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República

República / marcos / a ditadura militar

A ditadura militar (1964–1985) · violência e segurança

O atentado do Riocentro

30 de abril de 1981 · governo de João Figueiredo

Os pavilhões do Riocentro, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, em setembro de 2016Luã Leal, 2016 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0

Na noite de 30 de abril de 1981, durante um show de 1º de Maio no Riocentro, no Rio, uma bomba explodiu dentro do carro de dois militares do DOI-Codi do I Exército: o sargento Guilherme do Rosário morreu e o capitão Wilson Machado ficou ferido. Uma segunda bomba explodiu na casa de força. A CNV e o MPF atribuem o plano a agentes do regime; ninguém foi condenado.

O que havia antes

De janeiro de 1980 a abril de 1981, houve cerca de 74 ações terroristas no país, como bombas em bancas de jornal e uma carta-bomba na OAB em agosto de 1980, segundo o CPDOC. A CNV registra uma série de atentados desde 1979.

O show de 30 de abril, promovido pelo Centro Brasil Democrático (Cebrade), ligado ao PCB e presidido por Oscar Niemeyer, homenageava Luiz Gonzaga e reunia cerca de 20 mil pessoas. Naquela tarde, o comandante da PM do Rio, coronel Nilton Cerqueira, mandou suspender o policiamento do evento, segundo o CPDOC.

O Exército apresenta o resultado de seu inquérito sobre o atentado do Riocentro, com a projeção do carro destruído (1981)

O Exército apresenta o resultado de seu inquérito sobre o atentado do Riocentro, com a projeção do carro destruído (1981)autor desconhecido, 1981 · Wikimedia Commons (origem: Arquivo Nacional, dossiê BR RJANRIO EH.0.FOT, EXE.966: I Exército.) · domínio público

O que aconteceu

Entre 21h15 e 21h20, uma bomba explodiu no colo do sargento Guilherme Pereira do Rosário, dentro de um Puma no estacionamento. Ele morreu na hora. O capitão Wilson Luiz Chaves Machado, dono do carro, ficou gravemente ferido. Os dois eram do DOI-Codi do I Exército. Segundo a CNV, a bomba seria instalada no pavilhão do show.

Uma segunda bomba foi jogada por cima do muro da casa de força, mas a energia não caiu. Apenas cinco dos 28 portões estavam abertos, segundo o CPDOC. No enterro do sargento, o comandante do I Exército disse que os dois cumpriam missão de informação e foram vítimas de atentado. O ministro da Justiça, Ibrahim Abi-Ackel, disse que “a bomba explodiu no governo”.

“a bomba explodiu no governo”

Ibrahim Abi-Ackel, ministro da JustiçaDeclaração citada no verbete “Riocentro, atentado do” do CPDOC, 1981-05a fonte

O que veio depois

O inquérito policial militar concluiu que os militares sofreram atentado e foi arquivado. Em 2 de outubro de 1981, em sessão secreta, o Superior Tribunal Militar confirmou o arquivamento por 10 votos a 4, segundo o CPDOC. Golbery do Couto e Silva deixara o Gabinete Civil em 6 de agosto. Um segundo inquérito, de 1999, também não levou a julgamento.

Em fevereiro de 2014, o MPF denunciou seis pessoas, entre elas o próprio Wilson Machado, o ex-delegado Cláudio Guerra e os generais Nilton Cerqueira e Newton Cruz. A Justiça Federal recebeu a denúncia, mas o TRF da 2ª Região trancou a ação por prescrição. Em 2 de outubro de 2019, a 3ª Seção do STJ negou, por 5 a 2, o recurso do MPF. Nenhum acusado foi julgado.

Outra imagem da apresentação do inquérito do Exército sobre o Riocentro (1981)

Outra imagem da apresentação do inquérito do Exército sobre o Riocentro (1981)autor desconhecido, 1981 · Wikimedia Commons (origem: Arquivo Nacional, dossiê BR RJANRIO EH.0.FOT, EXE.966: I Exército.) · domínio público

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Referências

Ministério Público Federal, denúncia do caso Riocentro (2014)

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