Guilherme Litran, “Carga de cavalaria farroupilha” (1893)Guilherme Litran, 1893 · Wikimedia Commons · domínio público
Em 20 de setembro de 1835, estancieiros do Rio Grande do Sul tomaram Porto Alegre contra o governo imperial. Em 1836 proclamaram a República Rio-Grandense. A guerra durou dez anos, a mais longa revolta do Brasil monárquico, e acabou com o acordo de Poncho Verde, em 1845.
- 10 anosde guerra (1835-1845)
- > 50%do exército rebelde formado por negros, segundo Raul Carrion
- c. 80lanceiros mortos em Porongos, segundo a Rádio Senado
O que havia antes
A economia gaúcha vivia da pecuária e do charque, que alimentava escravizados e pobres de outras províncias. O charque platino, feito com trabalho assalariado, era mais barato. Os produtores se queixavam de impostos altos sobre o sal e o produto local e de tarifas baixas para o importado, segundo a MultiRio.
Fernando Henrique Cardoso, citado pela MultiRio, atribui a falta de competitividade ao “custo social” da escravidão. Em 1834, o presidente nomeado, Fernandes Braga, criou novos impostos, entre eles um sobre propriedades rurais, e acusou os liberais de plano separatista.

Bento Gonçalves da Silva, presidente da República Rio-Grandenseautor desconhecido · Wikimedia Commons · domínio público
O que aconteceu
Em 20 de setembro de 1835, as forças rebeldes tomaram Porto Alegre, registra o Arquivo Nacional. Os legalistas recuperaram a cidade em 15 de junho de 1836. Em 11 de setembro de 1836 foi proclamada a República Rio-Grandense, no Campo de Menezes, com capital em Piratini; Bento Gonçalves tomou posse como presidente em 6 de novembro.

Declaração do barão de Caxias anunciando o fim da Revolução Farroupilha, 1º de março de 1845Luís Alves de Lima e Silva, Duque de Caxias · Wikimedia Commons (origem: Arquivo Nacional) · domínio público
Em julho de 1839, Davi Canabarro e Giuseppe Garibaldi proclamaram a República Juliana em Santa Catarina, que caiu em novembro. Escravizados lutaram como Lanceiros Negros, com promessa de liberdade. O deputado Raul Carrion, ouvido pelo Senado, diz que chegaram a mais da metade do exército rebelde.
O que veio depois
Em 14 de novembro de 1844, no cerro dos Porongos, as tropas imperiais atacaram o acampamento e mataram lanceiros negros desarmados. Uma carta atribuída a Caxias, guardada no Arquivo Histórico do RS, diz que o ataque foi combinado com Canabarro; sua autenticidade é debatida.
O acordo de Poncho Verde, de 28 de fevereiro de 1845 segundo o Arquivo Nacional, encerrou a guerra; foi assinado por Caxias e Canabarro, segundo o Memorial do RS. A liberdade dos lanceiros foi recusada pelo Império, segundo a Rádio Senado. Em 2024, os Lanceiros Negros foram inscritos no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.

Antônio Parreiras, “Proclamação da República Rio-Grandense” (1915)Antônio Parreiras, 1914 · Wikimedia Commons · domínio público

Mapa do teatro da guerra na província do Rio Grande de São Pedro do Sul, 1839autor desconhecido, 1839 · Wikimedia Commons · domínio público

Anita Garibaldi, que lutou com os farrapos, em 1839Gaetano Gallino, 1845 · Wikimedia Commons · domínio público
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Referências
Arquivo Nacional, MAPA, cronologia do período imperial
Documentos oficiais
- Cronologia do período imperial (1822 a 1889) · Arquivo Nacional (MAPA)
Para ler mais
- A Farroupilha: características da economia do Rio Grande do Sul · MultiRio (Prefeitura do Rio)
- Professor afirma que Revolução Farroupilha não foi movimento separatista · Agência Senado
- CDH homenageia os Lanceiros Negros da Revolução Farroupilha · Rádio Senado
- “Carta de Porongos” retorna para o Arquivo Histórico · Secretaria da Cultura do RS
- Memorial lança publicação que relata o final da Guerra dos Farrapos · Governo do Rio Grande do Sul
- Há 190 anos, o Senado ajuda a debelar as grandes crises vividas pelo Brasil · Agência Senado (Arquivo S)
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