdade entrega o relatório final (10/12/2014)Fabrício Faria/Comissão Nacional da Verdade, 2014 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0
A Lei 12.528, de 18 de novembro de 2011, criou a Comissão Nacional da Verdade para esclarecer graves violações de direitos humanos de 1946 a 1988. Instalada em 2012, ela entregou o relatório final em 10 de dezembro de 2014: 434 mortos e desaparecidos, 210 deles desaparecidos, e 377 agentes públicos apontados como responsáveis.
- 434mortos e desaparecidos confirmados (CNV)
- 210desaparecidos (CNV)
- 377agentes públicos apontados como responsáveis (CNV)
- 29recomendações do relatório (CNV)
- 73nomes a mais que o levantamento do Estado de 2007 (Agência Câmara)
- 7membros da comissão (Lei 12.528)
O que havia antes
A Lei da Anistia, de 1979, alcançou crimes políticos e conexos do período da ditadura. Em 29 de abril de 2010, ao julgar a ADPF 153, da OAB, o STF julgou improcedente o pedido de excluir da anistia os agentes do Estado acusados de crimes comuns. Ficaram vencidos Ricardo Lewandowski e Ayres Britto, segundo o Informativo 584 do STF.
Desde 1995, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, criada pela Lei 9.140, reconhecia vítimas e buscava restos mortais. O projeto da comissão da verdade, o PL 7376/2010, foi enviado pelo Executivo e aprovado pelo Congresso em 2011.

O relatório da Comissão Nacional da Verdade chega ao Senado (10/12/2014)Senado Federal, 2014 · Wikimedia Commons (origem: Agência Senado) · CC BY 2.0
O que aconteceu
A lei criou a comissão na Casa Civil, com sete membros designados pela Presidência. O período de exame é o do artigo 8º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, de 1946 a 1988. A comissão podia requisitar documentos de qualquer órgão público, mesmo os de grau máximo de sigilo. A lei diz que suas atividades “não terão caráter jurisdicional ou persecutório”.

Diário Oficial da União de 18/11/2011, edição extra, Seção 1, p. 5, com a publicação da Lei 12.528, que cria a Comissão Nacional da VerdadeImprensa Nacional, 2011 · Imprensa Nacional, acervo do Diário Oficial da União (pesquisa.in.gov.br) · ato oficial, sem direito autoral
Dilma Rousseff instalou a comissão em 16 de maio de 2012, no Palácio do Planalto, ao lado dos ex-presidentes José Sarney, Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso e Lula. Os membros foram Gilson Dipp, José Carlos Dias, Rosa Maria Cardoso da Cunha, Claudio Fonteles, Paulo Sérgio Pinheiro, Maria Rita Kehl e José Paulo Cavalcanti Filho. Dilma disse que a comissão não era movida por “revanchismo”. No mesmo dia entrou em vigor a Lei de Acesso à Informação.
O prazo inicial, de dois anos, foi estendido até 16 de dezembro de 2014 pela Medida Provisória 632, de 2013, convertida na Lei 12.998, de 2014.
“Sobretudo merecem a verdade aqueles que perderam familiares e parentes que continuam sofrendo como se eles morressem de novo e sempre a cada dia”
O que veio depois
Em 10 de dezembro de 2014, o coordenador Pedro Dallari entregou o relatório a Dilma. São três volumes e mais de 3 mil páginas. O terceiro volume descreve 434 mortes e desaparecimentos, 210 deles desaparecidos, 73 nomes a mais que o levantamento do Estado de 2007. O relatório nomeia 377 agentes públicos responsáveis, entre eles ex-presidentes da República.
A comissão concluiu que as violações foram sistemáticas e resultaram de política de Estado, decidida na Presidência e nos ministérios militares. Fez 29 recomendações. Entre elas, afastar a Lei da Anistia para agentes públicos, por tratar os crimes como contra a humanidade, e criar um órgão permanente de seguimento. Na época, dez ações penais corriam contra 24 réus, segundo a Agência Câmara.
A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos teve os trabalhos encerrados em 30 de dezembro de 2022 e foi recriada por despacho de Lula em 4 de julho de 2024. Em 10 de dezembro de 2024, o CNJ aprovou por unanimidade a regra que manda retificar os assentos de óbito das vítimas reconhecidas pela CNV, com a causa “morte não natural, violenta, causada pelo Estado”. Em junho de 2026, o governo fazia a oitava entrega de certidões corrigidas.
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
A norma
- norma
- Lei 12.528, de 18/11/2011
- ementa
- Cria a Comissão Nacional da Verdade no âmbito da Casa Civil da Presidência da República.
- projeto
- PL 7376/2010
- quem propôs
- Governo federal · Lula
- Câmara
- sem votação nominal registrada
- Senado
- sem votação nominal registrada
O voto de cada partido e os documentos · o texto oficial Senado Federal, dados abertos: legislação federal, processos e votações do Plenário; Câmara dos Deputados, dados abertos: proposições, autores, votações e votos (arquivos anuais)
Na República
Referências
Documentos oficiais
- Lei nº 12.528, de 18 de novembro de 2011 · Presidência da República (Planalto)
- Informativo STF nº 584 (ADPF 153, Lei da Anistia) · Supremo Tribunal Federal
- Estado brasileiro retoma Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (04/07/2024) · Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania
- Ditadura: CNJ aprova reconhecimento de causa da morte e permite emissão de certidões de óbito (10/12/2024) · Conselho Nacional de Justiça
Para ler mais
- Instalada a Comissão da Verdade (16/05/2012) · Agência Senado
- Dilma instala Comissão da Verdade para apurar violações aos direitos humanos (16/05/2012) · Agência Câmara
- Comissão da Verdade responsabiliza 377 pessoas por repressão na ditadura (10/12/2014) · Agência Câmara
- CNV confirma em relatório mais de 200 desaparecidos políticos durante a ditadura militar (10/12/2014) · Agência Brasil
- Famílias de vítimas da ditadura recebem novas certidões retificadas (30/06/2026) · Agência Brasil
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