O Forte de São Pedro, em Salvador, de onde partiu a Sabinada em 7 de novembro de 1837Paul R. Burley, 2018 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0
Em 7 de novembro de 1837, rebeldes liderados pelo médico Francisco Sabino tomaram Salvador e declararam a Bahia desligada do governo do Rio. Dias depois, limitaram a separação até a maioridade de d. Pedro II. Cercados, renderam-se em março de 1838, e a repressão foi dura.
- c. 4 mesesde controle rebelde sobre Salvador
- 4 diasentre a declaração (7/11) e a ressalva da maioridade (11/11)
O que havia antes
Desde 1831, a Bahia teve movimentos federalistas e antilusitanos, contra o governo central e contra portugueses que dominavam o comércio a varejo. Em 1837, a renúncia do regente Feijó e a política centralizadora de Araújo Lima aumentaram a insatisfação de militares e maçons, segundo a MultiRio.
A fuga de Bento Gonçalves, chefe farroupilha, do forte do Mar, em Salvador, onde estava preso, foi o estopim, diz a MultiRio. A revolta foi preparada por artigos na imprensa, panfletos e sociedades secretas.

“San-Salvador”, vista de Salvador no século XIX (Brasiliana Iconográfica)autor desconhecido · Wikimedia Commons (origem: Brasiliana Iconográfica) · domínio público
O que aconteceu
Na noite de 6 de novembro de 1837, os rebeldes ocuparam o forte de São Pedro. Em 7, liderados por Francisco Sabino Álvares da Rocha Vieira e João Carneiro da Silva Rego, tomaram a Câmara de Salvador. O presidente da província e as autoridades fugiram para o Recôncavo.
O plano do dia 7 declarou a província “inteira e perfeitamente desligada” do Rio. Em 11, a separação foi limitada “até a maioridade” de d. Pedro II. O historiador Douglas Leite vê aí duas correntes: a republicana de Sabino e a monarquista de Carneiro, segundo resenha publicada em Estudos Avançados.
Segundo a MultiRio, a Sabinada reuniu sobretudo as camadas médias, que queriam manter a autonomia provincial dada pelo Ato Adicional de 1834, ameaçada pela lei de interpretação em discussão no Parlamento. Os rebeldes controlaram Salvador por quase quatro meses, mas não ganharam os grandes proprietários de terras e de escravizados do Recôncavo.
“A província da Bahia fica inteira e perfeitamente desligada do governo denominado central do Rio de Janeiro”
O que veio depois
A revolta ficou isolada em Salvador, sem apoio dos senhores do Recôncavo nem dos mais pobres. No início de 1838 chegaram tropas regenciais; após bloqueio por terra e mar, invadiram e incendiaram a cidade. A Batalha dos Três Dias terminou em 15 de março de 1838 com a rendição, registra o Arquivo Nacional.
Os sobreviventes foram julgados por um tribunal que ficou conhecido como “júri de sangue”, segundo a MultiRio. A anistia de agosto de 1840, depois da maioridade, alcançou crimes políticos nas províncias.
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Referências
Arquivo Nacional, MAPA, cronologia do período imperial
Documentos oficiais
- Cronologia do período imperial (1822 a 1889) · Arquivo Nacional (MAPA)
Para ler mais
- A Sabinada · MultiRio (Prefeitura do Rio)
- Sabinadas (resenha de Daniel Afonso da Silva, Estudos Avançados, v. 22, 2008) · SciELO
- A Regência Una de Araújo Lima · MultiRio (Prefeitura do Rio)
- A Cabanagem: a província do Grão-Pará entre 1835 e 1840 · MultiRio (Prefeitura do Rio)
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